‘Somente de corações que sentem a necessidade da Igreja brota a oração pelas vocações’

Jesus Bom Pastor (Reprodução da internet)

Neste 4º Domingo da Páscoa, 25, também conhecido como o do Bom Pastor, a Igreja comemora o 58º Dia Mundial de Oração Pelas Vocações. Para essa data, o Papa Francisco escreveu uma mensagem, na qual medita sobre esse tema a partir da experiência de São José, cujo ano especial está sendo celebrado.

Para marcar a data, Dom Ângelo Ademir Mezzari, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Episcopal Ipiranga e referencial para a Pastoral Vocacional, presidiu a missa na Catedral da Sé.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Prelado falou sobre a importância do trabalho de animação vocacional na Igreja e ressaltou a corresponsabilidade de cada católico no despertar das vocações, sobretudo, por meio da constante oração.

Dom e graça

“Vocação é entendida sempre como um chamado  de Deus por meio de dons e graças a uma pessoa, que responde, pela sua fé, a este chamado e se coloca a serviço dos irmãos e da Igreja, por meio de um ministério ou missão específica. É uma relação pessoal entre o batizado, que acolhe os desígnios de Deus à luz da fé e responde com amor”, explicou o Bispo.

A partir dessa definição, Dom Ângelo destacou a importância da oração, por meio da qual se manifesta a confiança em Deus, que envia os “operários para a sua messe”. Nesse sentido, a oração é de suma importância não apenas para pedir para que se despertem mais vocações, mas também é essencial em favor da própria vocação. “Rezamos para que haja vocações e para que cada um de nós, batizados, seja fiel e perseverante ao chamado recebido”, disse.

“Para aqueles que ainda buscam o chamado de Deus para si, como as crianças, adolescentes e jovens ou os próprios seminaristas, que estão em uma fase de discernimento, é fundamental a oração pela própria vocação. Isso significa pedir a força do Espírito Santo para que essa vocação se consolide, seja melhor discernida, assumida com mais amor, supere os momentos de dificuldades e as provas. Peçam, ainda, humildade e despojamento para corresponder ao chamado com amor”, recomendou o Bispo.

Dom Ângelo Mezzari, durante missa na Catedral da Sé

Cultura vocacional

Dom Ângelo exortou, ainda, que as comunidades e famílias se comprometam concretamente com a oração e a promoção das vocações em seu meio, criando uma verdadeira cultura vocacional.

“A oração pelas vocações vem de um mandato de Jesus no Evangelho. Podemos dizer que é quase um outro mandamento, quando o Senhor diz aos apóstolos, diante daquela realidade da qual sentiu compaixão”, enfatizou dom Ângelo, acrescentando que “a oração pelas vocações brota de um coração compassivo, misericordioso, que sente a necessidade do povo, da comunidade”, como o próprio texto diz, Jesus olha para a multidão e as vê como ovelhas sem pastor”.

“É preciso, portanto, criar uma cultura vocacional permanente, tendo a consciência de que a Igreja e a humanidade precisam sempre de bons pastores, operários e operárias, isto é, de evangelizadores nas diferentes vocações”, reforçou o Bispo, que completou: “Somente de corações que sentem a necessidade da Igreja brotam a oração e o cuidado pelas vocações”, completou o Bispo.   

Ainda refletindo sobre a cultura vocacional, Dom Ângelo afirmou que toda a vida cristã é como um grande chamado que necessita de respostas de fé concreta, sendo que a grande meta é a vocação universal à santidade.

Nas famílias

Em relação às famílias, o prelado salientou que é preciso ter consciência de que a vocação não é algo mágico que brota do nada, mas possui um contexto familiar. “Quando vemos um padre ou uma consagrada na comunidade, essa pessoa é fruto de uma família, de uma comunidade concreta”, lembrou.

Nesse sentido, Dom Ângelo recomendou que as famílias rezem para que Deus envie operários para a sua messe também do meio delas. “Deve-se rezar com consciência de que esse chamado pode ser feito ao seu filho, neto ou neta. Vemos, assim, a dimensão da corresponsabilidade vocacional fundamental das famílias. Não é só o vizinho ou outra pessoa da comunidade, mas também dentro da minha cada, entre os meus, podem brotar vocações”, frisou.

Testemunho

O Bispo afirmou, ainda, que a oração vocacional também pode se tornar um convite e um chamado para o discernimento. “Todo cristão pode ser um promotor vocacional. Quando alguém percebe que um jovem ou uma jovem, um adulto, têm dons, sinais ou características para determinada vocação, é importante que se faça o convite para refletir sobre o chamado de Deus”, observou.

Embora reconheça a importância dos encontros, orações e atividades vocacionais, Dom Ângelo sublinhou que não há dúvidas de que a melhor e maior promoção vocacional é o testemunho autêntico daqueles que responderam ao chamado de Deus.

“Sobretudo na atualidade, com o desenvolvimento das mídias, é possível ter acesso a muitos ‘modelos’ de sacerdotes e consagrados com os quais o jovem se identifica. No entanto, sabemos que a grande inspiração dos vocacionados são aqueles, padres, diáconos ou bispos que, no dia a dia, no encontro cotidiano despertam o chamado de Deus”, destacou.

Ordenação presbiteral presidida pelo Papa Francisco (foto: Vatican Media)

Santas vocações

“Devemos rezar para pedir bons e santos sacerdotes. A quantidade é importante, mas o mais importante é a santidade, que é a base de toda vocação”, disse o Bispo, assegurando que um consagrado fiel e zeloso na sua vocação atrai a atenção de outras pessoas para essa missão, sobretudo, em meio aos ruídos do mundo contemporâneo, que dispersam a atenção dos jovens.

“A santidade, bondade, humildade, simplicidade, despojamento, vida de oração, fé e dedicação ao povo são testemunhos concretos de uma vocação”, acrescentou o Prelado, destacando, especialmente aos sacerdotes, uma confissão bem atendida e o zelo com que a missa é celebrada, assim como a maneira como se dedica aos mais pobres, são grandes momentos vocacionais. “O testemunho é o rosto visível de uma vocação autêntica”, completou.

Esse exemplo recorda a história vocacional do próprio Papa Francisco, que relatou inúmeras vezes que sentiu o chamado de Deus para o sacerdócio durante uma confissão na sua juventude, em Buenos Aires, na Argentina.

Nesse aspecto, o Bispo assinalou que é fundamental o comprometimento de cada sacerdote na promoção vocacional, que não se restringe aos clérigos designados para essa pastoral. “Se cada padre consegue identificar, chamar e animar um jovem, sempre haverá vocações e continuidade na missão da Igreja”, frisou. 

Pastoral Vocacional

Sobre o acompanhamento da Pastoral Vocacional na Arquidiocese Dom Ângelo afirmou que tem sido uma experiência muito rica de conhecer o trabalho realizado nas regiões episcopais e na comunidade. Ele já chegou a acompanhar o grupo de rapazes que ingressou neste ano Seminário Propedêutico e relatou que, apesar das limitações da pandemia, está sendo acompanhado um grupo expressivo de vocacionados que fazem o discernimento para um possível ingresso no seminário no próximo ano.

O Bispo Auxiliar ressaltou que Dom Odilo tem incentivado a reforçar as equipes vocacionais nas regiões episcopais, assim como na implantação das equipes vocacionais paroquiais, animando as comunidades à corresponsabilidade não apenas no despertar, como no e envio, acompanhamento e apoio às vocações que nascem em seu meio.

Ano Vocacional

A Serviço de Animação Vocacional  da Arquidiocese também se prepara para o próximo Ano Vocacional em 2023, aprovado durante a 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Vamos fazer uma grande projeto para que esse seja um ano verdadeiramente muito especial, de oração, serviço e animação vocacional, formação das equipes paroquiais e de seus agentes”, afirmou o Bispo.

“É um trabalho cuidadoso, que exige paciência e dedicação. Por isso, precisamos ampliar a cultura vocacional, reforçar a oração pelas vocações, conscientes de que é uma responsabilidade de toda a Igreja”, concluiu Dom Ângelo.

10 dicas para promover as vocações na comunidade

1. Sensibilizar a comunidade sobre as diferentes vocações e ministérios que existem na Igreja;

2. Promover encontros de oração e formação que destaquem o mistério do chamado de Deus a partir do batismo e sobre a vocação universal à santidade;

3. Abordar o tema das vocações na catequese das crianças, adolescentes e jovens;

4. Promover momentos de conversa com o sacerdotes e religiosos da comunidade para tirar dúvidas sobre o tema das vocações;

5. Realizar grupos oração pelas vocações, na igreja e nas casas;

6. Sensibilizar as famílias, catequistas, educadores, movimentos, agentes pastorais para a urgência da Pastoral Vocacional;

7. Realizar tríduos preparatórios para as ordenações ou profissões religiosas de vocacionados ligados à paróquia;

8. Levar os jovens para participar de celebrações de ordenação ou consagração religiosa;

9. Criar uma equipe de animação vocacional;

10. Dinamizar a Semana Vocacional e Semana de Oração pelas Vocações, com vigílias eucarísticas, encontros, lectio divina, terços e catequeses sobre o tema.

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