
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO
Em caravanas paroquiais ou em família e grupos de amigos, milhares de fiéis participaram na manhã do domingo, 3, de uma tradição centenária: a Romaria da Arquidiocese de São Paulo a Aparecida, realizada anualmente no primeiro domingo de maio.
Na 125ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida, leigos, religiosos consagrados e clérigos renderam graças a Deus pelos 280 anos de criação da Diocese de São Paulo e pelas vidas dos santos e beatos que testemunharam a fé em São Paulo, assim como o fazem mui-tos católicos atualmente nas seis regiões episcopais e vicariatos ambientais, recordados nas bandeiras conduzidas no interior da basílica antes do início da missa.
De acordo com o Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, foram a Aparecida mais de 200 ônibus com romeiros de paróquias das seis regiões episcopais, que somados aos peregrinos que lá chegaram em veículos particulares, perfizeram os mais de 10 mil fiéis e clérigos que participaram da romaria deste ano, cujo ponto alto foi a missa das 10h, na basílica do Santuário Nacional, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer e concelebrada pelos bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo.

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‘FAZEI TUDO O QUE JESUS VOS MANDAR’
Na homilia, o Arcebispo de São Paulo comentou que a 1ª leitura da missa (cf. At 6,1-7) recordava os três pilares da missão da Igreja desde seu início: o anúncio da Palavra, a oração – “celebração dos mistérios de Deus para a nossa santificação” – e o testemunho da caridade. Também explicou que na 2ª leitura (cf. 1 Pd 2,4-9), São Pedro aponta que Jesus é a rocha firme sobre a qual se edifica a vida cristã; e que no Evangelho (cf. Jo 14,1-12), o próprio Cristo se apresenta como “caminho, verdade e vida” a todo aquele que busca a grande meta da vida.
“Viemos como peregrinos, por muitos caminhos, para alcançar esta meta: a casa da Mãe, Nossa Senhora Aparecida, mas a nossa peregrinação não termina por aqui: a meta maior da nossa vida é chegar à casa do Pai”, enfatizou Dom Odilo, explicando, porém, que para tal, cada pessoa deve fazer sua parte, perseve-rando no caminho, tendo a certeza de que Maria, “Mãe do Salvador e nossa Mãe, nos conforta e anima em nossa peregrinação, dizendo sempre de novo: ‘Fazei tudo o que Jesus vos mandar’”.

LAÇOS HISTÓRICOS
Dom Odilo afirmou que a romaria deste ano foi ainda mais especial, “pois damos a graças a Deus, junto a Maria, a Mãe da Igreja, pelos 280 anos da vida e missão da Diocese de São Paulo”.
Ele fez uma detalhada explicação sobre os laços históricos da Arquidiocese de São Paulo com Aparecida: ao ser criada em 6 de dezembro de 1745, a Diocese de São Paulo abrangia todo o estado de São Paulo, e, assim, incluía o território de Aparecida, onde ocorreu o achado da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba do Sul em 1717. Em 1908, quando a Diocese foi elevada a Arquidiocese, Aparecida continuou sob seus cuidados, assim permanecendo até 1958, quando foi criada a Arquidiocese de Aparecida, que teve como primeiro Arcebispo o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, até então Arcebispo de São Paulo, o qual encomendou o projeto da nova basílica ao multiartista Benedicto Calixto e “se dedicou com grande entusiasmo à edificação do Santuário, apoiado pelos Padres Redentoristas, que já atuavam como missionários em Aparecida”, disse Dom Odilo.

MUITOS MOTIVOS PARA AGRADECER A MARIA
“Na comemoração dos 280 anos de criação da Diocese de São Paulo, temos motivos muitos para agradecer. Louvamos a Deus por todo o trabalho evangelizador realizado desde os primeiros evangelizadores jesuítas, e por todos os que se seguiram depois deles. Agradecemos a perseverança na fé e no amor a Deus e à Igreja, apesar de tantas dificuldades enfrentadas”, comentou o Cardeal Scherer.
O Arcebispo também apontou a romaria como ocasião para louvar a Deus “por todos os santos e beatificados que viveram e trabalharam em São Paulo” – São José de Anchieta, Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, Santa Paulina, Beato Padre Mariano de la Mata e Beata Assunta Marchetti – e para pedir a intercessão de Nossa Senhora para que todo o clero, religiosos, lideranças do laicato e famílias “permaneçam firmes e alegres em sua fé”, bem como para rezar a Nossa Senhora pelos que sofrem: “A ela queremos consagrar novamente as nossas vidas, suplicando que nos ajude a fazermos sempre o que Jesus mandou, para sermos dignos das promessas de Cristo”.

Antes do término da missa, Dom Odilo rezou a consagração a Nossa Senhora Aparecida. Em entrevista ao O SÃO PAULO, ele afirmou ser “muito especial lembrar 280 anos da história da nossa Arquidiocese aqui em Aparecida. Somos discípulos de Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida, mas nossa Mãe vai conosco, falando-nos sempre ‘fazei tudo o que Ele vos disser’”.
Dom Carlos Silva, OFMCap., Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, comentou que a ida em romaria a Aparecida “é como ir a uma fonte buscar água fresca, que nos renova, que nos refaz. O povo de Deus vem e sai renovado, sai com sua sede de Deus saciada. Estar na casa da Mãe é sempre um privilégio e, ao mesmo tempo, um compromisso, porque ela nos manda olhar sempre para o seu Filho, sempre nos remete a Jesus”.

Também para Miriam Teodoro, da Paróquia São Marcos Evangelista, Região Santana, “é um privilégio muito grande participar, todos os anos, deste momento na casa da Mãe Aparecida. Viemos em oração e unidos”, disse à reportagem.
Vinda da mesma região episcopal, Marlene das Neves Martinelli, da Paróquia São Sebastião, comentou: “Na Romaria a Aparecida, a gente se encontra com todos os irmãos da Arquidiocese, conversa, se diverte, mas, principalmente, ora muito. Na casa da Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, a gente recebe muitas graças logo que chega, e é uma grande emoção passar no corredor da imagem de Nossa Senhora”.




