‘O sacerdócio não é privilégio, mas graça recebida em favor do povo de Deus’

Afirmou o Cardeal Odilo Scherer, durante Missa do Crisma, na Catedral da Sé

Dom Odilo preside Missa do Crisma, na Catedral da Sé (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, os Padres da Arquidiocese de São Paulo se reuniram na Catedral da Sé para a renovação das promessas feitas no dia de sua ordenação.

A Missa do Crisma, que tradicionalmente acontece na Quinta-feira Santa, foi adiada para a manhã da sexta-feira, 11, devido ao agravamento da pandemia de COVID-19.

Nesta celebração Arcebispo Metropolitano, Cardeal Odilo Pedro Scherer, consagrou o óleo do Crisma e abençoou os óleos usados nos sacramentos do Batismo e da Unção dos Enfermos.

Ungidos para servir

Na homilia, Dom Odilo meditou sobre o sentido bíblico da unção, a partir do trecho do Evangelho (Lc 4, 16-21) no qual Jesus, na sinagoga de Nazaré, proclamou: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa Nova aos pobres; enviou-me para a proclamar a libertação aos cativos e aos cegos, a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

Rito de consagração do óleo do Crisma (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

“Pela ação do Espírito Santo, a Igreja continua, através dos tempos, a realizar a missão confiada por Jesus”, acrescentou o Cardeal, recordando, que pela unção do Batismo, todo cristão participa do sacerdócio comum dos fiéis.

Há aqueles, contudo, que recebem a unção nas mãos, na ordenação sacerdotal e na cabeça, na ordenação episcopal, por meio da qual recebem um ministério, um serviço em favor dos irmãos. “Participamos, assim, deste povo que serve a Deus e é conduzido pelo ungido por excelência, que é Cristo, Senhor da Igreja”, afirmou Dom Odilo, ressaltando que os padres e bispos participam do sacerdócio de Cristo, cabeça do corpo que é a Igreja.

“Hoje, renovamos mais uma vez o nosso ‘sim’ sacerdotal. Que o Espírito de Deus nos fortaleça na nossa vocação e na nossa capacidade de servir, na nossa disposição de nos doar aos irmãos”, completou o Cardeal. 

Olhar para Jesus

Enfatizando a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Arcebispo convidou os sacerdotes a olharem para Cristo, confiando-se ao seu amor misericordioso. “Também nós temos necessidade da misericórdia e do perdão todos os dias, para melhor invocarmos a misericórdia e o perdão em favor do nosso povo”, frisou.

Dom Odilo salientou que o dom do sacerdócio ministerial não os coloca em situação de privilégio diante dos demais fiéis, mas graça recebida em favor do povo de Deus.

Dirigindo-se a todos os fiéis, o Cardeal pediu suas constantes orações por todos os sacerdotes, recomendando a Deus seu ministério e ação entre as pessoas, para serem cada vez mais santos e dignos do exercício de tão grande dom.

(foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Configurar a Cristo

No fim da missa, o Padre Tarcísio Marques Mesquita, coordenador do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, saudou o Arcebispo em nome do clero, enfatizando que, ao renovarem as promessas sacerdotais, os padres renovam o desejo de configurarem a vida a Cristo e serem “dispensadores dos mistérios de Deus a serviço do povo em um tempo grave da história da humanidade”.

Antes de dar a bênção final, o Cardeal Scherer dirigiu um agradecimento especial aos padres e diáconos pelo empenho e dedicação dispensados durante a pandemia para manter o atendimento espiritual aos fiéis e garantir o socorro aos doentes e mais necessitados. “Continuem a levar o ‘óleo’ da alegria, do conforto e da consolação a todas as pessoas aflitas. Que sejamos, dessa forma, testemunha de Cristo na cidade nesse tempo com tantos desafios e dificuldades”.

Dom Odilo também exortou os padres a alimentarem cada vez mais a fraternidade presbiteral, estando atentos às necessidades uns dos doutros e não permitindo que nenhum padre caia no desânimo ou no cansaço da  missão. “Que sejamos a comunidade de discípulos em torno de Jesus Cristo, aos quais pediu que se queiram bem, que se amem e se ajudem, que vivam fraternalmente”.

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