Os 8 anos do pontificado do Papa Francisco

Eleito para a Cátedra de Pedro em 13 de março de 2013, Francisco já realizou 33 viagens apostólicas internacionais, proclamou cerca de 900 santos e criou 101 cardeais, e exorta frequentemente os cristãos a um novo impulso missionário

Fonte: Vatican Media

Em 13 de março de 2013, o Cardeal Jorge Mário Bergoglio, até então Arcebispo de Buenos Aires, na Argentina, foi eleito papa no conclave para a sucessão de Bento XVI.

Desde então, Francisco tem chamado a atenção dos cristãos para a “periferias” existenciais e geográficas do mundo, exortado que retomem às fontes do Evangelho, que ajam com maior fervor e dinamismo, nas perspectiva da “Igreja em saída”, que anuncie a “revolução da ternura e o milagre da delicadeza”.

No mesmo ano da sua eleição, Francisco publicou a exortação apostólica Evangelii gaudium, na qual faz um chamado à nova evangelização, caracterizada pela alegria, bem como à reforma das estruturas eclesiais e à conversão do Papado, para que sejam mais missionárias e próximas do sentido desejado por Jesus. Ainda em 2013, instituiu um “Conselho de Cardeais” para estudar um projeto de revisão da Constituição Apostólica “Pastor bonus”, sobre a Cúria Romana

A família

A família foi o foco central da pastoral do Papa Francisco, em 2014 e 2015, com a realização de duas assembleias do Sínodo dos Bispos sobre essa temática, cujas reflexões foram a base para a exortação apostólica Amoris laetitia, assinada pelo Pontífice em 13 de março de 2016 e publicada em 8 de abril daquele ano. 

No documento, Francisco destaca a importância e a beleza da família, com base no matrimônio indissolúvel entre o homem e a mulher; aponta para as fragilidades de algumas pessoas, que se divorciam e casam de novo, incentivando os pastores ao discernimento.

Em 2014, o Santo Padre também instituiu a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, que tem o objetivo de propor iniciativas sobre “a promoção e a responsabilidade das Igrejas particulares em relação à proteção de todos os menores e adultos vulneráveis”.

Sobre a ação diplomática, o ano de 2014 foi caracterizado por duas grandes iniciativas do Papa Francisco: primeiro, a “Invocação pela Paz” na Terra Santa, em 8 de junho, nos Jardins do Vaticano, junto com os Presidentes de Israel, Shimon Peres, e o da Palestina, Mahmoud Abbas; segundo, o restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.

Salvaguarda da Criação

Em 24 de maio de 2015, Francisco assinou a Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado da nossa Casa Comum, cujo ponto central foi a ecologia integral, em que a preocupação com a natureza, a equidade com os pobres e o compromisso da sociedade são inseparáveis. Também instituiu o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”, de cunho ecumênico, que se celebra sempre em 1° de setembro.

Jubileu Extraordinário da Misericórdia

Em 2016, o Papa proclamou o “Jubileu extraordinário da Misericórdia”. A preocupação com os últimos se concretizou com as “Sextas-feiras da Misericórdia”, com visitas privadas que o Pontífice fez às estruturas dedicadas ao acolhimento dos pobres, dos enfermos, dos marginalizados.

Foi um Jubileu de ampla extensão, que deu a possibilidade de abrir uma “Porta Santa” em todas as igrejas do mundo. Antes de abrir a Porta da Basílica Vaticana, o Papa Francisco abriu outra, muito simbólica: a Porta da Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, durante a sua Viagem Apostólica, em novembro de 2015.

Ainda naquele ano, em 12 de fevereiro, o Pontífice encontrou-se em Cuba com o Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Kirill. Ambos os líderes religiosos assinaram uma Declaração conjunta, com a qual se comprometeram em responder aos desafios do mundo contemporâneo, inclusive o fim da perseguição dos cristãos e das guerras, promover o diálogo inter-religioso, ajudar os migrantes e refugiados e proteger a vida e a família.

Dia Mundial dos Pobres

O ano 2017 também foi marcado por importante evento, que faz parte integrante da diplomacia de paz do Papa Francisco: em 20 de setembro, na sede das Nações Unidas, em Nova York, a Santa Sé foi um dos primeiros países a assinar e ratificar o “Tratado sobre proibição das Armas nucleares”.

Ainda naquele ano foi celebrado o primeiro “Dia Mundial dos Pobres”: um acontecimento que deveria ser – segundo o Papa – uma advertência de que “a presença de Jesus se manifesta” sobretudo nos pobres: “eles abrem o caminho para o céu e são o nosso passaporte para o céu”.

Acordo com a China

Em 2018, dois acontecimentos marcaram o Pontificado de Francisco: em nível pastoral, o “Sínodo sobre os Jovens” representou um momento de reflexão eclesial. O Pontífice pediu aos jovens para “escutar, serem próximos e testemunhar”, porque “a fé é uma questão de encontro, não uma teoria”.

Este apelo tornou-se bem mais forte com a exortação apostólica pós-sinodal Christus vivit, em 2019: “Agora vocês são de Deus”, escreveu Francisco no documento, pedindo aos jovens para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e dedicar mais atenção aos últimos.

Em 2018, em campo diplomático, ocorreu o Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China, assinado em Pequim, em 22 de setembro, sobre a nomeação dos Bispos. Em 2020, o acordo foi renovado por dois anos.

Luta contra os abusos

Em agosto, ao término de sua viagem apostólica à Irlanda, Francisco presidiu um “Ato Penitencial, durante o qual pediu perdão, em nome de toda a Igreja, pelos abusos de alguns membros do clero com menores e incapazes.

A luta contra os abusos continuou, em 2019, com um Encontro de Cúpula, no Vaticano, sobre a tutela dos menores, do qual nasceu o Motu próprio Vos estis lux mundi, que obrigava os clérigos e religiosos a denunciar os abusos: cada diocese devia ter um sistema, que fosse facilmente acessível ao público, para acolher as denúncias. Além do mais, em dezembro, com um Rescrito, o Papa aboliu o Segredo pontifício para os casos de abuso sexual.

Fraternidade, paz e unidade dos Cristãos

Em 2019, aconteceram três grandes eventos: primeiro, a assinatura do documento “Fraternidade Humana pela Paz Mundial e a Convivência Comum”, assinado pelo Papa Francisco e pelo Grão Imã de Al-Azhar, Ahamad al-Tayyeb, em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro. O documento, um marco nas relações entre o Cristianismo e o Islamismo, encorajava o fortalecimento do diálogo inter-religioso, promovia o respeito mútuo e condenava o terrorismo e a violência.

O segundo evento foi a realização de um Retiro espiritual, no Vaticano, para os líderes civis e eclesiásticos do Sul do Sudão. O encontro espiritual deu-se em abril e concluiu-se com um ato impressionante: Francisco ajoelhou-se e beijou os pés do Presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e dos vice-Presidentes presentes, para “implorar o fim definitivo da guerra” no jovem país africano.

Além disso, em 29 de junho, Francisco doou alguns fragmentos das relíquias de São Pedro a uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Em uma Carta ao Patriarca Bartolomeu, o Santo Padre escreveu: “Esta doação representa uma ulterior confirmação do caminho das nossas Igrejas rumo à unidade”.

Reformas econômicas e financeiras

Em agosto de 2019, no âmbito das reformas, o Pontífice renovou, o Estatuto do IOR, nomeando um Revisor externo para controlar as contas do Banco Vaticano. Esta decisão deu origem, em fins do ano 2020, a um novo Estatuto da Autoridade de Informação Financeira, chamada Autoridade de Supervisão e Informação Financeira (Asif), como também ao Motu proprio “Sobre determinadas competências em matéria econômica e financeira”.

Oração em plena pandemia

Foto: Vatican Media

Em 2020, o ano da pandemia do Covid-19, o Papa Francisco permaneceu ao lado dos fiéis mediante o poder da oração constante. Permaneceu impressa, na memória do mundo inteiro, a “Statio Orbis”, que o Pontífice presidiu sozinho, dia 27 de março, diante da Basílica Vaticana, em uma Praça São Pedro deserta e chuvosa.

No auge da pandemia, a Audiência Geral e a oração do Angelus passaram a ser transmitidas ao vivo por áudio-vídeos, como as Missas matutinas na Casa Santa Marta.

Em fevereiro, foi publicada a quinta Exortação Apostólica intitulada Querida Amazônia, que reúne os frutos do Sínodo Especial para a Região Pan-Amazônica, realizado no Vaticano, em 2019.

Outra encíclica foi publicada em outubro – Fratelli tutti, na qual o Pontífice apela à fraternidade e à amizade social e condena a realização de guerras, a fim de que se construa um mundo melhor, com o esforço de todos.

Viagens Apostólicas com atenção especial às periferias

O ano de 2020 concluiu-se com o anúncio da histórica Viagem Apostólica ao Iraque, que se realizou neste mês de março: pela primeira vez, um Sucessor de Pedro visita aquele país. Assim, após 15 meses de pandemia, Francisco retoma sua missão de levar a luz e a beleza do Evangelho ao mundo, voltando sempre seu olhar às periferias, onde a “fraternidade e a esperança” são urgentes.

Por outro lado, a sua primeira Viagem como Pontífice deu-se em 8 de julho de 2013, com uma visita à Ilha de Lampedusa, porto de desembarques desesperados. Ali, o Papa acendeu os refletores globais sobre o drama da migração, um tema importante do seu Pontificado. O Santo Padre recorda sempre que “os migrantes são, antes de tudo, pessoas, não apenas números ou questões sociais”, mas não o faz apenas com palavras, mas também com gestos concretos.

No mesmo ano, em julho, foi calorosamente acolhido pelos brasileiros durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

Em números

Até agora, Francisco fez 25 viagens apostólicas na Itália e 33 internacionais. Os dados do seu Pontificado confirmam mais de 340 audiências gerais, mais de 450 orações do Angelus ou Regina Coeli, quase 790 homilias na Casa Santa Marta e proclamou cerca de 900 novos Santos, inclusive os 800 mártires de Otranto.

O Papa presidiu a sete Consistórios, com a criação de 101 Cardeais, e convocou vários Anos especiais, como os dedicados à Vida Consagrada (2015-2016), à figura de São José (2020-2021) e à Família “Amoris Laetitia” (2021-2022).

Francisco instituiu também diversas Jornadas: a última, em ordem cronológica, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado, pela primeira vez, em julho de 2021, por ocasião da festa dos Santos Joaquim e Ana, “Avós” de Jesus.

Fonte: Vatican News

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