Vocação da família: dom para a Igreja e para a sociedade

Papa: o Matrimônio realiza-se ‘na união entre um homem e uma mulher que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade’
Vatican Media

Entre os dias 13 e 19, a Igreja no Brasil comemora a Semana Nacional da Família, que, este ano, tem como tema “Família, fonte de vocações”, em sintonia com o 3º Ano Vocacional.

A família é, antes de tudo, o lugar em que “deve ressoar sempre de novo o primeiro anúncio, que é o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário e deve ocupar o centro da atividade evangelizadora”, como afirmou o Papa Francisco na exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia.

Em continuidade aos ensinamentos de seus predecessores – especialmente São Paulo VI e São João Paulo II –, Francisco recordou que o Matrimônio cristão, reflexo da união entre Cristo e a sua Igreja, “realiza-se plenamente na união entre um homem e uma mulher que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, pertencem-se até a morte e se abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para se constituírem como igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade”.

Também o Concílio Vaticano II deu especial atenção à dignidade do Matrimônio e da família na constituição pastoral Gaudium et spes, ao definir o Matrimônio como “comunidade de vida e amor”, colocando o amor no centro da família (…)”. Esse documento sublinhou que, para compreender plenamente o seu mistério, a Igreja olha para a família cristã, que o manifesta de forma genuína.

AMOR CONJUGAL

Após o Concílio, São Paulo VI aprofundou a doutrina sobre o Matrimônio e a família, em particular com a encíclica Humanae vitae, na qual destacou o vínculo intrínseco entre amor conjugal e a geração da vida, salientando que os filhos são “o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.

Já São João Paulo II dedicou especial atenção à família por meio das suas catequeses, cartas e, sobretudo, pela exortação apostólica Familiaris consortio. Ele definiu a família como “caminho da Igreja”, oferecendo uma visão de conjunto sobre a vocação ao amor do homem e da mulher, além de propor as linhas fundamentais para a pastoral familiar e a presença da família na sociedade.

Na encíclica Deus caritas est, o Papa Bento XVI retomou o tema da verdade do amor entre o homem e a mulher, que se vê iluminado plenamente apenas à luz do amor de Cristo crucificado. Ele sublinhou que “o Matrimônio baseado em um amor exclusivo e definitivo torna-se o ícone do relacionamento de Deus com o seu povo e, vice-versa, o modo de Deus amar se torna a medida do amor humano”.

CAMINHO DE SANTIDADE

A Igreja também ensina que o sacramento do Matrimônio é um meio pelo qual o ser humano pode responder ao chamado universal de Deus à santidade. No entanto, a graça recebida quando os esposos se unem sacramentalmente sob a bênção de Deus não opera de forma “mágica”. Ela se manifesta ao longo da vida matrimonial, fazendo da família um lugar privilegiado para a santificação.

“O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque a sua pertença recíproca é a representação real, por meio do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”, escreveu o Papa Francisco na Amoris laetitia, acrescentando que o Matrimônio é uma vocação, sendo uma resposta ao chamado específico para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. “Por isso, a decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional”, frisou.

ESCOLA DA FILIAÇÃO DIVINA

Durante uma conferência virtual realizada em 2021, a Subsecretária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida da Santa Sé, Gabriella Gambino, partiu dos ensinamentos dos papas mais recentes para ressaltar o papel das famílias e o dever educativo dos pais de fazer emergir nos filhos a identidade da filiação divina.

Casada, mãe de cinco filhos, doutora em Bioética e professora do Pontifício Ins- tituto Teológico João Paulo II de Ciências do Matrimônio e da Família, em Roma, Gabriella recordou que, assim como Jesus nasceu em uma família, em que permaneceu por 30 anos, em que cresceu em “sabedoria, idade e graça”, cultivando a vocação para a qual o Pai o enviou ao mundo, cada pessoa descobre a sua identidade filial na família.

“É na família que o ser humano vem ao mundo na condição de filho, que aprende o discurso sobre o Pai, que aprende a conhecer a Deus. A família é onde está enraizada de maneira estável suas origens e sua identidade humana e cristã”, sublinhou.

Segundo Gabriella, “a luz que envolve o mistério da família deve ser capaz de se apresentar a cada filho como um caminho de amor, uma vocação, que os pais podem, em parte, mostrar a seus filhos por meio do exemplo de sua vocação esponsal, fiel e sólida”.

MINISTROS DA GRAÇA

Gabriella afirmou que, pela graça recebida no sacramento do Matrimônio, “os cônjuges se tornam reciprocamente ‘ministros da graça’ um para o outro, dizia Pio XI, na [encíclica] Mystici Corporis Christi. Eles têm a capacidade de se tornar um ‘nós’, no qual o Espírito se torna uma fonte inesgotável de renovação, de modo que as dificuldades são superadas não pela fraqueza dos cônjuges, mas pelo poder do Espírito”.

Por fim, no capítulo da Amoris laetitia dedicado à vocação da família, o Papa Francisco afirmou que o amor vivido nas famílias é uma força permanente para a vida da Igreja. “A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, são apenas alguns dos frutos que tornam única e insubstituível a resposta à vocação da família, tanto para a Igreja quanto para a sociedade inteira”.

PRINCIPAIS DOCUMENTOS DA IGREJA SOBRE A FAMÍLIA

PAPA LEÃO XIII
Arcanum divinae sapientiae (1880)

PAPA PIO XI
Casti connubii (1930)

PAPA PIO XII
Mensagem aos participantes na Conferência Internacional sobre a Família (1958)

SÃO JOÃO XXIII
Mater et magistra (1961 – números 32, 33, 144, 173, 180, 182, 229)

SÃO PAULO VI
Humanae vitae (1968)

SÃO JOÃO PAULO II
Familiaris consortio (1981) 
Gratissimam sane (1994) 
Evangelium vitae (1995)

PAPA BENTO XVI
Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo (2004)
Aos participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família (2006)
Aos participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família (2010)
Aos participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família (2011)

PAPA FRANCISCO
Amoris laetitia (2016)

Fonte: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

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