Na viagem ao Uruguai, Pontífice esteve na Universidade Católica de Montevidéu

“Não nos é permitido parar”. Esta foi a exortação que Leão XIV fez a professores e estudantes da Universidade Católica do Uruguai, com sede em Montevidéu. O encontro foi na tarde do sábado, 7, e ocorreu pouco mais de mais de trinta e oito anos desde a visita de São João Paulo II, quando a instituição dava os seus primeiros passos.
“Hoje, desejo agradecer-vos do fundo do coração pelo trabalho educativo que realizastes e continuais a realizar nas comunidades de formação e de ensino, nos diferentes níveis e etapas da aprendizagem, em prol do anúncio do Evangelho e da dignidade da pessoa humana”, disse Leão XIV.
Esta continuidade, afirmou, demonstra que a educação católica no Uruguai se tornou a forma concreta pela qual o Evangelho se torna gesto educativo, relação, cultura. E não só, pois confirma que o Evangelho não envelhece, antes renova todas as coisas.
O discurso do Santo Padre foi baseado nos cinco sentidos, ressaltando a importância de que a instituição e seus membros ouçam, vejam, saboreiem, toquem e sintam o aroma da Boa Nova.
Assim, é necessário contemplar, olhar com atenção a realidade que nos cerca, com o cuidado de trabalhar pelo bem comum, consciente de que, atualmente, o homem tem se dedicado a produzir a mais terrível das “obras humanas”: a guerra.

CHAMADOS À EDUCAÇÃO CATÓLICA
“A educação católica que promoveis é chamada a fazer com que a comunidade educativa descubra a importância do tato, das mãos e dos dedos para fomentar a paz”, exortou o Santo Padre.
“É urgente, portanto, que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emotiva, social, espiritual e ecológica.”
Leão XIV alertou para o processo de desumanização atual e que constitui um desafio para as instituições escolares e universitárias. E citou um trecho de seu recente discurso na sede da Unesco, em que falou do paradoxo de atribuir “inteligência” aos sistemas computacionais, enquanto há dificuldade de reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana. “Ninguém pode ser rejeitado”, recordou, pedindo novamente que a vida humana seja respeitada em todas as suas fases.

Quanto à missão própria da educação católica, o Santo Padre recordou que esta não pode estar confinada a um circuito fechado. Pelo contrário, deve habituar-se a escutar as famílias, a sociedade civil, as autoridades políticas e administrativas, bem como os representantes dos setores produtivos e das categorias profissionais. “Quem escuta vê o outro como um bem, não como uma ameaça”, afirmou.
“Queridos irmãos e irmãs, peço-vos que continueis a caminhar, a evangelizar e a contemplar a pessoa na sua totalidade: ‘corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade’. Não nos é permitido parar. Continuemos a caminhar Naquele que se fez Caminho, Verdade e Vida”, concluiu.
Fonte: Vatican News




