Na zona Leste, a juventude tem um olhar atento aos que mais necessitam

Membros do Projeto “Quentinhas” Gabriela Santos Alkimim, Samantha Souza, Sérgio Gamero, Taynah Marques, Lucas Vendramel e Eduardo Damasceno /Arquivo Pessoal

Com a pandemia do novo coronavírus, a desigualdade social tornou-se ainda mais evidente, fato este que é justificado pelo aumento de pessoas que se encontram em situação de rua, para além dos grandes centros urbanos.

No Jardim Imperador, localizado na zona Leste da capital paulista, não foi diferente. O bairro, que pertence ao distrito de São Mateus, não foi poupado da crise desencadeada pela COVID-19.

Foi a partir desta percepção que Gabriela Santos Alkimim e os amigos Samantha Souza, Sérgio Gamero, Taynah Marques, Lucas Vendramel e Eduardo Damasceno deram início ao projeto “Quentinhas”, que, quinzenalmente realiza a entrega de marmitas às pessoas em situação de rua, desde os primeiros meses da pandemia.

EM UNIDADE

Gabriela, que é membro da Comunidade Moisés Libertador, da Paróquia São Paulo Apóstolo, no Setor Pastoral São Mateus, explicou ao O SÃO PAULO que os itens para a confecção das quentinhas são doados, principalmente, por amigos e familiares dos idealizadores e pela comunidade, que também disponibilizou sua cozinha para o preparo dos alimentos.

Tudo é feito pelos seis amigos, que também atuam na Pastoral da Juventude da Região Episcopal Belém, e mais alguns voluntários. Todos contribuem desde o preparo até as entregas.

No início da iniciativa, o grupo recebeu a doação de roupas e sapatos, que foram entregues junto com as marmitas.

PRESENÇA NECESSÁRIA

Em um dos dias, uma situação específica chamou a atenção de Gabriela ao ver uma mulher com pinos na perna, em um local com muito lixo e alguns cachorros e que sentia muita dor e pedia por ajuda. No mesmo dia, o grupo entrou em contato com o “Consultório de Rua”, serviço mantido pela Prefeitura para garantir o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde, que após prestar o atendimento inicial a encaminhou para o hospital.

Atualmente, contou Gabriela, essa mulher está se recuperando e em vias de conseguir retirar novos documentos. “ Essa situação, em especial, mostrou a grande importância e grandeza que nosso projeto se tornou. Aquece o coração e me faz pensar que a civilização do amor é um caminho possível”.

INSPIRAÇÃO

Os outros participantes do projeto falaram sobre suas motivações para persistir com esta proposta.

“O projeto das Quentinhas é um espaço de protagonismo jovem, com olhar fraterno, que me faz acreditar em um outro mundo possível, onde não há desigualdade. Onde o básico como a alimentação seja acessível para todos”. Samantha Souza.

“Começamos o projeto das quentinhas em momento de pandemia, um momento muito difícil em vários aspectos, o número de pessoas em situação de rua aumentou nesse tempo, nos inspirando para começar esse projeto que vem ajudando muitas pessoas e o intuito é ajudar sempre mais, pois nada melhor do que ver um olhar de gratidão em quem está recebendo essa ajuda”.  Lucas Vendramel.

“Nosso projeto é a esperança por uma civilização mais justa, mais fraterna e mais solidária. Quentinhas é o amor e a luta pela causa social, pela vida e por aqueles que não tem voz. Vidas pela vida, vidas pelo Reino”. Taynah Marques.

“Não é só mais uma marmita, não é só mais uma garrafa de água é uma vida, é amor, é uma palavra, é saber escutar, é a esperança que você pode oferecer para aquela pessoa, e que ela não está sozinha e que não é invisível aos nossos olhos”. Sérgio Gamero.

“O projeto representa, para mim, a fraternidade que muitas vezes eu deixava nas palavras e esquecia nas ações. Traz uma alegria indescritível, uma disposição em poder estar a serviço da vida. É um sinal de esperança que surgiu em momento de pandemia, mas que pode e irá gerar muitos frutos”. Eduardo Damasceno.

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