Leão XIV presidiu missa no Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três: ‘Nesta festa da Padroeira do Uruguai, apresentemos ao Senhor todo este povo. Que a Rainha do Céu ampare aqueles que continuam semeando a fé e nos ensine a reconhecer Cristo nos pobres, nos doentes e em quem está só, levando-O onde ainda não é conhecido’, afirmou

O Papa Leão XIV presidiu a missa, neste domingo, 8, na Praça em frente à Catedral-Basílica de Florida, Santuário Nacional da Virgem dos Trinta e Três, Padroeira do Uruguai, no âmbito de sua viagem apostólica à América Latina.
“É com entusiasmo que, junto a Nossa Senhora dos Trinta e Três, me encontro hoje aqui convosco. Venho como peregrino para compartilhar a fé e o carinho com que este povo, ao longo de gerações, olhou para a Mãe de Deus. Aos que vieram de diferentes lugares, aos que há anos peregrinam até aqui e aos que hoje vêm pela primeira vez, abraço-os com carinho e confio-os à proteção de Maria”.
Com essas palavras, o Papa iniciou sua homilia, enfatizando que “a Palavra de Deus coloca hoje diante de nós duas mulheres”, Judite e Maria, “que, vivendo em épocas muito diferentes, sobre elas ressoa quase a mesma bênção”.
“A tradição cristã notou muito cedo esta relação. Em Judite, viu uma mulher que, em um momento difícil para o seu povo, não se deixou dominar pelo medo. Rezando e jejuando, tomou uma decisão que a levou a arriscar a própria vida. Em Judite, o povo celebrava o que Deus tinha feito em seu favor”, frisou.

DEVOÇÃO MARIANA NO URUGUAI E A FÉ DAS MULHERES
A propósito de Maria, o Papa recordou que a imagem da Virgem dos Trinta e Três “está ligada a uma hora decisiva da história do Uruguai. Em 1825, aqueles que lutavam pela liberdade desta terra também recorreram a Maria, para colocar sob a sua proteção aqueles inícios. Esse gesto lembra-nos que a história dos povos não se compreende plenamente quando se prescinde de Deus. Assim, a partir de um dos momentos fundadores da pátria, o Uruguai ficou intimamente ligado a uma Mãe. Desde então, passaram várias gerações, as circunstâncias mudaram e até a relação de muitos uruguaios com a fé se alterou. Ela permaneceu aqui. Enquanto Maria acompanhava a história deste povo, em muitas casas foram outras mulheres que conservaram a fé e a transmitiram aos seus filhos”.
“Penso nas mães que nos lábios dos seus filhos puseram as primeiras orações, os levaram ao batismo, os prepararam para receber os sacramentos e lhes ensinaram a viver a caridade cristã. Penso nas avós que em casa mantiveram um altar, rezaram por vivos e defuntos, e tornaram Deus presente nas coisas mais simples da vida”, afirmou.
Leão XIV lembrou ainda que “também esta terra tem gravados, na sua história de fé, nomes de mulheres. Entre elas está Santa Maria Francisca Rubatto, que quis permanecer entre vós e servir aqui os mais necessitados. Estão igualmente as beatas mártires Dolores e Consuelo Aguiar-Mella, duas irmãs nascidas em Montevidéu. São vidas muito diferentes, mas nas três encontramos uma fidelidade levada ao extremo”.
O Papa agradeceu a todas as mulheres que acreditaram e mantiveram aberto, “em tantas famílias, um caminho para Deus. Algumas conseguiram fazê-lo apoiadas numa tradição familiar que vinha de longe; outras tiveram de sustentar essa fé com um esforço maior, talvez nem sempre tendo compreensão ou apoio dentro da própria casa. Sei que muitas carregam uma dor bastante concreta. Ensinaram os seus filhos a rezar, mas hoje esses filhos já não rezam. Iam juntos à missa, mas eles há anos não entram em uma igreja. Falaram aos seus netos sobre Deus, mas já não sabem se aquelas palavras deixaram alguma marca. Por vezes perguntam-se se fizeram algo de errado ou se tudo aquilo acabou por se perder. Gostaria, pois, de recordar Santa Mônica. Ela conhecia bem esta dor. Rezou durante anos por um filho que parecia cada vez mais afastado de Deus, mas não deixou de confiar na graça. Por isso, não considereis como perdido o que semeastes. O próprio Senhor nos ensinou que a semente pode crescer sem que o semeador saiba como”.
“Queridas mães e avós: não vos canseis de transmitir a fé! Pregai com a vossa vida e com a vossa palavra. Insisti na oração, no amor e na esperança. Mesmo que os vossos pareçam afastados de Deus, continuai a colocá-los diante Dele. Não deixeis de abençoar, de acompanhar, de lhes recordar com simplicidade aquilo que um dia recebestes. Há portas que vós não podeis abrir, mas Deus pode”.

AOS PAIS E AVÓS
A seguir, Leão XIV se dirigiu aos homens, aos pais e aos avós, dizendo-lhes que “os vossos filhos e netos precisam ver que a fé ocupa um lugar verdadeiro na vida dos homens da vossa família”. Convidou-os a imitar “o exemplo de São José, que assumiu a tarefa de educar Jesus, levando-o ao templo, ensinando-o a trabalhar com honestidade e mostrando-lhe que Deus deve ocupar o primeiro lugar na vida de cada pessoa”.
“Queridos pais e avós, os jovens precisam de vos ver a rezar, a procurar os sacramentos, a tratar as vossas esposas com respeito, a pedir perdão e a viver com honra, mesmo quando isso requer sacrifícios. Um filho aprende muito ao ver que o seu pai é capaz de se ajoelhar diante de Deus sem se sentir menos homem por causa disso”.
A seguir, o Pontífice lembrou que, tempos atrás, “Deus tinha lugar nas conversas, nas decisões e na vida quotidiana do lar. Assim, os filhos aprendiam que a fé recebida dos pais era também aquilo pelo qual os pais viviam”.
“Os bispos, os sacerdotes e as pessoas consagradas são chamados a apoiar as famílias nesta tarefa, exercendo com generosidade a sua paternidade e maternidade espirituais, acompanhando aqueles que vacilam e ajudando muitos a reencontrar o caminho de Deus”, sublinhou Leão XIV.

COM A INTERCESSÃO DA PADROEIRA DO URUGUAI
“Nesta festa da Padroeira do Uruguai, apresentemos ao Senhor todo este povo. Rezemos por aqueles que têm a responsabilidade de o governar, para que procurem com retidão o bem comum; pelas famílias, pelos jovens, por quem sofre, por quem se sente longe de Deus e por quem precisa de voltar para Ele e mudar de vida”, disse o Pontífice.
“Uruguai, é preciso pôr-se a caminho”, disse o Papa, como fez Maria ao visitar sua prima Isabel. “É preciso voltar a entrar nas casas, aproximar-se das pessoas, ouvir as suas perguntas e conduzi-las a Cristo! Cada um saberá em direção a quem deve dar esse passo: talvez um filho, um amigo, um vizinho, alguém que deixou de acreditar há muito tempo ou que nunca teve por perto uma pessoa que lhe falasse de Deus”.
“Que a Rainha do Céu ampare aqueles que continuam semeando a fé e nos ensine a reconhecer Cristo nos pobres, nos doentes e em quem está só, levando-o onde ainda não é conhecido”, disse ainda Leão XIV, que a seguir, colocou a Rosa de Ouro diante da imagem da Virgem dos Trinta e Três.
“A Maria, Comandante e Guia deste povo”, o Papa consagrou novamente esta nação, confiou “à sua proteção esta terra e todos os que nela vivem”, e suplicou “a Deus que, pela sua poderosa intercessão, destrua as obras do demônio e preserve o amado Uruguai de tudo o que quer afastá-lo de Cristo”. “Que esta Rosa de Ouro, oferecida como sinal de veneração e de amor filial, lembre também aos seus filhos que são chamados a imitá-la: a amar Cristo como Ela o amou, a levá-Lo aos outros como Ela o levou”, concluiu.
Fonte: Vatican News




