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Consistório tem 3ª e 4ª sessões: desafios globais e sinodalidade em destaque

Após a missa presidida pelo cardeal Giovanni Battistal Re, às 9h30 do sábado, 27, os cardeais reuniram-se na Sala Paulo VI para a 3ª sessão do Consistório, moderada pelo cardeal tanzaniano Protase Rugambwa.

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Fotos: Vatican Media

O Papa Leão XIV conduziu a oração do Adsumus e, em seu nome, o cardeal moderador agradeceu ao Colégio pelas palavras de apoio aos seus apelos pela paz e exortou a torná-los ainda mais eficazes, assumindo-os nas dioceses e regiões de origem, para que se levante um apelo unânime que dê ainda mais força a esse compromisso comum.

Em seguida, o cardeal sul-africano Stephen Brislin tomou a palavra para apresentar seu relatório introdutório sobre o tema “Construir para o bem: as obras de nosso tempo”.

Após um momento de oração e silêncio, o Cardeal Rugambwa deu início aos trabalhos em grupo e marcou o retorno à sessão plenária, após o intervalo, para as 11h30. O Papa, presente no início da sessão, retornou antes das apresentações dos grupos.

APONTAMENTOS

Onze grupos apresentaram seus relatórios na sala de sessões: os oito do primeiro grupo e os três do segundo.

Grande parte dos grupos centrou sua reflexão em uma análise das profundas fraturas de nosso tempo, entre os povos, as nações, no seio das sociedades e das próprias famílias, e em como elas geram feridas, especialmente entre os mais pobres, os mais fracos, os jovens – aos quais falta o senso de novidade – e os adultos que carecem da sabedoria que vem com a idade. Muitos dos relatos destacavam o perigo da falta de sentido e de relações significativas, de identidade, que levam a uma atitude tribal. Todos enfatizavam o papel de um individualismo exagerado que gera a ilusão de que os outros existem para o nosso sucesso.

Nesse contexto, insere-se o desafio da inteligência artificial, como uma dimensão antropológica sobre a qual devemos refletir, identificando valores humanos compartilhados, a partir do chamado para dar um nome aos seres vivos – e não reduzi-los a números e estatísticas –, para experimentar e aceitar o sentido humano do limite, que a IA tende a negar, e para defender a dignidade do trabalho.

Nesse contexto, muitos grupos falaram sobre o valor do bem comum, como algo difícil de abraçar e compreender, que muitas vezes a política não busca, e sobre como é necessária uma linguagem do coração para superar o conformismo, a corrupção e a sensação de impossibilidade gerada pela constatação de que as propriedades e os recursos para alcançá-lo estão nas mãos de poucos.

O sentido do bem comum tem origem na fé, afirmaram numerosos grupos, na fé em Deus e no transcendente que existe em cada pessoa, que leva o homem a superar todas as fronteiras, a primeira das quais o leva além de si mesmo, a viver a solidariedade com os pobres, como resposta ao individualismo, vivendo plenamente a catolicidade, construindo relações gratuitas – e não instituições –­, em todos os níveis, e buscando uma linguagem capaz de dialogar com ambientes alheios à fé cristã. Nesse sentido, é essencial o papel da política e o empenho das instituições eclesiais na formação dos futuros servidores públicos, para que a doutrina social da Igreja seja conhecida e estudada como remédio para as divisões.

O antídoto contra o individualismo e as fraturas, como muitos grupos concordaram, é o Evangelho, uma Igreja que transmita um senso de pertencimento, capaz de aliviar as feridas do nosso tempo, renovada para evitar formas de integralismo e polarização, que torne visível seu rosto samaritano; cristãos que não sejam meros espectadores de uma ruína social, mas arquitetos sábios que reconstruam a cidade de todos. Nesse contexto, é um sinal de esperança o reconhecimento de que enfrentamos os mesmos desafios, em muitos âmbitos e em muitas partes do mundo, e de como a comunhão com Cristo nos torna menos preocupados com o que os outros pensam.

Vários grupos, nesse sentido, destacaram o valor da sinodalidade, como caminho de escuta e diálogo, e também de responsabilidade eclesial.

Ao final das exposições, foi dado espaço para as intervenções de alguns cardeais, nas quais os temas da sessão foram retomados em termos mais pessoais. Outros manifestaram gratidão ao Papa por suas recentes viagens apostólicas e por seu empenho em prol da paz. A sessão foi encerrada às 12h45 com a oração do Angelus, conduzida pelo Santo Padre.

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4ª SESSÃO ACONTECE NESTA TARDE

A primeira parte da quarta sessão do Consistório teve início esta tarde, às 16h (horário do Vaticano), na Sala do Sínodo.

Após a oração inicial, o cardeal estadunidense Joseph William Tobin, moderador da sessão, deu início aos trabalhos, abordando o caminho de implementação do Sínodo, e passou a palavra ao cardeal Grech para sua exposição.

Em sua intervenção, o cardeal maltês lembrou que, no início do Sínodo sobre a sinodalidade em 2021, “poucos teriam imaginado a amplitude do envolvimento que ele suscitaria”. As diversas realidades presentes na Igreja participaram, em alguns casos pela primeira vez, “de momentos de escuta e de discernimento eclesial”, percorrendo caminhos diferentes, enfrentando dificuldades e resistências, mas reconhecendo universalmente o desejo de “caminhar juntos, valorizando os dons e a responsabilidade de todos”.

A experiência sinodal, prosseguiu o Cardeal Grech, foi significativamente sustentada pelo método da conversa no Espírito. Uma consciência que amadureceu não sem esforço, capaz de captar “a diferença substancial entre a conversa espiritual, temática, e uma conversa no Espírito, ou seja, no fato de o Ressuscitado se manifestar e se entregar entre nós como obra do Espírito”. A fase de implementação em que o Sínodo agora entrou permitirá que as Igrejas troquem dons e experiências, ampliando o “sentido de pertencimento ao único povo de Deus”. Não se trata, no entanto, de um processo imediato, pois cada cultura acolhe e traduz as intuições que surgiram de acordo com seus próprios tempos e modalidades, “nas culturas, nas instituições, nas práticas pastorais, nas relações eclesiais”.

Ao final, alguns cardeais se manifestaram sobre o tema. Chegou-se a um consenso sobre a necessidade de aprofundar ainda mais e colocar em prática as dimensões ascética e histórica da sinodalidade, bem como sobre a necessidade de oferecer ao clero uma imagem do sacerdócio que seja bela, criativa, evangélica e, ao mesmo tempo, não clerical.

Discutiu-se o risco de que a complexidade da consulta possa sobrecarregar a Igreja em um momento em que ela é chamada a dar seu testemunho. Além disso, falou-se sobre como a Igreja hierárquica e o Povo de Deus participam, cada um à sua maneira, do discernimento do que o Espírito diz à Igreja, bem como sobre a contribuição e a participação das comunidades católicas de rito oriental, com sua experiência sinodal, no caminho em que toda a Igreja está envolvida. A primeira parte da sessão foi encerrada às 17h.

Fonte: Vatican News

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