Solidariedade para todos

O SÃO PAULO apresenta iniciativas e gestos concretos de generosidade e doação que fazem a diferença na vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social

Chef Ricardo e voluntários do Projeto Pão do Povo de Rua Credito (Foto: Divulgação/IPCB)

Desde que o coronavírus chegou ao Brasil, no início deste ano, trouxe uma série de restrições; porém, por outro lado, tornou ainda mais visíveis os gestos de solidariedade e ajuda ao próximo, por meio de projetos e ações que fazem a diferença na vida de quem realmente precisa. Em virtude da pandemia, tem aumentado o número de pessoas que precisam de alguma forma de ajuda para sobreviver e viver com dignidade.

SACIAR A FOME

A pandemia e o isolamento social não impediram Ricardo Frugoli, 51, chef de cozinha, de estender as mãos e saciar a fome de quem vive em situação de rua. Diante das medidas restritivas, Ricardo precisou fechar seu restaurante. Ficar parado não era prioridade: “Tinha um estoque de alimentos no restaurante e, com ele fechado, ia perder tudo; então, comecei a fazer e distribuir marmitas nas ruas de São Paulo”, explicou.

Em meio à crise, Frugoli criou, com a ajuda de voluntários, o Projeto Marmita Solidária, doInstituto de Pesquisa da Cozinha e da Cultura Brasileira (IPCB), por meio do qual, diariamente, distribui marmitas nas ruas do centro de São Paulo. “A fome dói, é triste ver um irmão abandonado, com fome e sede. Graças à generosidade das pessoas que doaram mantimentos, conseguimos, neste ano, distribuir mais de 16 mil marmitas”, disse, emocionado.

Com o passar dos meses e impressionado com a realidade de fome que via estampada no rosto das pessoas em situação de rua, criou, também, o Projeto Pão do Povo de Rua  que, atualmente, produz e distribui mais de mil pães e bolos.

Empatia com o próximo, amor, dedicação e perseverança são os ingredientes que movem o chef Ricardo e os voluntários a sair de sua zona de conforto e ir às ruas para levar saciedade e, também, esperança de dias melhores. “O cansaço vem, mas é insignificante diante do sorriso e da gratidão das pessoas diante de um prato de comida. É muito gratificante”, afirmou Frugoli.

De acordo com dados da Prefeitura de São Paulo, mais de 24 mil pessoas estão em situação de rua na cidade e esse número pode aumentar com o avanço da pandemia e os impactos econômicos causados por ela.

Dona Nadir (Foto: Arquivo Pessoal)

AJUDAR A QUEM PRECISA

Em um ano atípico e diante de tantos desafios, Nadir Balbina da Rocha,74, ou Dona Nadir, como é conhecida, apesar da idade avançada e de ser considerada do grupo de risco para o novo coronavírus, não parou.

À frente do Centro de Apoio Comunitário de Perus (CACP), que fundou há quase 30 anos, no bairro de Perus, zona Oeste de São Paulo, ela cuida de crianças, adolescentes e idosos carentes. “São pessoas necessitadas do básico: educação, alimentação, amor, acesso à saúde e condições básicas para a sobrevivência”, explicou.

Com a chegada da COVID-19, precisou se reinventar. Com as próprias mãos, confeccionou mais de 10 mil máscaras de tecido, que foram doadas às pessoas carentes atendidas pelo CACP. “Para mim, fazer estas máscaras, saber que estou contribuindo e protegendo outras pessoas é o que me deixa feliz”, disse.

Sensibilizada com a situação de vulnerabilidade à sua volta, D. Nadir enfatizou: “Tem tanta gente que precisa e, se eu posso ajudar, por que não fazê-lo? Essa é minha missão: ajudar e cuidar de quem mais precisa. Cada máscara feita e doada é uma forma de conscientizar as pessoas da importância de se proteger”.

A pandemia tornou ainda mais visíveis as mazelas da sociedade. “Acredito que, este ano, foi uma escola de aprendizados e, sobretudo, de despertar a solidariedade e o espírito de generosidade nas pessoas”, destacou D. Nadir, que já impactou, gratuitamente, a vida de  mais de 100 mil pessoas com o trabalho de sua ONG.

Tatiane Mosso, psicóloga (Foto: Arquivo Pessoal)

A IMPORTÂNCIA DE DOAR

Em entrevista ao O SÃO PAULO, a psicóloga Tatiane Mosso, 36, destacou que o gesto de doar é uma via de mão dupla. “O ato de doar é oferecer,  transferir, ofertar gratuitamente algo a alguém. O bem praticado no gesto de doação retorna em forma de gratidão, bem-estar e  felicidade”.

Existem várias formas de doar: pode ser dinheiro, roupas, serviço voluntário, empatia, conhecimento, entre outras coisas. “Todas as pessoas, independentemente das condições financeiras, podem doar! E quem recebe, também doa e compartilha um pouco de si. Inclusive, existem pesquisas que afirmam que pessoas que doam são mais felizes”, destacou.

Tatiane sublinhou, ainda, que grandes ou pequenos gestos de doação fazem total diferença: “Doar é abrir o coração para a necessidade do outro, e quem vive essa experiência uma primeira vez não consegue parar. A sensação de mudar a realidade de outro ser humano é singular e faz bem fazer o bem”. 

OBRAS DE MISERICÓRDIA

É unânime: 2020 foi um ano difícil, por causa de um vírus que pegou a todos de surpresa. Muita coisa mudou no modo de ver e pensar a vida. Nas paróquias, na mídia, na internet nasceram verdadeiras “correntes” de caridade.

São tantos os gestos de doação, amor e acolhida ao próximo, que é impossível não lembrar das obras de misericórdia, que, neste ano, brilharam com mais intensidade.

Projeto Marmita Solidária (Foto: Divulgação/IPCB)

Para recordar, as obras de misericórdia são “ações caritativas por meio das quais vamos em ajuda do próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais”. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, “instruir, aconselhar, consolar, confortar são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem em dar de comer a quem tem fome, acolher quem não tem teto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Dar esmola aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e, também, uma prática de justiça que agrada a Deus” (CIC, nº 2447).

O Papa Francisco afirmou que “estender a mão é um sinal que apela imediatamente à proximidade, à solidariedade, ao amor”. E, destacou, que as mãos de todos, juntas e estendidas a serviço dos que sofrem, “compõem a ladainha de obras do bem”.

Interessados em colaborar com as iniciativas da reportagem podem obter mais detalhes em @paodopovodarua ou www.ipcb.net.br e www.cacp.com.br.

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