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Papa alerta para o desafio humano da comunicação na era da inteligência artificial 

Papa alerta para o desafio humano da comunicação na era da inteligência artificial  - Jornal O São Paulo

Na Mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada no sábado, 24, o Papa Leão XIV propõe uma reflexão ampla sobre os impactos da tecnologia digital e da inteligência artificial na comunicação e nas relações humanas. Com o tema Preservar vozes e rostos humanos, o Pontífice afirma que toda inovação tecnológica deve ser orientada pela dignidade da pessoa e colocada a serviço do bem comum. 

O Santo Padre recorda que o rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa, expressão de uma identidade irrepetível. Preservá-los significa proteger o reflexo do amor de Deus inscrito em todo ser humano, criado à sua imagem e semelhança. O risco, adverte, é reduzir a pessoa a dados, algoritmos ou previsões estatísticas, esvaziando sua vocação própria. 

Leão XIV alerta que os sistemas de inteligência artificial, ao simularem vozes, rostos e emoções humanas, não interferem apenas nos ecossistemas informativos, mas atingem o nível mais profundo da comunicação: a relação entre pessoas. Por isso, afirma, o desafio não é apenas tecnológico, mas essencialmente antropológico. Preservar rostos e vozes humanas é, em última instância, preservar a própria humanidade. 

ALGORITMOS 

O Pontífice critica ainda mecanismos algorítmicos que favorecem reações imediatas e emoções rápidas, em detrimento da escuta, da reflexão e do pensamento crítico, contribuindo para a polarização social. Também chama a atenção para uma confiança acrítica na inteligência artificial, percebida como fonte absoluta de conhecimento, o que pode enfraquecer as capacidades analíticas, criativas e comunicativas das pessoas. 

Outro aspecto destacado é a dificuldade crescente de distinguir a interação com outros seres humanos daquela mediada por bots ou influenciadores virtuais. Essa simulação de relações, especialmente quando assume traços afetivos, pode gerar consequências dolorosas para indivíduos e comprometer o tecido social. 

Ao concluir, o Papa propõe que a inovação digital seja orientada por três pilares: responsabilidade, cooperação e educação. Defende a transparência das plataformas, a valorização do trabalho jornalístico e a introdução da alfabetização midiática e em inteligência artificial nos sistemas educativos. “Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem”, afirma. 

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