Obra “Maria às pressas” de artista brasileira é entregue ao Papa Francisco

Francisco fez referência a essa imagem da Mãe de Deus “apressada” na última sexta-feira (25), dia do ato de consagração da Rússia e Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, quando disse gostar de pensar “em Nossa Senhora com pressa”, “que Se apressa para nos ajudar, para nos guardar”. No dia anterior, o Papa recebia em mãos a obra de Mari Bueno intitulada “Maria às pressas”.

Papa Francisco ao receber a obra de Mari Bueno em 24 de marçoVatican Media

O Papa Francisco descreveu Maria, espontaneamente, ao final da homilia da última sexta-feira (25) na celebração da liturgia penitencial na Basílica de São Pedro. A imagem de Nossa Senhora “apressada”, narrada pelo próprio texto bíblico da “Visitação”, quando Maria sai às pressas para servir a sua prima Isabel, chegou às mãos do Pontífice no dia anterior, personificada num quadro: “A Mãe de Deus, depois de ter dito o seu sim, empreendeu uma longa viagem subindo até uma região montanhosa para visitar a prima grávida (cf. Lc 1, 39). Foi apressadamente. Gosto de pensar em Nossa Senhora com pressa, sempre assim, Nossa Senhora que Se apressa para nos ajudar, para nos guardar. Hoje, que Ela tome pela mão o nosso caminho e o guie, através das veredas íngremes e cansativas da fraternidade e do diálogo, o guie pela senda da paz.”

A obra intitulada “Maria às pressas” foi criada pela artista brasileira Mari Bueno, mestra em Mariologia e associada da Academia Marial de Aparecida que tem direcionado o trabalho para o tema mariano. Em 2019, quando esteve em Roma para uma mostra sobre a Amazônia – exposição paralela ao Sínodo dos Bispos, ela deixou a obra “Maria às pressas” para ser entregue ao Papa. Foi o que aconteceu na última quinta-feira (24), véspera do dia de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria.

A citação bíblica “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1,39), que inspirou Mari Bueno, também foi escolhida pelo Papa como lema da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, em 2023. Essa frase bíblica dá início ao relato da “Visitação”, episódio bíblico que se segue à Anunciação, quando o anjo disse à Maria que iria ser a mãe do Filho de Deus.

O quadro com Nossa Senhora feito pela artista sacra foi entregue a Francisco quase três anos depois da criação, devido o contexto da pandemia, mas, mesmo assim, foi “num momento ideal”, comentou Mari, “saber que uma obra minha chegou nas mãos do Papa e vem a colaborar com este momento de união dos filhos de Deus em oração pela paz, conduzidos pelas mãos de Maria para acalentar a dor e o sofrimento. Tendo Maria como exemplo”, motivou ainda a brasileira, “que tenhamos ação e movimento em direção a todos que precisam de ajuda”. O próprio Pontífice tem exortado para deixarmos “que Nossa Senhora nos leve pela mão” para que seja “Ela – a Mãe que o Senhor nos deu – a nos proteger e nos guardar”.

O Papa Francisco, segundo a artista contou ao Vatican News, ficou muito contente e agradeceu por receber a tela, elogiando o talento da brasileira e da sua arte que serve à liturgia. Para Mari, “um presente de Deus”:

A simbologia da obra

Detalhes da obra – Vatican Media

Roupa verde:  é a cor mediadora, tranquilizante, restauradora, da esperança na ressurreição, do nascimento e da renovação. Suas vestes têm sete pregas, a oitava está sobre seu ventre indicando a nova criação.

Véu azul: cor mais profunda e menos material, da verdade, da transparência e da fidelidade. As sandálias são símbolos dos viajantes, dos peregrinos, apresenta Maria, a Discípula missionaria disposta a iniciar sua caminhada com Jesus.

As mãos de Maria são sinal de entrega e disposição para estar a serviço do próximo, caminha ansiosa para a casa de Isabel. Carrega consigo uma pequena bolsa, sinal da disponibilidade de sair de seu lar e caminhar às terras montanhosas para servir. Sobre sua cabeça o sol, também sinal de Cristo, a Luz, que está por vir.  Com três arcos dourados, cor do Divino e sinal da Santíssima Trindade.

Sob seus pés o caminho, de um lado flores, mostrando a alegria de Maria com seu “sim”, sua disposição para colaborar com a Salvação. Do outro as rochas, sinal do caminho que inicia, também nas dificuldades, mas na fé que a move, a rocha como sinal de Deus, a fortaleza e salvação.

Com informações de Vatican News e Andressa Collet

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