Papa: ‘As crianças que nascem em tempos de coronavírus são um sinal de grande esperança’

O SÃO PAULO apresenta série de reportagens sobre a natalidade em tempos de pandemia

Foto: Vatican Media/Arquivo

Assim como fizeram seus sucessores e seguindo o magistério da Igreja, o Papa Francisco tem exortado à sociedade como um todo e, de modo especial, aos casais, que se abram à vida. Na exortação apostólica Amoris laetitia, o Pontífice ressalta que todo filho é uma dádiva e fruto de um ato específico de amor, e que o Criador confiou ao homem e à mulher o futuro da humanidade por meio da transmissão da vida (AL,81).

Neste tempo de pandemia, o Papa tem enaltecido as famílias que não negam este dom recebido de Deus. Em um tweet em 3 de abril de 2020, o Pontífice agradeceu às jovens mães “que enfrentam os medos compreensíveis. E obrigado também a quem as ampara com afeto, com competência. As crianças que nascem em tempos de coronavírus são um sinal de grande esperança”. No mesmo mês, em uma missa na Casa Santa Marta, rezou pelas grávidas, “afim de que o Senhor lhes dê a coragem de levar estes filhos adiante, com a confiança de que será certamente um mundo diferente, mas será sempre um mundo que o Senhor amará muito”.

‘Inverno demográfico’

Com essa expressão, o Pontífice alertou, no dia 14 deste mês, para a queda no número de nascimentos no Velho Continente e apontou que “a coragem de escolher a vida é criativa, porque não acumula nem multiplica o que já existe, mas antes se abre à novidade, às surpresas: toda vida humana é uma verdadeira novidade, que não conhece um antes e um depois na história”.

Na ocasião, o Pontífice falou, ainda, sobre a sustentabilidade generacional, alertando que não será possível alimentar a produção e proteger o meio ambiente se não for dada atenção às famílias e às crianças. Criticou, ainda, aqueles que consideram que ter filho é um empecilho para a busca de aspirações pessoais, como o dinheiro e o sucesso. “Essa mentalidade é uma gangrena para a sociedade e torna o futuro insustentável”.

Também na encíclica Fratelli tutti, publicada no ano passado, o Papa alerta que “a falta de filhos, que provoca o envelhecimento das populações, juntamente com o abandono dos idosos a uma solidão dolorosa, é uma forma sutil de expressar que tudo termina conosco, que só contam os nossos interesses individuais”.

Suporte às famílias

Ainda em seu discurso no dia 14, o Pontífice ponderou que as incertezas no mercado de trabalho e os altos custos para sustentar os descendentes são fatores que têm desestimulado muitas famílias a ter filhos.

“Temos que dar estabilidade às estruturas que apoiam as famílias e ajudam os partos. Uma política, uma economia, uma informação e uma cultura que valorizem a natalidade são indispensáveis. Em primeiro lugar, precisamos de políticas familiares de longo alcance e visão”, apontou, pedindo, ainda, maior sensibilidade dos empregadores: “Que maravilha seria ver crescer o número de empresários e empresas que, além de dar lucro, promovem a vida, que se preocupam em nunca explorar pessoas com condições e horas insustentáveis, que vêm distribuir parte dos lucros aos trabalhadores, de forma a contribuir para um desenvolvimento impagável, o das famílias!”.

Já em maio de 2019, em um discurso no Vaticano, Francisco lamentava que muitas mulheres “sofrem condicionamentos econômicos, sociais e culturais que as impelem a renunciar àquele dom maravilhoso que é o nascimento de um filho”, e pediu que toda a sociedade “reconheça em cada rosto, até no menor, o rosto de Jesus: ‘Quem receber um menino como este, em meu nome, é a mim que recebe’ (Mt 18,5)”.

Um pedido especial às grávidas

E diante de um momento de incertezas, como nesta pandemia, um pedido do Pontífice feito às gestantes na Amoris laetitia é sempre atual: “Não permitas que os medos, as preocupações, os comentários alheios ou os problemas apaguem esta felicidade de ser instrumento de Deus para trazer uma nova vida ao mundo. Ocupa-te daquilo que é preciso fazer ou preparar, mas sem obsessões, e louva como Maria: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva’ (Lc 1, 46-48)”.

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