‘Nesta noite, proclamamos novamente: o Senhor está vivo e caminha conosco’

Afirmou o Cardeal Odilo Scherer, na solene Vigília Pascal, celebrada na Catedral da Sé

Arcebispo eleva círio pascal, sinal do Cristo ressuscitado (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Na Catedral da Sé vazia e às escuras, uma luz anunciou a grande notícia para os católicos: “Cristo Ressuscitou”. A solene Vigília Pascal foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, na noite deste Sábado Santo, 3.

Considerada a “mãe de todas das vigílias”, essa celebração anuncia a Ressurreição de Jesus. Na Igreja primitiva, essa celebração acontecia durante toda a noite, preparando os fiéis para o alvorecer do domingo da ressurreição do Senhor.  

Devido ao agravamento da pandemia da COVID-19, a missa não teve a participação de fiéis e foi transmitida pelos meios de comunicação e mídias digitais.

Rito simplificado

Também por causa da emergência sanitária, a liturgia da missa foi simplificada, seguindo as orientações da Santa Sé para essa circunstância. Por isso, não houve a bênção do fogo novo, como de costume, mas o Círio Pascal, sinal do Ressuscitado, foi aceso e apresentado solenemente com o refrão: “A luz de Cristo”.

Em seguida, houve a proclamação solene da Páscoa, com o tradicional hino do Precônio Pascal que, em seus versos, diz: “Exulte de alegria dos anjos a multidão, exultemos, também, nós por tão grande salvação! Do grande Rei a vitória cantemos o resplendor: das trevas surgiu a glória, da morte o Libertador”.

Ao contrário das habituais sete leituras do Antigo Testamento, seguidas de salmos e orações, que recordam a história da salvação do povo de Deus, este ano, foram proclamadas apenas três.

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Leituras

A primeira leitura (Gn 1,1-26.31a) narra a criação do mundo, do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus.

Dom Odilo mergulha círio pascal na água batismal (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A segunda leitura (Gn 22,1-2.9a, 10-13.15-18), recorda o episódio em que Deus pede a Abraão que sacrifique o seu filho Isaac. Contudo, o patriarca do povo hebreu, que provou sua fidelidade, foi poupado pelo Senhor, que enviou um cordeiro para ser sacrificado no lugar do menino.

A passagem do povo hebreu pelo Mar Vermelho, narrada pelo livro do Êxodo (14,15-30–15,1), foi a terceira leitura proclamada na Vigília.

Após as leituras do Antigo Testamento, foi entoado hino de louvor “Glória a Deus nas alturas”, e proclamada uma leitura do Novo Testamento. Omitido durante toda a Quaresma, a aclamação “Aleluia” foi cantada solenemente para anunciar o Evangelho da ressurreição de Jesus.

A Vigília Pascal também é marcada pela liturgia batismal, com a bênção da água batismal, na qual é mergulhado o Círio Pascal, em sinal do próprio Cristo que santifica a águas por seu batismo. Em seguida, os fiéis renovam as promessas do próprio Batismo.

Unidos pela fé

No início da homilia, Dom Odilo saudou todos aqueles que celebram a Páscoa em suas casas, reunidos em família, especialmente os enfermos. Ele ressaltou que o fato de mais uma vez celebrar o mistério pascal com as igrejas vazias evidencia a gravidade da pandemia e o quanto é importante o esforço de todos, inclusive da Igreja, para tentar conter a disseminação do coronavírus.

“Isso não significa que temos menos fé ou damos menor importância àquilo que celebramos. Muito pelo contrário. Neste tempo de pandemia, precisamos, mais do que nunca, recorrer à força de Deus para encontrar motivos para crer, esperar e lutar, para valorizar a nossa vida e a dos outros. Por isso mesmo, se nossas igrejas estão fisicamente vazias, tenho a certeza de que a Igreja daqueles que creem, que estão unidos em Cristo, também estão unidos em comunhão de fé, nos momentos de oração que são proporcionados”, afirmou o Cardeal.

A morte foi vencida

O Arcebispo enfatizou que, nessa noite, os cristãos proclamam mais uma vez: “O Senhor está vivo, está no meio de nós, caminha conosco, sustenta a nossa esperança, indica-nos o rumo a seguir. Ele não nos deixa desfalecer, ainda que sejam grandes as dificuldades que enfrentamos”.

“Que o Senhor ressuscitado seja a nossa força e que nunca esqueçamos que Ele não está mais no túmulo. Ainda que possamos venerar muito o lugar onde ele foi crucificado e sepultado, mas Ele está no meio de nós, caminha com a Igreja onde quer que ela esteja. A morte foi vencida e não tem mais poder sobre Jesus”, concluiu Dom Odilo.

Dom Odilo preside Vigília Pascal na Catedral da Sé vazia (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Confiança

No fim da missa, Dom Odilo transmitiu sua saudação pascal a todo o povo da Arquidiocese, encorajando-o à confiança na força do Ressuscitado para a superação desses tempos difíceis.

“Não nos assustemos. Quando Jesus ressuscitado apareceu aos seus discípulos, eles ainda estavam muito assustados. Depois, porém, eles creram e se alegraram muito. Não percamos a fé, não percamos a esperança. Vamos superar essa crise. Por isso, cuidemos bem uns dos outros, para, assim, atravessarmos esse tempo sem perder mais ninguém”, exortou o Cardeal.  

Por fim, o Arcebispo renovou seu apelo para que os pobres não sejam esquecidos. Nesse tempo, as doações não vêm para a igreja, mas os pobres continuam batendo à porta… Que nossa Páscoa seja também de partilha de superação não só da pandemia, mas da fome”, concluiu.

Domingo de Páscoa

No Domingo da Páscoa, 4, o Cardeal Scherer presidirá a Eucaristia solene, também na Catedral da Sé, às 11h, com transmissão pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese.

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