
Fortalecer a recepção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil nas dioceses e arquidioceses paulistas foi o principal encaminhamento da 88ª Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1 da Conferên-cia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada dos dias 9 a 11, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP).
Reunidos em torno do tema “Recepção criativa das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, nas Igrejas locais”, os participantes refletiram sobre os desafios pastorais do estado de São Paulo e os caminhos para uma evangelização cada vez mais missionária e sinodal.

Na abertura da assembleia, Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto e Presidente do Regional Sul 1, ressaltou o sentido eclesial do encontro, ao afirmar que os participantes estavam reunidos “como corpo episcopal do Regional Sul 1, mas também como corpo eclesial”. A partir dessa perspectiva de comunhão, os bispos iniciaram o diálogo sobre a acolhida das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032), aprovadas pela CNBB durante sua 62ª Assembleia Geral.
Uma das atividades centrais foi a mesa-redonda dedicada à recepção das Diretrizes nas Igrejas locais. Durante o diálogo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, destacou a diversidade das realidades eclesiais presentes no estado. “Nós temos muito chão para andar, cada um conforme a sua realidade diocesana”, observou, ressaltando a necessidade de adaptar as orientações pastorais às circunstâncias concretas de cada Igreja particular.

MISSIONARIEDADE
A reflexão foi aprofundada pelo Padre Jean Poul Hansen, Secretário-executivo de Campanhas da CNBB e integrante da equipe que participou da elaboração das novas Diretrizes. Ele enfatizou que “evangelização e missionariedade são sinônimos”, e recordou que a missão constitui a identidade da própria Igreja. O Sacerdote também esplicou que as DGAE são fruto de um amplo processo de escuta e discernimento e que, por isso, “devem ser aplicadas em um processo também sinodal”.
Outro momento importante da assembleia foi a análise da realidade social, econômica e religiosa do estado de São Paulo, apresentada pelo Padre Luís Fernando da Silva, Secretário-executivo do Regional Sul 1. A reflexão procurou oferecer elementos para que a recepção das Diretrizes considere os desafios concretos da evangelização no contexto paulista. Nesse sentido, o Sacerdote recordou que “discernir os sinais dos tempos é uma tarefa essencial” para a ação pastoral da Igreja.

A programação também contemplou uma sessão dedicada à proteção de crianças e adolescentes e à promoção de ambientes seguros nas instituições eclesiais. A assessoria foi conduzida pela advogada Amanda Caetano, da CNBB, que apresentou aspectos da Lei nº 14.811 e orientações para a prevenção de abusos. Ao tratar a respeito da responsabilidade compartilhada nessa missão, ela enfatizou: “Todos nós somos atores da proteção das crianças e dos adolescentes”.
Ao final do encontro, os participantes renovaram o compromisso de fortalecer a comunhão entre as Igrejas particulares e de promover uma recepção criativa e missionária das novas Diretrizes. Como sintetizou Dom Eugênio Barbosa Martins, Bispo de São João da Boa Vista, a renovação pastoral proposta pela Igreja exige um caminho vivido e assumido por todos, pois “a conversão não pode ser por decreto, mas por experiência”.
(Colaborou: Pascom do Regional Sul 1 da CNBB)




