11 de fevereiro: Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

O SÃO PAULO apresenta a história de cientistas da atualidade e de duas santas que tiveram uma carreira de sucesso neste campo do saber

Participantes do ‘Astrominas’ (Foto: divulgação)

Isadora Hwa Soon Moreira da Silva tem 15 anos, é estudante e participou da primeira edição do “Astrominas”, projeto idealizado em 2019 pela professora doutora Elysandra Figueredo Cypriano, que contou com a participação de mulheres do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG -USP). O objetivo da iniciativa é facilitar o acesso de jovens alunas à universidade, estreitando o contato dessas com mulheres cientistas e estimulando, assim, a escolha e a manutenção das carreiras de Ciência e Tecnologia.

“Conheci o projeto por uma professora que viu a divulgação e me enviou o link. Conheci mulheres diferentes, que vieram de situações nem sempre favoráveis, no mundo da Ciência. Elas me inspiram muito porque é o que eu quero fazer”, disse a adolescente.

Projetos como o “Astrominas” fazem parte de um esforço para que mais mulheres se sintam convidadas a se inserir em carreiras científicas. Em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado no dia 11 de fevereiro.

Segundo Isadora, o curso realizado em 2020 foi importante para aprender novos conceitos, mas, sobretudo, para ajudá-la a perseguir com mais determinação o seu sonho: ser médica especializada em Neurologia.

“O Astrominas apresentou-me o mundo da pesquisa científica, que eu não conhecia. Antes, eu queria ser neurocirurgiã e hoje eu vejo a pesquisa como uma opção”, disse em entrevista ao O SÃO PAULO.

Determinação

Daniele Honorato Pereira, 20, foi bolsista do “Astrominas” de setembro de 2019 a agosto de 2020. Durante o Ensino Básico, ela estudou em escolas públicas, participou de concursos de Matemática, Física e Português. Por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), conseguiu participar do Programa de Iniciação Científica Jr. Ela sempre teve interesse pela área das Ciências Exatas, em especial por Astronomia.

“A paixão veio de revistas, livros, séries e documentários. Após o Ensino Médio, ingressei no Bacharelado em Astronomia no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Foi uma conquista, pois cursei meu terceiro ano em uma escola estadual de periferia, sem muitos recursos, o que me fez estudar para o vestibular por conta própria”, explicou à reportagem.

Daniele desenvolve iniciação científica na área de Ensino e Divulgação desde 2019 e atua como bolsista do Projeto Cecília, um programa de extensão oferecido totalmente a distância pelos três departamentos do IAG-USP, para turmas formadas por estudantes da rede pública que cursam o 9º ano do Ensino Fundamental II, ou o 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio.

Voluntária no “Astrominas”, Daniele deseja contribuir com o ensino de Astronomia, e para democratizar a igualdade de oportunidades para homens e mulheres em carreiras de Ciência e Tecnologia.

Sobre o Astrominas

Devido às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a proliferação do novo coronavírus, a primeira edição do Astrominas começou em junho de 2020 e ocorreu ao longo de cinco semanas, de segunda a sexta-feira, de modo virtual.

O projeto recebeu mais de 10 mil inscrições oriundas de todas as regiões brasileiras. Foram sorteadas 600 vagas, da seguinte forma: 20% destinadas a cotas; 40% a estudantes de escolas públicas; e 40% a estudantes de escolas particulares.

“As meninas selecionadas participaram de atividades como aulas de Astronomia, Matemática, Física, Geociência e Astrobiologia. Todo o conteúdo também foi desenvolvido com experimentos, murais, palestras, conversas e debates sobre a vida acadêmica do ponto de vista feminino. Ao fim das cinco semanas, houve apenas 10% de evasão. Os temas desenvolvidos ao longo do curso também foram compartilhados por meio de lives abertas ao público nas redes sociais. Acumulamos mais de 7 mil seguidores”, explicou Daniele.

Sobre a participação das mulheres na Ciência, Daniele comentou sobre uma situação cotidiana que mostra o quanto ainda precisa ser melhorada: “Quando pedimos para as pessoas citarem o nome de alguma cientista, poucos conseguem responder. Quando o fazem, a maioria não se lembra de mais de um ou dois nomes. Eu pude escolher a Astronomia graças a mulheres fortes que lutaram para permanecer na Ciência. Sou grata a todas que tornaram possível essa minha escolha”, concluiu.

Mãe cientista

Fernanda Staniscuaski, 40, é bióloga, docente do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mãe de três filhos. Ela é uma das idealizadoras do Projeto Parent in Science, que surgiu com o intuito de levantar a discussão sobre a maternidade e a paternidade no universo da Ciência do Brasil. 

“A Academia, como muitos dos outros setores, é absurdamente competitiva e as pressões por produtividade são muito grandes. Conseguir um equilíbrio é bem complicado. Não queremos ‘ficar para trás’, mas não dá para seguir no ritmo que temos antes dos filhos chegarem. E aceitar isso gera frustrações, dúvidas e muitas angústias. Por isso, precisamos conversar abertamente sobre este assunto”, afirmou.

Segundo Fernanda, “a maternidade não é um obstáculo para sermos uma excelente profissional”. Ela pondera, contudo, que “a falta de apoio – pessoal, institucional e do Estado – impõe barreiras para que mães possam desenvolver suas carreiras. Faltam políticas de apoio efetivas que permitam a conciliação da maternidade e da carreira. A mãe não pode ser vista como a única responsável pelos cuidados dos filhos”.

A bióloga falou ainda do I Simpósio Brasileiro sobre Maternidade e Ciência, que aconteceu em 2018 e no qual foi lançada a campanha: #maternidadenolattes.

“A campanha teve muita repercussão e, em 2019, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) noticiou que iria implementar um campo específico na Plataforma Lattes para informação dos períodos de licença-maternidade, o que ainda não foi feito. De todo modo, foi uma vitória termos conseguido levar este assunto para dentro do CNPq”, disse Fernanda.

Outras conquistas do Simpósio foram, por exemplo, incluir a questão da maternidade em editais da área e criar grupos de trabalhos ou comitês em diferentes instituições de ensino relacionados à parentalidade na Academia.

Atualmente, o Parent in Science mantém o programa “Amanhã”, cujo objetivo é arrecadar fundos para garantir a permanência das alunas mães nos cursos de pós-graduação. A campanha de arrecadação vai até o dia 28 deste mês e quem quiser contribuir encontra mais informações em https://www.parentinscience.com/amanha.

ELAS FIZERAM A DIFERENÇA

Ao longo da História da Igreja Católica, muitas mulheres se destacaram no campo científico, como é o caso de Hildegarda de Bingen e de Edith Stein. Ambas foram monjas e deixaram um legado que demonstra o quanto a fé e a ciência não são opostas, se colocadas a serviço do bem comum.

Santa Hildegarda de Bingen

Descendente de nobre e riquíssima família alemã, Hildegarda nasceu na região do rio Reno, em 1098. Aos 8 anos de idade, foi entregue aos cuidados de monjas beneditinas. Ingressou como noviça e, quando a superior morreu, em 1136, se tornou responsável pelo mosteiro. Fundou outros dois mosteiros na Alemanha: em 1147, o de Bingen; e, em 1165, o de Eibingen.

Dotada de uma personalidade carismática e alto grau de elevação mística, ela desenvolveu uma intensa atividade literária. Adquiriu conhecimentos sobre Medicina e Ciências Naturais, que foram transmitidos por livros que escreveu sobre es\

sas matérias, reconhecidos cientificamente. Porém, destacou-se, sobretudo, no canto e na música. Foi a primeira mulher musicista da história da Igreja Católica. Morreu em 17 de setembro de 1179, no Convento de Bingen.

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

A festa de Santa Teresa Benedita da Cruz, no civil Edith Stein, copadroeira da Europa, é celebrada por toda a Igreja no dia 9 de agosto. Canonizada por São João Paulo II, em 1998, ela nasceu em Breslávia, na Polônia, em 1891, e morreu como mártir no campo de concentração de Auschwitz, em 9 de agosto de 1942.

Edith Stein dedicou-se, até 1922, aos estudos dos manuscritos de Husserl e à Filosofia. Doutorou-se em Filosofia, tendo sido uma das dez primeiras mulheres da Alemanha a obter tal título. Durante essa graduação, começou a ter os primeiros contatos com o Catolicismo e, ao ler a autobiografia de Santa Teresa D’Ávila, pediu que fosse batizada na Igreja Católica.

Exerceu intensa atividade no meio católico, como professora, conferencista, tradutora e escritora. Lecionou no Liceu Dominicano de Spira, onde passou dez anos. Em 1934, ingressou para o Carmelo alemão de Colônia, recebendo o nome de Teresa Benedita da Cruz. Em 1938, por questão de segurança, foi transferida para o Carmelo holandês de Echt.

Foi na clausura que ela escreveu um de seus livros mais importantes, “Ser finito e ser eterno”, no qual buscou aproximar as filosofias de Husserl e de Tomás de Aquino (1225-1274).

Devido ao regime nazista, Irmã Teresa e sua irmã de sangue, Rosa, foram presas e levadas para o campo de concentração de Auschwitz, onde, na noite de 6 de agosto, foram executadas na câmara de gás.

(Com informações de Paulinas e Vatican News)

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