Projeto pioneiro une saúde e engenharia para capacitar a comunidade acadêmica e preparar o mercado de trabalho para o acolhimento de pessoas autistas.

O Hospital Universitário (HU) e a Escola Politécnica (Poli) da USP se uniram com o objetivo de transformar o ambiente universitário em um ecossistema de pertencimento. Para tanto, organizaram na última quinta-feira, 16, a Aula Experiência: Neurodiversidade na Prática, que reuniu no anfiteatro do HU, especialistas e a comunidade acadêmica.
A aula surgiu como resposta a uma necessidade de suporte especializado dentro do campus, segundo o professor Antonio Marcos de Aguirra Massola, idealizador da proposta. “O autista precisa de apoio para evoluir em sua trajetória. Temos professores, alunos e funcionários que fazem parte deste público e a universidade precisa garantir que eles não apenas ingressem, mas que tenham um futuro sólido em suas profissões”, afirma o docente, que traz para o projeto a experiência acumulada desde sua gestão na diretoria da Poli de 1998 a 2002.
Tecnologia e Humanização
Um dos pilares da parceria é a aplicação prática desenvolvida nos laboratórios de Engenharia Elétrica da Poli. No local, pesquisadores trabalham na criação de tecnologias assistivas e equipamentos que facilitam a vida cotidiana de pessoas neurodivergentes. São ferramentas projetadas para treinar comportamentos em situações sociais desafiadoras, como a utilização de transportes públicos ou a participação em reuniões presenciais, unindo a precisão técnica da engenharia à sensibilidade do Serviço de Humanização do HU.
Para Massola, essa união é o que permite a criação de uma “consciência de realidade” dentro da USP. “A universidade não pode ser apenas uma observadora de barreiras; precisamos de um apoio voluntário e efetivo para que essas pessoas se sintam integradas e não isoladas dentro de suas unidades de ensino”, explica o professor.
Formação e Mercado de Trabalho
O formato de “aula-experiência” foi desenhado para sensibilizar o ecossistema de saúde e educação através da vivência. O encontro contou com as palestras de Emanuel Santana, que compartilha a trajetória pessoal como pai de dois filhos autistas, e de Eduardo Mancebo, arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da USP e especialista na orientação prática de indivíduos no espectro.
Durante o evento, foi apresentada a estrutura de um curso de 11 aulas, ministrado por especialistas de diversas regiões do País. O programa tem duas frentes estratégicas: primeiro, formar acompanhantes de pessoas neurodivergentes dentro da própria comunidade USP; e, em um segundo momento, capacitar empresas interessadas em contratar profissionais neurodivergentes para vagas técnicas, combatendo a rejeição histórica enfrentada por esses talentos em áreas como engenharia e economia.
Promovida pela Superintendência do HU e pelo Serviço de Humanização, a aula-experiência reafirma o papel da USP na construção de uma cultura inclusiva. Ao levar a expertise acadêmica para o setor corporativo e para a comunidade externa, o projeto prova que a diversidade funcional é, acima de tudo, um valor estratégico a ser cultivado para uma sociedade mais justa e acolhedora.
A Aula Experiência foi gravada, está disponível no YouTube e, na avaliação do professor Massola, foi um momento bom e esclarecedor para a comunidade USP.
Fonte: Jornal da USP
(Mariana Gaia – Estagiária sob orientação de Antonio Carlos Quinto)




