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Papa: onde termina a nossa lógica, começa a confiança em Deus

No Angelus, o Pontífice destacou a grandeza de Pedro ao deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina. Santo Padre rogou a Deus pelo Haiti, Nepal e pelo cuidado de criação

Papa: onde termina a nossa lógica, começa a confiança em Deus - Jornal O São Paulo
Fotos: Vatican Media

“Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”. A reação de Pedro diante da revelação de Jesus da proximidade de sua morte, inspirou a reflexão de Leão XIV antes de rezar o Angelus diante da multidão aglomerada na Praça da Liberdade, diante do Palácio Apostólico, em Castel Gandolfo.

O Evangelho proposto pela liturgia neste XXII Domingo do Tempo Comum, 30 de agosto, começou explicando o Papa aos presentes – apresenta Jesus anunciando a seus discípulos que “deverá ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar”. Uma revelação, que “está muito distante da imagem de um Messias triunfante e poderoso que os discípulos esperavam”.

Pedro, que pouco antes havia proclamado sua fé em Jesus como ‘o Messias, o Filho de Deus vivo’, reage com espanto e repreende o Mestre: “Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!”. Sua atitude nasce de um amor sincero, mas também revela a dificuldade de aceitar um caminho de salvação diferente daquele que imaginava.

A reação de Pedro – recorda o Papa – toca uma realidade profundamente humana e presente também na experiência de fé de cada pessoa: a dificuldade em aceitar quando os caminhos de Deus são diferentes dos nossos. “Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”.

E perante esta incerteza – explica o Santo Padre – Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes: primeiramente, é necessário manter sempre aberto o diálogo com o Senhor e apresentar-Lhe com confiança aquilo que trazemos no coração, inclusive nossas dúvidas, incompreensões e angústias: “A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar por meio da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas”

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Jesus repreende Pedro — ‘Afasta-te, Satanás!’ — e deixa claro que o pensamento do discípulo ainda está preso à lógica humana. Para seguir Cristo, é preciso aceitar uma lógica diferente: negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo. O caminho da salvação não passa pelo poder, pela imposição ou pela vitória segundo os critérios do mundo, mas pelo amor que se entrega, pelo sofrimento assumido com esperança e pela fidelidade à vontade do Pai.

E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina: “Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas”.

ATENÇÃO AO HAITI, NEPAL, CUIDADO DA CRIAÇÃO E À PAZ

Após rezar o Angelus, o Papa dirigiu seu olhar a várias realidades de sofrimento, a começar pelo Haiti, onde, em 23 de agosto, a violência das gangues que aterrorizam o país matou 47 pessoas na região de Kenscoff, nas proximidades de Porto Príncipe, deixando outras 22 feridas. Homens armados invadiram a comunidade, mataram moradores e incendiaram casas. Das pessoas sequestradas durante a ação, seis crianças – três com menos de 2 anos – e sete mulheres, foram libertadas. 

“Do Haiti chegam notícias dramáticas do grave massacre perpetrado em Kenscoff, no qual numerosas pessoas perderam a vida, enquanto outras foram sequestradas. Expresso minha proximidade em oração às vítimas e aos seus familiares e peço que todos os reféns sejam libertados sem demora. Dirijo um veemente apelo a todos os responsáveis para que se empenhem concretamente em garantir a segurança da população e pôr fim a todas as formas de violência”.

Ao Nepal, cuja catástrofe ocorrida em 26 de agosto já deixou mais de 750 mortos e 3.044 desaparecidos, o Santo Padre assegurou a sua oração. Após um telegrama enviado no dia 28, o Pontífice, por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade, enviou ajuda financeira à Cáritas Nepal, enquanto prosseguem as operações de resgate: “Asseguro minhas orações às pessoas atingidas pela terrível inundação que ocorreu no Nepal e no Tibete. Rezemos por aqueles que perderam a vida, pelos feridos e desaparecidos, pelas famílias e pelos socorristas. Que a solicitude de todos possa contribuir para aliviar os sofrimentos e levar a ajuda necessária às populações”.

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Na sequência de seus apelos, o pedido a continuarmos a rezar pela paz: “Santo Agostinho, cuja memória celebramos nestes dias, dizia que «a paz […] é semelhante ao pão do milagre que crescia nas mãos dos discípulos enquanto o partiam e distribuíam» (Sermão 357,2). Que possam aumentar no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça e praticando o perdão, para o bem de todos”.

Por fim, Leão XIV recordou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, em 1° de setembro, ocasião em que presidirá a Celebração Eucarística no Jardim da Madonnina do Borgo Laudato si’, nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo.

“Na terça-feira, celebraremos o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Esta data marca o início do Tempo da Criação – celebrado por cristãos de várias denominações –, cujo tema neste ano é “Água Viva”. Como recordei na Mensagem para este Dia, cuidar da nossa casa comum exige uma conversão do coração, para que aquilo que foi usado para provocar destruição possa, ao contrário, ser orientado para a vida. Convido todos a se unirem em oração e ação, para que nos tornemos canais da água viva da paz de Deus, refrescando o nosso mundo ferido”.

Fonte: Vatican News

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