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4º Simpósio Memória, Arte e Espiritualidade trata sobre a atualidade do legado de Cláudio Pastro

A Faculdade de São Bento de São Paulo realizou no sábado, 17, o “4º Simpósio Memória, Arte e Espiritualidade — A atualidade do legado de Cláudio Pastro”, com a participação de aproximadamente 100 pessoas, entre religiosos, pesquisadores, professores, artistas, estudantes e interessados em arte sacra e espiritualidade.

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Fotos: assessoria de imprensa do evento

O encontro, realizado pela Faculdade de São Bento, por meio dos seus grupos de pesquisa de Estética e Arte Sacra e de Estética e Arte Sacra no Brasil, integrou as homenagens pelos dez anos do falecimento de Cláudio Pastro (1948-2016), ocorrido em 19 de outubro de 2016.

“Foi uma oportunidade muito significativa de celebrarmos a memória e, sobretudo, a atualidade do legado de um dos mais importantes artistas sacros brasileiros”, afirma a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas, coordenadora dos grupos de pesquisa de Estética e Arte Sacra da Faculdade de São Bento de São Paulo.

A atividade foi iniciada com a missa na Basílica do Mosteiro de São Bento, acompanhada por órgão e canto gregoriano, presidida por Dom Gregório de Oliveira Ferreira, diretor-geral da Faculdade de São Bento, e concelebrada pelo Padre Márcio Luiz Fernandes, teólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, também conferencista do simpósio, além de outros religiosos.

Na sequência, no teatro da Faculdade de São Bento, os participantes foram acolhidos com um café e um bolo.

A abertura solene foi realizada por Dom Gregório, que destacou a satisfação e o orgulho da Faculdade de São Bento em promover iniciativas dedicadas aos estudos da arte sacra e às relações entre memória, arte e espiritualidade. Ressaltou a importância de que se mantenha no ambiente acadêmico um espaço de diálogo entre filosofia, teologia, arte e experiência religiosa, aproximando pesquisadores, artistas, religiosos e fiéis. Lembrou também que esta já é a quarta edição do simpósio, demonstrando a continuidade e a importância desse trabalho para a Faculdade.

UM ARTISTA BENEDITINO

A primeira conferência foi ministrada pela Madre Abadessa Martha Lúcia Ribeiro Teixeira, do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz, de Itapecerica da Serra (SP), sobre o tema “Cláudio Pastro: um artista beneditino”.

Madre Martha Lúcia compartilhou aspectos muito especiais da vida, da formação artística e da espiritualidade de Pastro, com quem conviveu durante quatro décadas. O artista manteve uma ligação muito profunda com a comunidade do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz, tendo se tornado oblato beneditino, em 17 de outubro de 2004, e onde hoje está sepultado.

Um dos pontos mais interessantes e emocionantes da conferência foi conhecer um pouco mais sobre a relação de Cláudio Pastro com Madre Dorotéia Rondon Amarante, artista plástica de grande talento e primeira abadessa do mosteiro, que durante décadas acompanhou, incentivou e contribuiu decisivamente para sua formação, tanto artística quanto espiritual.

Madre Dorotéia teve um papel fundamental na aproximação de Pastro com a espiritualidade beneditina, com a liturgia e com os grandes pensadores do Cristianismo, especialmente aqueles vinculados ao movimento de renovação litúrgica. Essa formação marcou profundamente sua concepção de arte sacra, na qual a criação artística não pode ser separada da experiência da fé e da celebração do mistério cristão.

A conferência também permitiu aos participantes conhecer melhor a história da Casa São Lucas, construída por Pastro em 1989, ao lado do mosteiro, onde residiu durante nove anos. Hoje, esse espaço abriga o Memorial Cláudio Pastro, dedicado à preservação de sua memória e de parte de seu precioso acervo.

“Foi especialmente bonito perceber, por meio do testemunho de Madre Martha Lúcia, como a trajetória de Cláudio Pastro foi marcada não apenas por sua extraordinária capacidade artística, mas também por uma vida de oração, estudo, amizade e profunda espiritualidade”, comenta a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

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ARTE E LITURGIA NA PRODUÇÃO DE PASTRO

Na sequência, houve a conferência do Prof. Dr. Gabriel dos Santos Frade, teólogo, mestre em Teologia pela PUC-SP, doutor em História da Arquitetura e da Arte pela FAU-USP e editor das Edições Loyola. Gabriel foi amigo e colaborador de Cláudio Pastro, com quem produziu, entre outros trabalhos, o livro Via Sacra, meditando o mistério pascal, reunindo seus textos e desenhos do artista.

Sua palestra, intitulada A arte de Cláudio Pastro à luz da metáfora dos livros da natureza, da Sagrada Escritura e da liturgia, trouxe uma reflexão sobre as relações entre arte, teologia, liturgia e espiritualidade.

Gabriel convidou a pensar sobre questões fundamentais: qual é o papel da arte na evangelização? Como a imagem pode contribuir para o conhecimento das Sagradas Escrituras, para a experiência litúrgica e para a elevação espiritual? De que maneira a arte pode tornar sensível aquilo que, por sua própria natureza, ultrapassa a experiência imediata?

“Foi uma reflexão muito rica, que destacou a profunda unidade entre arte e liturgia na produção de Pastro, mostrando como sua obra constitui também uma forma de pensamento teológico e uma expressão viva da espiritualidade cristã”, avalia a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

Essa primeira sessão de conferências foi mediada pela Profa. mestra Christiane Meier, integrante do grupo de pesquisa e da comissão organizadora do simpósio.

Após o almoço, foi realizada uma breve visita à capela do Colégio de São Bento, situada no terceiro andar do complexo do mosteiro. A visita contou com comentários da Profa. Dra. Klency Kakazu de Brito Yang, também integrante da equipe organizadora do evento e mediadora das conferências da tarde.

“Especialista na arte beuronense, tema de suas pesquisas de mestrado e doutorado, Klency nos apresentou algumas características dessa importante tradição artística de origem beneditina alemã, desenvolvida a partir do final do século XIX e que marcou profundamente a decoração da Basílica e de outros espaços do complexo do Mosteiro de São Bento. Foi uma oportunidade muito interessante de observarmos, no próprio espaço do mosteiro, algumas das relações entre arte, arquitetura, liturgia e espiritualidade que estavam sendo discutidas ao longo do encontro”, afirma a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

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ARQUITETURA E ARTE NAS OBRAS DE PASTRO

A primeira das conferências da parte da tarde foi ministrada pela Profa. mestra Irmã Laíde Sonda, religiosa da Congregação das Pias Discípulas do Divino Mestre, arquiteta e uma das grandes referências da arquitetura sacra e do espaço litúrgico no Brasil.

Irmã Laíde foi amiga e parceira de Cláudio Pastro, com quem participou de importantes projetos, entre eles o do interior da Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, desenvolvido também com a arquiteta Regina Machado Steuer.

Sua conferência, A sinergia litúrgica entre arquitetura e arte nas obras de Cláudio Pastro, mostrou como o artista compreendia o espaço sagrado em sua totalidade. Para Pastro, arquitetura, imagem, organização do espaço, objetos litúrgicos e experiência espiritual não poderiam ser pensados separadamente. Tudo deveria constituir uma unidade a serviço da celebração e da participação dos fiéis.

“Foi muito interessante perceber como sua apresentação dialogou diretamente com as reflexões trazidas pela Madre Martha Lúcia e pelo professor Gabriel Frade, especialmente no que diz respeito à profunda relação entre arte e liturgia, um dos aspectos centrais da produção artística de Pastro”, comenta a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

PROGRAMA ICONOGRÁFICO DAS IGREJAS

Na sequência, passou-se à conferência do Prof. Dr. Padre Márcio Luiz Fernandes, sacerdote salesiano, professor da PUC do Paraná e do Studium Theologicum de Curitiba (PR), pesquisador das relações entre teologia, história, memória e arte.

Sua conferência, intitulada O programa iconográfico das igrejas como mapas da fé: o protagonismo de Cláudio Pastro, abordou o papel das imagens e da organização dos espaços sagrados como elementos fundamentais para a compreensão e a vivência da fé cristã.

Padre Márcio destacou a importância da dimensão mistagógica da arte sacra, isto é, sua capacidade de conduzir os fiéis à experiência e à compreensão dos mistérios celebrados. Trouxe também uma reflexão sobre o protagonismo de Cláudio Pastro na renovação da iconografia cristã contemporânea, especialmente no contexto das transformações litúrgicas e teológicas posteriores ao Concílio Vaticano II.

Além de pesquisador da obra de Pastro, Padre Márcio tem orientado trabalhos de pós-graduação, incluindo pesquisas de doutorado dedicadas à vida e à produção do artista.

“Esse aspecto foi especialmente significativo porque nos permitiu ampliar a reflexão para além dos testemunhos daqueles que conviveram diretamente com Cláudio Pastro. Afinal, Madre Martha Lúcia, Gabriel Frade e Irmã Laíde Sonda trouxeram relatos preciosos de sua proximidade com o artista, enquanto Padre Márcio apresentou também os caminhos pelos quais sua obra vem sendo investigada, estudada e compreendida no ambiente acadêmico”, avalia a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

FONTES INSPIRADORAS PARA PASTRO

Para encerrar a programação de conferências, Dom Marcelo Molinero, monge beneditino do Mosteiro de São Geraldo, no Morumbi, e também artista sacro, com trabalhos realizados no Brasil e no exterior, que desenvolve estudos sobre arte e arquitetura sacras, trouxe uma reflexão muito sensível e aprofundada sobre As fontes inspiradoras da criação e produção de Cláudio Pastro.

Sua apresentação destacou a formação necessária ao artista sacro, que precisa reunir conhecimento das Escrituras, da história da arte e da arquitetura cristãs, da liturgia, da iconografia e da linguagem simbólica, além, naturalmente, do domínio das técnicas artísticas.

Trouxe também uma questão muito interessante: a compreensão da atividade do artista sacro como profissão e, ao mesmo tempo, como missão. A partir desse olhar, refletiu sobre as influências presentes na obra de Pastro e sobre sua concepção integrada da arte e da arquitetura, na qual o espaço sagrado é pensado como uma totalidade.

“Foi uma belíssima maneira de encerrarmos as conferências, mostrando como o legado de Pastro continua vivo e pode inspirar também novas gerações de artistas”, disse a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas.

OUTROS DESTAQUES DO DIA

Todas as conferências foram seguidas de debates muito frutíferos. Os participantes tiveram oportunidade de fazer perguntas, apresentar comentários e conversar diretamente com os convidados, o que tornou o encontro ainda mais rico e participativo.

Ao longo do dia, as monjas do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz estiveram presentes com uma exposição de obras e reproduções de trabalhos de Cláudio Pastro, além de produtos produzidos pela própria comunidade monástica.

Já a Editora Carpintaria apresentou, entre suas publicações, o livro A história da salvação — Cenas para colorir extraídas da obra de Cláudio Pastro. Trata-se de uma proposta desenvolvida a partir do grande mural A história da salvação, realizado por Pastro na Igreja de São Bento do Morumbi, vinculada à Abadia de São Geraldo.

Esse mural reúne mais de 80 cenas relacionadas à história bíblica e à tradição cristã, e o livro apresenta 17 cenas adaptadas para colorir, acompanhadas de uma reprodução da obra original e de informações sobre seu programa iconográfico. É um trabalho que abre possibilidades muito bonitas de aproximação com a arte sacra, especialmente no campo da educação, da catequese e da formação religiosa.

Também participaram da atividade a artista Melissa da Costa Caldas, responsável pela adaptação da obra original, e o editor Felipe Sérgio Koller, responsável pela publicação.

A Distribuidora Loyola organizou uma banca especializada em livros de arte sacra, espiritualidade, filosofia e teologia. Um dos grandes destaques foi a apresentação da nova edição do Guia do Espaço Sagrado, de Cláudio Pastro, publicada pelas Edições Loyola no contexto das homenagens pelos dez anos de seu falecimento. Trata-se de uma obra fundamental para os estudos da arte e da arquitetura sacras, na qual Pastro desenvolve reflexões sobre o espaço sagrado, a liturgia, a simbologia cristã e as relações entre a arquitetura, as imagens e a celebração religiosa.

Outra presença foi da equipe educativa do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, que tem se dedicado à pesquisa, formação e acolhimento dos devotos, peregrinos e visitantes do Santuário; bem como ao estudo e à divulgação da obra de Cláudio Pastro, cuja produção artística ocupa um lugar tão importante no Santuário Nacional.

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AGRADECIMENTOS

O encerramento do simpósio foi realizado pela Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas, coordenadora dos grupos de pesquisa de Estética e Arte Sacra e de Estética e Arte Sacra no Brasil, além de professora das disciplinas de Estética e História da Arte do curso de graduação em Filosofia da Faculdade de São Bento de São Paulo.

“Foi um momento de muita alegria e gratidão. Fiz questão de agradecer, em primeiro lugar, aos nossos magníficos conferencistas, que generosamente aceitaram o convite e nos proporcionaram um dia tão especial, compartilhando seus conhecimentos, suas pesquisas e, em muitos casos, suas próprias experiências de convivência e colaboração com Cláudio Pastro”, disse a organizadora.

“Agradeci também, de maneira muito especial, às integrantes da nossa comissão organizadora, professora doutora Klency Kakazu de Brito Yang, professora mestra Christiane Meier, professora Elisângela dos Santos de Jesus e professora mestra Denyse Emerich, que, juntamente com os demais membros dos nossos grupos de pesquisa, se dedicaram com enorme entusiasmo e generosidade à preparação e à realização do simpósio”, prossegui.

“Um encontro dessa dimensão exige o envolvimento de muitas pessoas, e cada contribuição, desde o planejamento da programação até os inúmeros detalhes da organização e do acolhimento dos participantes, foi fundamental para que tudo acontecesse da melhor maneira possível”.

“Expressei ainda minha profunda gratidão a Dom Gregório de Oliveira Ferreira, diretor-geral da Faculdade de São Bento, que sempre acolheu e incentivou nossas propostas e iniciativas, reconhecendo a importância de fortalecer os estudos de arte sacra e o diálogo entre arte, filosofia, teologia e espiritualidade no âmbito da instituição”.

“Fiz questão também de agradecer especialmente a Dom José Ribeiro, Dom João Batista Barbosa, Dom Rodolfo Alexandre Araújo Soares e Marisa Severino, secretária acadêmica da Faculdade, pela disponibilidade, pelo empenho e por toda a dedicação e colaboração na organização e realização do simpósio. Estendi meus agradecimentos aos demais dirigentes e coordenadores da Faculdade, às equipes acadêmica e administrativa, à equipe de manutenção e a toda a comunidade dos monges beneditinos do Mosteiro de São Bento, cujo envolvimento, generosidade e apoio foram fundamentais para que pudéssemos realizar um encontro tão bonito e significativo. Também agradeci às monjas do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz, às editoras e instituições parceiras e a todos aqueles que, de diferentes maneiras, contribuíram para enriquecer nossa programação”.

“Naturalmente, não poderia deixar de agradecer ao nosso público, que esteve presente ao longo de todo o dia, acompanhando atentamente as conferências e participando dos debates com perguntas, comentários e reflexões muito pertinentes. Foi especialmente gratificante ver o teatro cheio e perceber o interesse e o entusiasmo com que todos acolheram a proposta do encontro”, prossegue a professora.

“Encerramos o simpósio com um sentimento muito bonito de realização e gratidão. Mais do que prestar uma homenagem à memória de Cláudio Pastro, conseguimos reunir pessoas de diferentes áreas e experiências em torno de uma reflexão comum sobre a arte, a liturgia, a beleza e a espiritualidade. Foi um dia de muito aprendizado, de trocas generosas, de reencontros e de novas aproximações. Um encontro que certamente permanecerá na memória de todos nós e que reafirma a importância do diálogo entre a Igreja, a academia e as artes. Saímos muito felizes e agradecidos, com a certeza de que a obra de Cláudio Pastro permanece viva e continua nos convidando a pensar sobre a beleza, a arte e sua profunda relação com o sagrado”.

“Esperamos que esse tenha sido mais um passo importante na continuidade dos trabalhos de pesquisa, estudo e divulgação da arte sacra desenvolvidos pela Faculdade de São Bento, fortalecendo os laços entre a comunidade acadêmica, os artistas, os religiosos e todos aqueles que reconhecem na arte um caminho privilegiado de encontro com o sagrado”, afirma, por fim.

*O texto foi enviado à redação do jornal O SÃO PAULO pela Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas, coordenadora dos grupos de pesquisa de Estética e Arte Sacra da Faculdade de São Bento de São Paulo. Ela informa que foi produzido a partir de seu relato oral, com organização, revisão e consolidação textual realizadas com o auxílio do ChatGPT, da OpenAI, a partir do relato e dos materiais fornecidos pela autora.

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