Missa na basílica do Santuário Nacional foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, que destacou os vínculos históricos de Aparecida com a Arquidiocese de São Paulo

Mantendo uma tradição centenária e com renovada fé, a Arquidiocese de São Paulo foi em romaria ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no domingo, 3.
Na 125ª Romaria Arquidiocesana a Aparecida, os fiéis de várias paróquias da Arquidiocese, junto ao clero arquidiocesano, renderam graças a Deus pelos 280 anos de criação da Diocese de São Paulo e pelas vidas dos santos e beatos que testemunharam a fé em São Paulo, como o fazem muitos católicos atualmente nas seis regiões episcopais e vicariatos ambientais, recordados nas bandeiras conduzidas no interior da basílica antes do início da missa.
Pontualmente às 10h deste 5º Domingo da Páscoa teve início a missa da romaria arquidiocesana, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, tendo como concelebrantes os bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo.

COM CRISTO, NO CAMINHO DA GRANDE META DA VIDA
No começo da homilia, após saudar todos os concelebrantes e peregrinos que participavam da missa, Dom Odilo explicou que a 1ª leitura proclamada (cf. At 6,1-7) apresenta os três pilares da missão da Igreja desde o início com os apóstolos e ainda atuais: o anúncio da Palavra, a oração – “celebração dos mistérios de Deus para a nossa santificação” – e o testemunho caridade.
Dom Odilo também comentou sobre a 2ª leitura (cf. 1 Pd 2,4-9) na qual São Pedro destaca que Jesus, Salvador, é a rocha firme sobre a qual se edifica a vida cristã; e que no Evangelho segundo João (cf. Jo 14,1-12), o próprio Cristo se apresenta como o caminho, a verdade e a vida, sendo por Ele que todo o cristão alcança a grande meta da vida.
“Viemos como peregrinos, por muitos caminhos, para alcançar esta meta: a casa da Mãe, Nossa Senhora Aparecida, mas a nossa peregrinação não termina por aqui: a meta maior da nossa vida é chegar à Casa do Pai”, enfatizou Dom Odilo.
O Cardeal comentou ainda que no peregrinar pela vida, Cristo a todos orienta para que não se percam da grande meta de chegar à Casa do Pai, mas que para tal cada pessoa deve também fazer a sua parte: “É preciso seguir Jesus, perseverar no caminho com Ele, não desanimar nem nos desviar”, tendo a certeza de que Maria, “Mãe do Salvador e nossa Mãe, nos conforta e anima em nossa peregrinação, dizendo sempre de novo: ‘fazei tudo o que Jesus vos mandar’”.

LAÇOS HISTÓRICOS
“Aqui viemos, mais uma vez, para manifestar nosso devotamento à nossa Padroeira, para agradecer as muitas graças alcançadas e pedir ajuda materna”, afirmou Dom Odilo, destacando que a romaria deste ano é ainda mais especial, “pois damos a graças a Deus, junto a Maria, a Mãe da Igreja, pelos 280 anos da vida e missão da Diocese de São Paulo”.
O Arcebispo recordou os laços históricos da Arquidiocese de São Paulo com Aparecida: ao ser criada em 6 de dezembro de 1745, a Diocese de São Paulo tornou-se a primeira no estado de São Paulo, o que incluía o território de Aparecida, onde ocorreu o achado da imagem de Nossa Senhora no rio Paraíba do Sul em 1717.
Em 1908, quando a Diocese de São Paulo foi elevada a Arquidiocese e outras cinco dioceses foram criadas no estado, Aparecida continuou sob seus cuidados assim permanecendo até 1958, quando o Papa Pio XII criou a Arquidiocese de Aparecida, sendo seu primeiro Arcebispo o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, até então Arcebispo de São Paulo.

“Nos 280 anos de vida da nossa Arquidiocese inscreve-se também a história de Nossa Senhora Aparecida, a devoção que se desenvolveu e a construção do primeiro santuário, a basílica histórica, e da segunda e grandiosa basílica, que é hoje a Casa da Mãe de todos os brasileiros”, ressaltou Dom Odilo.
O Arcebispo recordou, ainda, que foi o Cardeal Motta quem encomendou o projeto da nova basílica ao multiartista Benedicto Calixto e “se dedicou com grande entusiasmo à edificação do Santuário, apoiado pelos Padres Redentoristas, que já atuavam como missionários em Aparecida”. Lembrou também que o Cardeal Motta “teve a felicidade de ver a edificação concluída” e esteve na solene dedicação da nova Basílica pelo Papa São João Paulo II, em 1982, “colhendo com alegria e emoção o fruto de tão grande obra”.

MUITOS MOTIVOS PARA AGRADECER A MARIA
Dom Odilo destacou que as romarias anuais da Arquidiocese de São Paulo a Aparecida, sempre no primeiro domingo de maio, contam com grande participação de representações de todas as paróquias e comunidades, as quais junto a “numerosos sacerdotes, diáconos e religiosas, o Arcebispo e os bispos auxiliares, dirigem-se à casa da Virgem Mãe Aparecida para homenageá-la e agradecer a ela, que é companheira e intercessora dos caminhantes e peregrinos nas muitas estradas da vida”.
“Na comemoração dos 280 anos de criação da Diocese de São Paulo, temos motivos muitos para agradecer. Louvamos a Deus por todo o trabalho evangelizador realizado desde os primeiros evangelizadores jesuítas, e por todos os que se seguiram depois deles. Agradecemos a perseverança na fé e no amor a Deus e à Igreja, apesar de tantas dificuldades enfrentadas”, prosseguiu.
O Arcebispo também destacou a romaria como ocasião para louvar a Deus “por todos os santos e beatificados que viveram e trabalharam em São Paulo, desde São José de Anchieta, e outros como Santo Antonio de Santana Galvão, Santa Paulina e os Beatos Padre Mariano de la Mata e Assunta Marchetti. E queremos pedir a Nossa Senhora Aparecida por todos os padres, diáconos, religiosos e religiosas e as muitas lideranças pastorais e organizações do laicato católico de nossa Arquidiocese; queremos pedir pelas famílias, pedir para que todos permaneçam firmes e alegres em sua fé”.
Por fim, Dom Odilo também fez menção aos que sofrem e confiou-lhes à intercessão da Virgem Maria: “Não nos esqueçamos de todos aqueles que sofrem de muitos modos, como sofreu aquele escravo que foi libertado em 1717 por Nossa Senhora Aparecida e tantos outros que alcançaram graças por sua materna intercessão. A ela queremos consagrar novamente as nossas vidas, suplicando que nos ajude a fazermos sempre o que Jesus mandou, para sermos dignos das promessas de Cristo”.
Antes do término da missa, o Arcebispo Metropolitano rezou a consagração a Nossa Senhora Aparecida.

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(Colaboraram: Fernando Arthur e Karen Eufrosino)




