Ministério de catequista: dom a serviço da nova evangelização

Catequistas (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Ao instituir o ministério de Catequista por meio da carta apostólica na forma de motu proprio Antiquum ministerium, apresentada em maio, o Papa Francisco atribui um caráter institucional a uma missão que, historicamente, já possuía uma essência ministerial.

A palavra “ministério”, do latim ministerium, refere-se à função do servidor, logo, ministro é aquele que serve. Desde o início da Igreja, os cristãos se referem àqueles que realizam diferentes serviços na comunidade como ministros. Com o passar do tempo e o desenvolvimento da hierarquia eclesiástica, esses serviços foram categorizados, destacando-se os ministérios ordenados, ou seja, os que recebem o sacramento da Ordem, e os diversos ministérios leigos, sendo alguns deles instituídos oficialmente por meio de um rito, como os ministros extraordinários da sagrada comunhão, leitores e acólitos.

Essa sistematização, contudo, não tirou dos demais serviços eclesiais o seu caráter ministerial em meio aos diferentes dons e carismas existentes na Igreja em vista da evangelização, dentre os quais a catequese. Isso é ressaltado no atual Diretório para Catequese publicado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, com aprovação do Papa, em julho de 2020. No capítulo III, dedicado ao catequista, o documento recorda o que diz a constituição dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II (1962-1965): “Na edificação do corpo de Cristo ha diversidade de membros de funções. Único é o Espírito que, para o bem da igreja, distribui seus vários dons conforme a sua riqueza e as necessidades dos ministérios”.

Lugar significativo

O diretório acrescenta que, “no conjunto dos ministérios e serviços, com os quais a Igreja realiza a sua missão evangelizadora, o ‘ministério da catequese’ ocupa lugar significativo, indispensável para o crescimento da fé”, tomando essa expressão da exortação apostólica Catechesi tradendae (1979), de São João Paulo II.

“Este ministério introduz à fé, juntamente com o ministério litúrgico, gera filhos de Deus no seio da Igreja. Por este motivo, a vocação específica do catequista tem a sua raiz na vocação comum do povo de Deus, chamado a servir o desígnio salvífico de Deus a favor da humanidade”, completa o Diretório.

Ainda em relação ao tema, o documento da Santa Sé enfatiza que toda a comunidade cristã é responsável pelo ministério da catequese, mas cada um conforme sua condição particular na Igreja: ministros ordenados, pessoas consagradas, fiéis leigos. “Através deles, na diferença de funções de cada um, o ministério catequético oferece, de modo completo, a Palavra e o testemunho da realidade eclesial. Se faltasse qualquer uma dessas formas de presença, a catequese perderia parte da própria riqueza e significado”, diz o documento, remetendo-se ao Diretório Geral para a Catequese de (1997).

Vocação

Para Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba (PR) e Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reconhecer o serviço catequético como um ministério instituído é algo que procede da teologia e eclesiologia do Concílio Vaticano II.

“Não é apenas um serviço que presta a uma comunidade. Diz o Papa: é vocação, sim! Servir em nome da igreja à comunidade, à educação da fé, e fazê-lo por causa do Batismo que recebeu e a verdade que professa; assumir isso e a Igreja reconhecer este papel não como papel, mas como missão, não como um atributo, mas como algo próprio da identidade do batizado”, reforçou o Arcebispo, em entrevista ao portal da CNBB.

Por outro lado, Dom Peruzzo sublinhou que a instituição desse ministério responsabiliza a própria hierarquia que o confere. “Não é um título que se dá, mas uma missão que se reconhece. É dom de Deus. Não é uma distribuição efetiva e prática ou pragmática de tarefas é pronunciar a verdade de si mesmo, o catequista, na condição de ministro e não apenas de colaborador funcional. E isto educa a Igreja e os hierarcas bispos, presbíteros e também diáconos. Educa-nos para tomar no devido apreço e reconhecer na devida grandeza o que significa educar a fé de um povo”, completou.

Formação

De igual modo, assim como acontece com a instituição dos ministérios leigos já existentes, supõe-se uma atenção crescente à formação sistematizada dos novos ministros que atuarão oficialmente em nome da Igreja.

Sobre a formação de catequistas, o Diretório para a Catequese ressalta “a necessidade de formar catequistas para a evangelização no mundo atual, harmonizando com sabedoria a atenção devida às pessoas e às verdades de fé, o crescimento pessoal e a dimensão comunitária, o cuidado com as dinâmicas espirituais e a dedicação ao compromisso em favor do bem comum”.

Outro aspecto assinalado pelo Diretório se refere a algo dito pelo Papa Francisco em seu discurso aos participantes do Congresso Internacional de Catequese, em 2013:  “Catequista é uma vocação. ‘Ser catequista’: esta é a vocação; não trabalhar como catequista. Atenção que eu não disse ‘fazer’ o [trabalho de] catequista, mas ‘sê-lo’”. 

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