Enfatizou o Cardeal Scherer em missa no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, na qual pediu aos pais e avós que mantenham o empenho em transmitir a fé católica às crianças; e fez votos de que o Dia da Padroeira do Brasil ocorra em paz

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida, viva a virgem Imaculada, ó Senhora Aparecida”. O cântico de louvor à Padroeira do Brasil que se repetiu em muitas paróquias do País nesta segunda-feira, 12, também foi entoado pela assembleia de fiéis que lotou o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida para participar da missa das 10h, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer.
Esta foi uma das dez missas do dia – a primeira celebrada às 5h30 e a última prevista para as 20h – na 84ª Festa de Nossa Senhora Aparecida na tradicional paróquia do Ipiranga, elevada à dignidade de Santuário em 2017.
Nossa Senhora Aparecida é Padroeira do Brasil desde 16 de julho de 1930, após decreto assinado pelo Papa Pio XI, acolhendo a um pedido do episcopado brasileiro.
No começo da missa, após ser saudado pelo Padre Zacarias de Carvalho Paiva, Pároco e Reitor, Dom Odilo destacou que nas muitas igrejas dedicadas a Nossa Senhora Aparecida, “hoje o povo acorre para homenageá-la e para agradecer e colocar em suas mãos e em seu coração os seus pedidos, súplicas e necessidades. Queremos hoje, sobretudo, colocar a intenção de todo o povo brasileiro, devoto, povo de fé, consagrado a Mãe de Deus”.
Dom Odilo lembrou, ainda, que naquela missa também rezava especialmente pela saúde do Papa Leão XIV, que nesta semana passará por um procedimento cirúrgico para a retirada de um nódulo do pulmão. “Nós vamos acompanhá-lo com a nossa oração, para que ele supere isto e continue sua missão”.
SEMEAR A BOA NOVA ÀS CRIANÇAS
Ao iniciar a homilia, o Arcebispo externou sua alegria em ver a participação das crianças na missa: “É bom que as crianças desde pequenas aprendam que há o Papai do Céu e a Mamãe do Céu também. Que aprendam, na família, a fé traduzida em ações, em orações, em confiança. Isso é fundamental, porque o que é transmitido na infância fica no coração da pessoa e a acompanha a vida toda”.
O Arcebispo destacou que mesmo que a fé transmitida na infância possa parecer ter se perdido ao longo da vida por circunstâncias diversas, fica marcada no coração e despertará, especialmente nas dificuldades: “Por isso, caríssimos pais, familiares, não deixem de semear a boa semente no coração das crianças. O que nós semeamos tem a possibilidade de brotar e se desenvolver”.
ESCOLHIDA POR DEUS
Dom Odilo recordou que o título de Nossa Senhora como Mãe de Jesus e Nossa Mãe não foi uma decisão da Igreja, mas de Deus: “Foi Deus que escolheu Maria, que a preparou e a tornou cheia de graça. Nossa Senhora Aparecida é a Imaculada Conceição. Imaculada, pois Deus a preservou do pecado original para prepará-la, desde o primeiro instante, para ser a Mãe do Filho de Deus que por ela viria ao mundo”.
O Cardeal recordou o canto Magnificat, em que Maria proclama que o Todo Poderoso nela fez maravilhas em favor da humanidade, olhando para a humildade de sua serva: “Reconhecer isto é reconhecer a obra de Deus. Isto está na Bíblia. Não foi inventado pela Igreja Católica, está nas raízes da nossa fé”.

MARIA NÃO SUBSTITUI A JESUS
O Arcebispo Metropolitano também sublinhou que a invocação a Nossa Senhora não significa que ela substitui a Jesus: “Quando dizemos ‘Nossa Senhora’, nós atribuímos a ela respeito, veneração e o reconhecimento da obra de Deus. A reconhecemos como Mãe Intercessora”.
Explicou, ainda, que foi o próprio Jesus que entregou Maria com a Mãe de todo os seus discípulos antes de ser crucificado. “Cristo dizendo ‘filho, eis a tua mãe’, está querendo dizer ‘filho, olhe para a tua mãe, a escute, respeite. Tenha carinho por tua mãe’”.
Nesse sentido, detalhou que quando os católicos proclamam “Maria é Nossa Mãe” estão sendo fiéis ao Evangelho e de modo algum o fazem com a intenção de que Nossa Senhora substitua a centralidade de Jesus na vida cristã. “Não é idolatria. Não estamos inventando coisa que não esteja na Bíblia”, enfatizou.
“Honra a Maria não é colocá-la no lugar de Jesus. Maria não faz sombra a Jesus. Ela sabe bem o seu lugar. Ela continua a ser a humilde serva do Senhor, fazendo aquilo que está a seu alcance, em favor da família de Jesus, que é a Igreja, que é a humanidade toda”, prosseguiu.

MESTRA DO EVANGELHO E INTERCESSORA
O Arcebispo comentou, ainda, que Maria é modelo para todo o cristão como aquela que sempre foi fiel aos desígnios de Deus e perseverou na fé, mesmo diante de todas as dificuldades: “Ela nunca deixou de confiar em Deus. Pôs tudo na mão de Deus e seguiu em frente, sem medo”.
Recordando o Evangelho proclamado nesta celebração (cf. Jo 2, 1-11) – a passagem das Bodas de Caná, em que Jesus transforma água e vinho, após o pedido de sua Mãe – Dom Odilo destacou que Nossa Senhora também é a mestra do Evangelho, aquela que sempre diz aos cristãos “Façam tudo o que ele vos disser” e, ao mesmo, tempo intercessora, pois leva ao Pai os pedidos dos fiéis.
Dom Odilo recordou, ainda, que ao longo da história as aparições de Nossa Senhora ocorreram em momentos de grande sofrimento e angústia e que ela sempre recomenda que se intensifique a oração, a penitência e o seguimento a Cristo e a seu Evangelho.
“Maria sempre nos recorda o que Jesus ensinou. Por isso, ela é mãe, intercessora e mestra do Evangelho para nós. São João Paulo II, na Carta Apostólica sobre o Rosário de Nossa Senhora, quando instituiu os mistérios da luz, ele diz que a devoção do Santo Rosário é de Jesus Cristo, pois durante a oração do Rosário, nós estamos na escola do Evangelho e Maria é a mestra que nos leva, sempre de novo, a voltar ao Evangelho, a recordar o que Jesus fez, ensinou e significou para todos nós”.
Na conclusão da homilia, o Arcebispo explicou que a devoção a Nossa Senhora Aparecida é uma tradição da Igreja, tendo os próprios apóstolos acolhido a Virgem Maria como mãe e com ela rezado. “Quem tem uma firme devoção a Nossa Senhora não vai se desviar da fé em Jesus”, enfatizou.

‘NÃO PODE HAVER BRIGA ENTRE OS IRMÃOS’
Após a comunhão, Dom Odilo convidou os fiéis a, com Maria, bendizer a Deus por Sua ternura e compaixão pela humanidade, especialmente pelos que mais sofrem, e que contam com especial intercessão da Virgem Maria.
“Peçamos a Deus, pela intercessão da Virgem Maria, que possamos todos permanecer firmes e fiéis na nossa fé, não desanimando com os sofrimentos, com as dificuldades, com as contradições e até com as perseguições. Que isto não nos faça esmorecer em nossa fé em Cristo, em nossa fé em Deus e na Igreja”, disse, pedindo ainda a intercessão mariana pelas famílias e de modo especial pelas mulheres em suas angústias, sofrimentos e atribuições em casa e na sociedade: “Que as mulheres, protegidas por Maria, nunca sejam vítimas de violência, de exploração, de desprezo, de escravidão. Que Nossa Senhora olhe e proteja todas as mulheres”.
Por fim, antes da bênção final e da oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida, Dom Odilo fez votos de que o Dia da Padroeira do Brasil seja vivido em paz em todo o País: “Na família que tem uma mãe tão bonita, tão importante como Nossa Senhora, não pode haver briga entre os irmãos. Na família de Jesus, todos são filhos de Maria, pois Ele a nos deu como mãe. Somos irmãos em Cristo e ele nos pede que nos queiramos bem, nos amemos fraternalmente e saibamos nos respeitar, dialogar, sem violência, e, juntos, nos esforcemos para realizarmos projetos bons também na sociedade para construir um Brasil que seja bom para todos, especialmente para os que mais precisam, que mais têm necessidade das atenções das autoridades”.
A missa presidida por Dom Odilo foi transmitida pelas mídias sociais da Arquidiocese e pela rádio 9 de Julho, que durante todo este 12 de outubro realiza uma blitz de interação com os ouvintes no Santuário Arquidiocesano, localizado na Rua Labatut, 781, no Ipiranga.



