Nas ruas da Vila Leopoldina, pessoas vivem em acampamentos improvisados

Nas ruas da Vila Leopoldina, pessoas vivem em acampamentos improvisados
Benigno Naveira

Na sexta-feira, 14, a Pastoral da Comunicação (Pascom) da Região Lapa percorreu a Vila Leopoldina para atestar a realidade das pessoas em situação de rua que vivem em acampamentos improvisados. A maior concentração, em torno de 80 barracas, está no canteiro central da Avenida Doutor Gastão Vidigal e em vias próximas.

A visita foi conduzida pelo jornalista Eduardo Trombetti Fiora, editor do Observatório Leopoldina e membro do Fórum Social Leopoldina, que realiza um trabalho social junto com a jornalista Tatiana Vieira, da Pastoral Fé e Política da Região Lapa, com o apoio de Dom José Benedito Cardoso, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa, e moradores em situação de rua da Vila Leopoldina.

A caminhada teve início na Rua Avelino Chaves, onde o grupo encontrou uma van da Rede Cozinha Cidadã Comunidades, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo, que faz a distribuição gratuita diariamente de cerca de 150 marmitas para pessoas em situação de rua na hora do almoço.

Na Avenida Doutor Gastão Vidigal, o grupo se deparou com uma equipe de Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), assegurando o atendimento e o desenvolvimento de atividades de sociabilidade, como o “Plano Inicial de Assistência” (PIA), ajudando no pedido de confecção de documentos, encaminhamento dos doentes aos hospitais, acompanhamento aos locais, vacinação contra a COVID-19 e gripe, entre outras situações que precisam de assistência social.

Na mesma avenida, em outro acampamento, o grupo conversou com a líder comunitária Neusa Carvalho da Silva. Paraguaia, ela chegou ao Brasil aos 19 anos, foi acolhida por uma família e cursou a Escola Técnica de Administração. Começou a trabalhar numa empresa que a transferiu para países europeus. Trabalhou em Nova York, nos Estados Unidos, depois na Itália, França, Espanha, África do Sul e Portugal. Voltou para o Brasil em 1994, constituiu família e conseguiu um lar. No início da atual pandemia, a empresa onde trabalhava fechou, e Neusa precisou vender seus bens para pagar dívidas. Restou-lhe a opção de viver nas ruas, ao lado do filho, dependente químico, que hoje está em uma clínica de recuperação. Atualmente, Neusa prepara cerca de 60 refeições por dia na hora do almoço. Ela explicou que recebe muitas doações de cestas básicas, das pessoas do bairro e de outras que passam pela avenida. A líder comunitária destacou que é frequentemente visitada por Dom José Benedito Cardoso, que conversa muito sobre a situação dos moradores da comunidade. Ela apresentou um projeto à Subprefeitura da Lapa para a construção de um camping de moradores em situação de rua, mas até hoje não obteve resposta. Ela deixa uma mensagem para a comunidade: “Não se calem. Falem o que sentem, nessa batalha que é constante todos os dias, e não percam a fé em Deus”.

(Benigno Naveira para Região Lapa)

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