‘O Jornalismo é a vacina contra a desinformação’

Aldo Quiroga, apresentador na TV Cultura e professor de Jornalismo na PUC-SP, é o segundo entrevistado na série do O SÃO PAULO e da rádio 9 de Julho sobre o 55o Dia Mundial das Comunicações Sociais

Aldo Quiroga, durante a apresentação de telejornal na TV Cultura (foto: TV Cultura/Arquivo)

“O ‘ir e ver, a que nos convoca o Papa, é a base de apuração jornalística necessária e de excelência”. A afirmação é do jornalista Aldo Quiroga, editor-chefe e apresentador do “Jornal da Tarde”, da TV Cultura, e professor do curso de Jornalismo na PUC-SP, ao comentar sobre a mensagem do Papa Francisco para o 55o Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no Domingo da Ascenção do Senhor, 16 de maio.

Neste ano, na mensagem – que tem como tema “Vem e verás” (Jo 1,46) e lema “Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são” –, Francisco enaltece o trabalho dos jornalistas que mesmo arriscando a própria vida em meio à pandemia buscam reportar a realidade das minorias perseguidas e das vítimas de injustiças e tornam públicas tais situações.

“Seria uma perda não só para a informação, mas para toda a sociedade e para a democracia se faltassem essas vozes: um empobrecimento para a nossa humanidade”, escreve o Pontífice.

“Não há a possibilidade de reportar as dificuldades enfrentadas pelas famílias que ficaram sem sustento ou que perderam pessoas queridas na pandemia se não formos até elas”, afima Aldo Quiroga, ressaltando, ainda, que a mensagem do Pontífice “é um chamado a todos os profissionais de comunicação, do Jornalismo particularmente, independentemente da fé que professem. Há o compromisso com a busca da verdade e com a atenção especial aos que estão à margem das decisões econômicas e políticas”.

OUÇA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

Arquivo pessoal

Leia a seguir alguns tópicos da entrevista, concedida à jornalista Cleide Barbosa, da rádio 9 de Julho.

A função social do jornalista e do Jornalismo

“O fazer jornalístico, tão atacado e desacreditado neste tempo, tem uma sequência de etapas a serem cumpridas para que seja realizado adequadamente. Muitas pessoas desconhecem isso e confundem a possibilidade atual de publicar qualquer coisa com a atividade profissional que é o Jornalismo. É necessário ter clareza da função social do jornalista, a quem ele presta serviço. Em última instância, é à própria sociedade, em particular aos mais vulneráveis. O Jornalismo faz parte do núcleo duro de instituições democráticas que devem exercer um esforço civilizatório em defesa do estado democrático de direito”.

Menos reportagem in loco e mais notícias da redação, por quê?

“Vejo duas causas. A primeira, que vale para as grandes questões do momento, vem do poder econômico dos controladores dos meios de comunicação, aqueles que fazem valer a decisão editorial. A segunda razão envolve as condições de trabalho: a precarização da atividade profissional, com menos trabalhadores, salários baixos, mas metas altas, o que faz com que muitas publicações se mantenham apenas republicando press releases – os textos de divulgação que as assessorias ou agências de relações públicas distribuem pelas redações –, apenas com pequenas adequações de formato e uma checagem mínima, em função do pouco tempo disponível do profissional”.

O combate às fake news

“O jornalismo é a vacina contra a desinformação, as chamadas fake news. Países como Brasil, Índia, Hungria, Estados Unidos, Reino Unido estão sob a ação de uma máquina de desinformação que tem um objetivo claro e coordenado: tomar e manter o poder. São redes de desinformação que influenciaram eleições e influenciam decisões pessoais, como, por exemplo, sobre tomar ou não a vacina contra a COVID-19 ou aderir ou não ao isolamento social. Elas estão a serviço de grupos político-econômicos que têm objetivos definidos e autoritários. A desinformação é, antes de tudo, um ataque à democracia e ao direito fundamental de todo o ser humano a uma informação de qualidade. Faz parte desta lógica o ataque aos jornalistas e à imprensa, como se tem visto cotidianamente no Brasil”.

As bases do bom jornalismo

“Entre os pilares do bom jornalismo estão o compromisso com a apuração diversa e rigorosa, que amplie a capacidade de compreensão do real; o compromisso com o bem comum e os valores democráticos, com o direto à informação de interesse público; e o compromisso com a independência em relação a grupos de poder e de interesse, seja nas esferas política, ideológica e econômica”.

Edição do texto: Daniel Gomes/O SÃO PAULO

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