Promover as vocações é missão de toda a comunidade eclesial

Em agosto, Arquidiocese realizará lives e missas vocacionais para recordar os compromissos de cada batizado com a missão que lhe foi confiada por Deus

Foto: Luciney Martins/Arquivo O SÃO PAULO

A Igreja no Brasil se prepara para celebrar em agosto o mês das vocações, que neste ano terá como tema “Cristo nos salva e nos envia”, e lema “Quem escuta a minha Palavra possui a vida eterna” (cf. Jo 5,24). A temática é extraída da exortação apostólica Christus vivit, publicada pelo Papa Francisco em 2019, e ressalta o encontro de cada pessoa com Jesus Cristo, autor e princípio da visibilidade vocacional trinitária.

“Da vocação, desse encontro com a pessoa de Jesus como único e verdadeiro Salvador, decorre a nossa missionariedade”, disse, ao O SÃO PAULO, Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial da Coordenação Pastoral dos Ministérios Ordenados.

Dom Ângelo comenta, ainda, que o processo de discernimento vocacional permite ao jovem exercitar a verdadeira liberdade, livre de dominações culturais e ideológicas: “Sobretudo aos jovens, busca-se mostrar que seguir Jesus não é uma perda de tempo. Verdadeiramente, trata-se de um encontro com Aquele que nos fez livres, nos libertou do pecado, da morte e do mal, e que a Igreja, seu sinal e sacramento no mundo, pode levá-los a viver plenamente, a encontrarem um caminho”.

Ações na Arquidiocese

Durante o mês vocacional, a Arquidiocese de São Paulo realizará, às terças-feiras, lives sobre as vocações (leia detalhes abaixo), missas vocacionais nos setores pastorais das regiões episcopais e encontro com coroinhas, acólitos e cerimoniários em nível setorial.

De acordo com o Padre José Carlos dos Anjos, Promotor Vocacional da Arquidiocese, antes de cada missa, em agosto, as comunidades são chamadas a rezar um mistério do Terço e colocar em prática as atividades propostas pelo subsídio “Hora Vocacional”, produzido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com indicativos de orações, leitura orante e vigílias vocacionais.

Em carta enviada aos clérigos e consagrados da Arquidiocese, o Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano, exorta cada comunidade a assumir o compromisso de rezar e incentivar a Pastoral das Vocações.

Padre José Carlos comenta que já têm ocorrido celebrações nos setores para que haja maior conhecimento sobre essa Pastoral e sua estruturação nas paróquias. Um trabalho de referência é realizado na Catedral da Sé, com o chamado “Plantão Vocacional”, para atendimento aos jovens.

“Contamos, sobretudo, com o trabalho de animação vocacional por parte dos próprios padres, em cada uma das paróquias. Eles são os animadores vocacionais por excelência”, afirma Padre José Carlos, destacando que, quando o Sacerdote percebe que alguém têm vocação para o ministério ordenado ou a vida religiosa consagrada, pode encaminhar essa pessoa para o Centro Vocacional Arquidiocesano (CVA), onde será acolhida e terá o devido direcionamento. A pastoral também atende pelo telefone (11) 3104-1795.

Cultura vocacional

Padre José Carlos dos Anjos (centro), em missa vocacional na Região Brasilândia (crédito: Juh Torres/Pascom Brasilândia)

O Sacerdote recomenda que, nas paróquias onde a Pastoral Vocacional não está implantada, o primeiro passo é despertar uma “cultura vocacional”, por meio de momentos como adoração ao Santíssimo, missas vocacionais, Terços e encontros com adolescentes e jovens.

Também na avaliação de Dom Ângelo, ter essa cultura vocacional nas comunidades é fundamental: “Ela se baseia na oração pelas vocações. O próprio Jesus, vendo a multidão cansada, abatida, como rebanho sem pastor, disse ‘Rogai ao Senhor da messe para que envie operários à sua messe’. A dimensão orante é a base. A vocação não nasce do acaso. Ela é dom e graça de Deus, mas é despertada, cultivada e desenvolvida na vida da comunidade”.

O Bispo recorda que todo batizado é um vocacionado e, assim, tem a responsabilidade de fomentar as vocações: “A um jovem, e mesmo a um adulto, é preciso perguntar se nunca pensou em se consagrar a Deus. Ao ver jovens e adultos que manifestam os sinais vocacionais, nas missas, nas celebrações, na catequese do Crisma, nos grupos de jovens, enfim, em todas as atividades eclesiais, não custa perguntar: ‘E você, nunca pensou em se consagrar a Deus?’”, aponta, destacando que o próprio Jesus também chamou aqueles que se tornaram seus apóstolos.

“Queremos aprofundar essa cultura, sobretudo neste mês vocacional, para sensibilizar sobre essa necessidade e sobre a expressão plena da vida na fé. Onde há multiplicidade de vocações e ministérios, a evangelização se realiza”, diz o Bispo.

Testemunho de sacerdotes e religiosos

Dom Ângelo ressalta, também, que o testemunho dos ministros ordenados e dos religiosos consagrados “se torna um exemplo e uma motivação para o seguimento dos futuros vocacionados”. Assim, “conta muito o testemunho, a alegria, as palavras cheias de ardor, a ação missionária, o testemunho daqueles que estão aí no dia a dia, do padre que celebra com amor a Liturgia, do que está no meio dos pobres, do consagrado que está na vida contemplativa ou ativa. No processo de discernimento, se expressa e se revela aquela imagem profunda e tão real de Jesus Cristo que veio para o meio dos seus para salvar e para que ninguém se perdesse”.

Um projeto de vida de amor a Deus

Nascido em Forquilhinha, no interior de Santa Catarina, Dom Ângelo conta que desde criança desejou ser padre. Ele ingressou no seminário da Congregação dos Rogacionistas do Coração de Jesus (RCJ) aos 11 anos de idade, foi ordenado sacerdote em 1984 e entre as diversas atribuições que desempenhou na congregação esteve a de formador dos futuros padres.

O Bispo recorda que em sua família a reza do Terço sempre foi uma prática diária, bem como a vida ativa na comunidade paroquial. “Foi nesse ambiente que fui alimentando a minha fé, a minha esperança”, assegura. “Famílias, pais, não tenham medo de incentivar a vocação dos filhos para que se consagrem a Deus, sejam um ministro ordenado, um consagrado ou consagrada”, pede.

Dom Ângelo lembra que, diante de tantas ofertas e possibilidades, é compreensível que os jovens tenham dúvidas sobre o caminho vocacional. “Existem, porém, as certezas: sinais, dons, capacidades, o amor ao próximo e à Igreja, o desejo de servi-la”, ressalta.

Nesse itinerário – comenta o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo –, é fundamental que o vocacionado esteja atento ao que dizem seus diretores espirituais e formadores, que se empenhe nos estudos e se abra à graça de Deus, deixando-se “conduzir espiritualmente, fundamentar-se na oração, percebendo que não é um desejo passageiro, mas um projeto de vida de amor a Deus”, ressalta. “Jamais devemos nos esquecer que o caminho vocacional é um caminho espiritual. Do contrário, vai se parecer uma profissão, mas é uma vocação, chamado, dom, graça e, também, resposta. Deus acolhe a resposta na nossa fragilidade, talentos, dons e capacidades”, conclui.

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