Papa aos cristãos das Igrejas Orientais: um Santo Natal à luz de Cristo, nossa paz e esperança

As felicitações de Natal, comemorado por muitas Igrejas Orientais que seguem o calendário juliano, vieram do Papa Francisco, através do Twitter e da mensagem no Angelus da quarta-feira, 6, e também do líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia. O arcebispo-mor de Kiev-Halyic, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, se inspirou no anjo do Senhor para dirigir uma mensagem aos fiéis do mundo neste 7 de janeiro: “Não temais, pois eu vos anuncio uma grande alegria!”

Em foto de arquivo, o Papa Francisco ao receber no Vaticano o líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia Foto: Vatican Media

O Papa Francisco lançou um tweet nesta quinta-feira, 7, por ocasião do dia de Natal festejado por muitos cristãos, na maioria ortodoxos, que festejam o nascimento de Jesus ao seguir o calendário juliano. Diz a mensagem do Pontífice, em referência ao Angelus desta quarta-feira (6), de Solenidade da Epifania do Senhor, quando já antecipava uma saudação especial pelo Santo Natal das Igrejas Orientais:

“Dirijo-me com afeto aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, que hoje celebram o Natal do Senhor. Os melhores votos de um Santo Natal à luz de Cristo, nossa paz e nossa esperança!”

Shevchuk: nunca estaremos sozinhos

O arcebispo-mor de Kiev-Halyic, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, também saudou os fiéis greco-católicos da Ucrânia que festejam o Natal, como muitas Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, uma vez que seguem o calendário juliano. Celebrar o Natal nos dá a certeza de que nunca estaremos sozinhos e nos dá a força para não ter medo de olhar para o futuro. E o motivo, refletiu ele, é que Deus se fez homem e veio habitar entre nós.

O arcebispo de Kiev, em entrevista ao Vatican News, também destaca os frutos deste momento difícil marcado pela pandemia: a certeza de que só a solidariedade, a fraternidade, a unidade nos salvará, só a descoberta da nossa pertença comum à família humana, com toda a sua dignidade, mas também com a sua vulnerabilidade:

R. – Este ano, o Natal é verdadeiramente especial. Antes de tudo, porque o celebramos no contexto da pandemia, ou seja, de um problema que tocou o mundo inteiro. Mas o próprio Natal para nós é a fonte da esperança, porque a esperança nasce da fé e nós, cristãos, vemos neste Menino, o Deus feito carne. É precisamente essa fé natalina que nos dá a esperança, que nos dá a luz, que nos dá a certeza de que mesmo no ano que vem estaremos juntos com Ele, não seremos abandonados. No Senhor nascido em Belém está a nossa esperança.

Geralmente, o senhor passa o Natal na sua terra, com a sua comunidade. Qual é, em particular, a sua mensagem aos fiéis da Ucrânia e de toda a sua região, ferida pela guerra e pela pobreza, mas também forte na fé?

R. – A mensagem de Natal é ‘não tenham medo, não temam!’. Essas são as palavras do Anjo que se dirigiu aos pastores que estavam cuidando dos seus rebanhos. O anjo diz: ‘Não temais, pois eu vos anuncio uma grande alegria que será a alegria para todo o povo’. É precisamente o povo ucraniano que teme, há muitos medos porque não tem segurança humana para o próximo ano. Nos sentimos realmente com medo do nosso futuro. Mas justamente as palavras do anjo no Natal, dirigidas a todos nós, nos animam: “Deus está conosco”. Nos fazem compreender que podemos superar o medo somente se compreendermos que nosso futuro não é apocalíptico, no sentido da destruição da civilização, da morte ou das dificuldades. Não, o nosso futuro é Cristo. Ele é o centro e o cume da história humana, e não precisamos temer este futuro porque ele é apresentado a nós como um Menino terno.

Falamos sobre o ano que terminou. Um ano marcado também por uma nova encíclica do Papa e por uma forte mensagem de fraternidade. Todos nós nos sentimos, também por causa da situação que estamos vivendo, mais unidos, mais próximos. O Papa diz que “estamos todos no mesmo barco”. Em geral, que lições podemos aprender com isso?

R. – Antes de tudo, este ano, como nunca antes, entendemos que todos nós, homens, fazemos parte da mesma natureza humana. O extremo individualismo da cultura moderna às vezes nos fez duvidar da existência de algo que une todos os homens. Existe um tecido único e fundamental da humanidade? Existe ou não? Hoje, a própria experiência do coronavírus mostrou que somos todos iguais e vulneráveis. Na minha opinião, o grande fruto da pandemia é a redescoberta da natureza humana que é comum, da fraqueza comum que nos torna parte do ser humano com a sua dignidade. E é precisamente essa comunhão na natureza humana, na humanidade como um todo, que é a base da fraternidade. Caso contrário, todas as declarações de que o meu vizinho é meu irmão, é minha irmã, permanecem um pouco teóricas. Hoje, ao invés disso, experimentamos que sozinhos não sobreviveremos, bem como diz o Papa. A solidariedade que se baseia em nossa história comum, a nossa natureza humana comum, nos dá o fundamento para ver em cada ser humano o meu irmão ou a minha irmã. Somente a solidariedade nos dará a esperança de sobreviver a esta pandemia.

Imagino, portanto, que este também seja o desejo que o senhor dirige ao mundo neste santo Natal?

R. – Espero que o mundo redescubra que todos nós fazemos parte da mesma natureza humana que sofre e se alegra junto. Uma natureza humana que compartilha as tristezas e as esperanças. Somos todos parte da mesma família humana que, precisamente neste contexto, tem sido para nós o nosso ‘hospital de campanha’, uma família humana que é também, digamos, o foco da Igreja de Cristo.

(Com informações de Vatican News)

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