No dia 3 de maio, como acontece todos os anos no primeiro domingo de maio, a arquidiocese de São Paulo realiza a sua 125ª Romaria ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Essa tradição bonita, neste ano, tem um sentido especial, pois queremos dar graças a Deus, junto com Maria, a Mãe da Igreja, pelos 280 anos de vida e missão da diocese de São Paulo e pedir à Padroeira do Brasil o carinho e a intercessão pelo presente e o futuro de nossa Igreja particular.
A diocese de São Paulo foi criada em 6 de dezembro de 1745 pelo Papa Bento XIV, como sufragânea da arquidiocese do Rio de Janeiro. Por muito tempo, ela foi a única diocese no estado de São Paulo, até que, em 1908, o Papa São Pio X criou outras cinco no estado: Taubaté, Campinas, Botucatu, São Carlos e Ribeirão Preto. São Paulo foi, então, elevada a arquidiocese e sede metropolitana, formando com as outras cinco novas dioceses no estado, a província eclesiástica de São Paulo. Depois de 1908, até o presente, foram criadas numerosas dioceses no estado, sendo atualmente 43, com mais uma eparquia de rito maronita e um exarcado de rito armênio.
Nos duzentos e oitenta anos de vida de nossa Arquidiocese inscreve-se também a história de Nossa Senhora Aparecida,a devoção que se desenvolveu e a construção do primeiro santuário (“basílica velha”) e da segunda grandiosa basílica, que é hoje a “casa da Mãe de todos os brasileiros”. De fato, em 1717, quando aconteceu o evento de Aparecida, com a pesca da imagem nas águas do rio Paraíba do Sul, toda a região de Aparecida, como também o estado inteiro, ainda eram dependentes da arquidiocese do Rio de Janeiro. Mas já em 1745, ao ser criada a diocese de São Paulo, o cuidado pela devoção à Virgem de Aparecida passou à responsabilidade da diocese de São Paulo.
Com a criação da diocese de Taubaté, em 1908, a cidade de Aparecida, com o Santuário Mariano, continuou pertencendo à arquidiocese de São Paulo, apesar de estarem circundados pelo território diocesano de Taubaté. Os bispos e arcebispos de São Paulo tiveram grande amor e zelo pela devoção a Nossa Senhora Aparecida. O Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, primeiro Cardeal de São Paulo (1944 a 1964), foi quem encomendou o projeto da nova e grande basílica ao multiartista Benedicto Calixto e se dedicou com grande entusiasmo à edificação do Santuário, apoiado pelos Padres Redentoristas, que já atuavam como missionários em Aparecida. Os mais antigos lembram, certamente, do Padre Vitor Coelho de Almeida e de suas pregações e apelos nos programas da Rádio Aparecida. Padre Vitor está em processo de beatificação.
Em 1958, foi criada a diocese de Aparecida, logo em seguida, elevada a arquidiocese. Até 1964, porém, não foi nomeado um bispo para a nova diocese e o cardeal Motta permaneceu encarregado como Administrador Apostólico da nova diocese, continuando com todo afinco a edificação do novo Santuário. Em 1964, ele próprio foi, finalmente, nomeado arcebispo de Aparecida, sendo transferido de São Paulo para Aparecida. Ele teve a felicidade de ver a edificação concluída, faltando apenas os ornamentos internos e externos, que ainda hoje não estão concluídos. Na solene dedicação da nova Basílica pelo Papa São João Paulo II, em 1982, o cardeal Motta esteve presente, colhendo com alegria e emoção o fruto de tão grande obra, que contou com o apoio generoso de milhões de devotos.
As romarias anuais da arquidiocese de São Paulo a Aparecida, sempre com expressiva participação de povo, são a expressão dessa ligação antiga da diocese e arquidiocese de São Paulo com Nossa Senhora Aparecida. A cada ano, no primeiro domingo de maio, representações de todas as paróquias e comunidades, junto com numerosos sacerdotes, diáconos e religiosas, o Arcebispo e os Bispos Auxiliares, dirigem-se à casa da Virgem Mãe Aparecida para homenageá-la e agradecer a ela, que é companheira e intercessora dos caminhantes e peregrinos nas muitas estradas da vida.
Neste ano, quando a arquidiocese de São Paulo comemora os 280 anos de sua criação, temos motivos especiais para agradecer sua proteção materna. Queremos louvar a Deus por todo o trabalho evangelizador realizado neste Planalto de Piratininga, desde os primeiros evangelizadores jesuítas, e por todos os que se seguiram depois deles. Agradecer a perseverança na fé e no amor a Deus e à Igreja, apesar de tantas dificuldades enfrentadas. Queremos louvar a Deus por São José de Anchieta e pelos Santos e Santas que viveram nesta diocese, como Santo Antonio de Santana Galvão, Santa Paulina e os Beatos Padre Mariano de la Mata e Assunta Marchetti.
E queremos pedir a Nossa Senhora Aparecida por todos os que ainda continuam sofrendo de muitos modos, como o escravo que ela socorreu em 1717 e tantos outros que alcançaram graças por sua intercessão. E queremos consagrar novamente nossas vidas a ela, pedindo que nos ajude a fazermos sempre o que Jesus mandar e a sermos dignos das promessas de Cristo. Nossa Senhora Aparecida, dá-nos a bênção, ó Mãe querida!





