‘Aos 80 anos, as palavras fundamentais são: louvar, agradecer, perdoar e pedir perdão’

O SÃO PAULO homenageia o sacerdote de 80 anos que evangelizou diferentes gerações

Por Fernando Geronazzo e Roseane Welter

Conventinho SCJ

José Fernandes de Oliveira, o Padre Zezinho, da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Padres Dehonianos), completou 80 anos de vida este mês, no dia 8. Cantor, compositor, escritor, professor e catequista, ele tem reconhecida contribuição para a evangelização bíblica, teológica e catequética por meio de suas canções, pregações e escritos.

Nesta entrevista ao O SÃO PAULO, Padre Zezinho fala de fé, da sua trajetória de vida e reafirma seu compromisso do sacerdócio: “Tornei-me padre para repercutir a catequese católica”.

O SÃO PAULO – São 80 anos de idade e 55 anos de sacerdócio. O que significa esse tempo na vida do senhor?

Padre Zezinho – Significa que devo continuar seguindo o que busquei e buscando a humildade de quem não é mais do que os outros ministros do Senhor! Chego aos 80 anos querendo saber mais sobre Deus, sobre o ser humano, sobre os povos, sobre religiões, Igrejas, sobre Ciência, História, Sociologia e Psicologia. Chego aos 80 anos sabendo que aos 80 anos as palavras fundamentais são: louvar, agradecer, perdoar e pedir perdão. Entendo que isto é espiritualidade. Então, eu louvo, agradeço, perdoo e peço perdão.

As realizações mais conhecidas do senhor ocorreram no campo da comunicação. Isso aconteceu casualmente ou foi buscado de forma consciente?

Foi decisão consciente! No início do sacerdócio, fui me conscientizando da importância dos meios de comunicação na Igreja. Então, decidi que queria ser comunicador das massas e uma pessoa de linguagem simples e acessível ao povo de Deus. Por isso, minhas canções, meus livros e artigos são simples para que todos entendam.

Como o Concílio Vaticano II influenciou os trabalhos que o senhor realizou?

Creio que os 32 anos de professor de Comunicação e os 52 de missionário e catequista disseram mais do que minhas canções. Eu sempre quis repercutir o Concílio Vaticano II. Fiz disso minha missão em cada canção ou artigo que publiquei.

O senhor deixa um grande legado musical, bíblico, teológico e cultural para a Igreja do Brasil. Qual é a centralidade em sua vida como sacerdote e artista?

Deixei um legado de muita leitura e muito aprendizado, porque nunca parei de ler e estudar! A Bíblia e os documentos da Igreja Católica me tornaram um ávido leitor. Desde 1964, sem nenhum exagero, devo ter lido ou consultado quase mil livros. Eu consultava a sabedoria dos outros e com eles pregava sobre Jesus e sobre direitos humanos. O jeito deles de falar da Bíblia e das religiões determinou o meu ecumenismo e o meu jeito de comunicar a catequese católica.

Como o senhor realizou todos esses trabalhos sem perder de vista a dimensão essencial do sacerdócio? O que sustenta o senhor como padre?

Acho que a dimensão de moderação esteve sempre presente. Respeito que foi mais longe. E fui até onde a Igreja me permitia. Não inventei novas liturgias e nunca me filiei a nenhum partido político ou ideologia. Se isso é ser um padre em cima do muro, que seja. O dado não tem apenas dois lados! Aprendi com o poliedro, que me parece mais cristão…

Como avalia a sua trajetória na Comunicação na Igreja?

Eu sempre quis aprender mais com os sociólogos e teólogos católicos. Sou um padre que canta e não um cantor que é padre. A música é minha ferramenta para falar de Deus.

Como comunicador, como avalia o percurso da produção musical hoje?

Acho que há muitas músicas de conteúdo na liturgia de agora. Todos aprendemos uns com os outros!

Sobre as chamadas “missas- -show”, qual a orientação do senhor para os padres cantores?

Acredito que o espaço da missa não é show. A missa não é lugar para o sacerdote se mostrar, a missa é para evidenciar o povo em oração. A mensagem é que o padre não seja o personagem principal, pois quem deve vir em primeiro lugar é Cristo, o povo e, em terceiro lugar, o padre! Eu nunca as fiz. Se há bispos que permitem, é sinal de que nas suas dioceses eles admitem novas maneiras de subir ao altar ou ao púlpito. Isso é decisão de cada bispo! Não sendo de outras dioceses, eu nunca acrescentei nenhuma liturgia!

Quais são os sonhos do senhor daqui para frente?

Pretendo ser criativo e obediente aos bispos e ao Papa. Prometi isto em 1966! Tornei-me padre para repercutir a catequese católica. Continuarei fazendo exatamente isso, na linha da Doutrina Social da nossa Igreja. Estou longe de ser um padre superavançado e também estou muito longe de ser um padre conservador. Eu acredito em dialogar!

BIOGRAFIA E CARREIRA

José Fernandes de Oliveira, o Padre Zezinho, SCJ, nasceu em 8 de junho de 1941, em Machado (MG), e cresceu em Taubaté (SP).

Aos 11 anos, ingressou no Seminário da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Padres Dehonianos).

Estudou Filosofia em Brusque (SC), entre 1961 e 1962, e Teologia, em Hales Corners, Milwaukee, nos Estados Unidos, de 1963 a 1966; sendo ordenado neste país, em 1966, aos 25 anos de idade.

Começou a compor em 1964 e iniciou sua carreira de cantor em 1967.

É autor de mais de 3 mil canções, além de ter gravado álbuns em mais de cinco idiomas, com letras que falam sobre família, juventude, problemas sociais, dogmas da Igreja e temas bíblicos. Em 1969, gravou seu primeiro LP “Cristo inconstante”, e em 1970 lançou o primeiro compacto “Canção da amizade”, com quatro composições.

Publicou 140 livros – o primeiro em 1970, intitulado “Alicerce para um mundo novo” –, além de centenas de artigos.

Apresentou programas de rádio e televisão.

Recebeu discos de platina, ouro e diamante. Em 2010, foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Cristã no Brasil”.

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