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Leão XIV: o povo angolano possui tesouros que ‘não se vendem nem se roubam’

Na tarde do sábado, 18, teve início a visita de Leão XIV a Angola, terceira etapa de sua viagem ao continente africano. O primeiro compromisso oficial do Papa foi no Palácio Presidencial para uma visita de cortesia ao presidente da República e, em seguida, encontrou-se com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, proferindo seu primeiro discurso em português.

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Fotos: Vatican Media

Ao iniciar sua intervenção, precedida pela saudação do presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, o Papa agradeceu o convite recebido e as palavras de boas-vindas, afirmando ter chegado a Angola como peregrino desejoso de encontrar o povo e reconhecer os sinais da presença de Deus naquela terra. No começo do discurso, Leão XIV manifestou ainda proximidade às vítimas das fortes chuvas e inundações na província de Benguela e às famílias que perderam suas casas.

O TESOURO DA ALEGRIA

Falando em língua portuguesa, idioma oficial do país, o Pontífice destacou que o povo angolano possui tesouros que “não se vendem nem se roubam”, especialmente uma alegria que resiste mesmo em meio às provações, e denunciou as lógicas de exploração que reduzem a realidade e a vida humana a mera mercadoria.

O Santo Padre afirmou também que a África representa para o mundo uma reserva de alegria e esperança, sustentada sobretudo pelos jovens e pelos pobres, ainda capazes de sonhar, esperar e assumir responsabilidades.

Leão XIV apresentou Angola como um “mosaico muito colorido” e incentivou os responsáveis pela vida pública a acreditarem na riqueza multiforme do país, sem temer divergências nem sufocar os sonhos dos jovens e a sabedoria dos idosos. Para o Papa, os conflitos devem ser transformados em caminhos de renovação, sempre colocando o bem comum acima dos interesses particulares.

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PAZ E JUSTIÇA

No discurso, Leão XIV advertiu para os sofrimentos provocados por interesses prepotentes sobre as riquezas materiais, mencionando mortes, catástrofes sociais e ambientais ligadas a uma lógica extrativista e excludente. Ao mesmo tempo, insistiu que somente no encontro a vida floresce e que o diálogo é o ponto de partida para superar a conflitualidade e a inimizade que dilaceram o tecido social e político.

Em outro trecho, o Papa afirmou que a alegria e a esperança não são apenas sentimentos privados, mas forças capazes de contrariar a resignação e o fechamento, enquanto a tristeza e o desânimo tornam as sociedades mais vulneráveis ao medo, ao fanatismo e à manipulação. Por isso, deixou uma das passagens centrais da sua mensagem: 

“A alegria sabe traçar trajetórias mesmo nas regiões mais sombrias de estagnação e angústia. Caríssimos, examinemos, pois, o nosso coração, porque sem alegria não há renovação; sem interioridade não há libertação; sem encontro não há política; sem o outro não há justiça.”

‘QUE DEUS ABENÇOE ANGOLA!’

Leão XIV reiterou que, junto com todas as forças vivas do país, Angola pode tornar-se um projeto de esperança, e afirmou que a Igreja Católica deseja ser fermento na massa e promover um modelo justo de convivência, livre de novas escravidões impostas por elites e falsas alegrias.

Segundo o Pontífice, é preciso eliminar os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, sobretudo nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas, onde pulsa a vida do povo e se prepara o futuro da nação.

Ao concluir, confiou o país à bênção de Deus com a invocação final: “Que Deus abençoe Angola!”. Após os compromissos no Palácio Presidencial, a agenda deste sábado prevê a chegada à Nunciatura Apostólica, onde o Papa terá um encontro privado e o jantar com os bispos de Angola.

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AGENDA DE DOMINGO

Para o domingo, 19 de abril, o programa prevê a chegada a Kilamba para a Santa Missa do III Domingo da Páscoa e o Regina Caeli do Santo Padre, com a participação esperada de 200 mil fiéis. À tarde, Leão XIV seguirá para Muxima, ao Santuário de Mama Muxima, onde está programada a oração do Santo Terço.

Fonte: Vatican News

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