Casa Bom Samaritano completa um ano de atividades na acolhida de migrantes

Casa Bom Samaritano completa um ano de atividades na acolhida de migrantes
Divulgação /AVSI

Na sexta-feira, 4, foi inaugurado o Centro de Acolhida Casa Bom Samaritano, um espaço voltado para a acolhida de migrantes no bairro Lago Sul, em Brasília (DF). No terreno, está a casa que anteriormente abrigou a Edições CNBB e os assessores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) residentes da capital federal. Na celebração do primeiro ano de atividades da obra, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) produziu três vídeos com depoimentos de pessoas assistidas.

A diretora do IMDH, irmã Rosita Milesi, afirmou que “a Casa Bom Samaritano é um espaço muito especial, agradável à alma e ao coração, espaço de fraternidade”. Ela refletiu também sobre a dedicação ao serviço de migrantes e refugiados. Se esta já é uma ação profundamente humanitária, “estar ao lado, muito próximos, convivendo e partilhando o dia a dia é um aprendizado, é uma oportunidade que Deus nos dá e que a missão nos propicia de dar um pouco de nós e receber muito deles para nosso crescimento e para, juntos, buscarmos espaços e condições de vida com dignidade e autonomia para estas pessoas em busca de segurança, alimento e paz”.

A acolhida dos migrantes teve início em maio de 2021, integrando o projeto “Acolhidos por meio do trabalho”. A iniciativa é implementada pela AVSI Brasil, em parceria com o IMDH/Fundação Scalabriniana, Fundação AVSI e AVSI-USA, com o financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos EUA e com apoio da CNBB, que cedeu o espaço.

A Casa Bom Samaritano tem por missão ser um local de acolhida e integração de famílias migrantes e refugiadas, oferecendo assistência humanitária, laboral e sociocultural, no apoio à integração local das pessoas acolhidas. O acolhimento se estende por até 3 meses.

O coordenador da Casa Bom Samaritano, Paulo Heider Tavares, lembra o caminho de crescimento vivido pela equipe da Casa neste período. “Este primeiro ano de atividades na Casa Bom Samaritano trouxe um crescimento pessoal para mim e para toda a equipe envolvida. Foi e está sendo um grande aprendizado desenvolver ações que transformam a vida dessas pessoas. Aqui nós percebemos a ação misericordiosa do Pai e, ao mesmo tempo, sinto-me provocado a uma abertura total para acolher e servir os mais necessitados”, destaca o coordenador.

Testemunhos

Nos vídeos apresentados para a celebração do primeiro ano de atividades, três migrantes venezuelanos contam um pouco de sua origem e da experiência de acolhida pela casa. Consideram a casa e a acolhida como “um verdadeiro milagre”, também “uma oportunidade” que Deus e as pessoas oferecem para superação e realização de sonhos. Com tempos diferentes para conseguir a inserção no mercado de trabalho, demonstram esperança, na certeza de que “a todos Deus nos dá uma resposta favorável”.

Conheça mais sobre a casa

Após sua inauguração em fevereiro de 2021, o Centro de Acolhida Casa Bom Samaritano recebeu grupos de famílias, onde tanto os pais quanto as crianças têm uma oportunidade específica de atendimento, visando seu desenvolvimento humano integral. Para isto, um programa especial vem sendo desenvolvido, onde todos os membros da família recebem atenção em várias dimensões: formação, atenção integral às crianças, capacitação para o trabalho, acompanhamento em casos de alguma enfermidade ou necessidade de atenção à saúde, momentos diários de oração, atenção psicológica e orientação jurídica.

A casa oferece um trabalho integral e organizado com metodologia de cogestão, isto é, os acolhidos participam a fim de que este período de vivência ofereça às pessoas oportunidade de participar num processo metodológico colaborativo.

A casa possui 94 leitos. Contudo, a capacidade de acolhimento das famílias comporta que se destine um quarto (com 6 leitos) para cada família, independentemente do número de pessoas que a compõem. Isso significa que o número de pessoas acolhidas normalmente não é o correspondente ao número de leitos. Esta metodologia de uma família em cada quarto, embora possa representar que leitos fiquem temporariamente desocupados, visa respeitar a individualidade e a privacidade que o grupo familiar necessita e merece como princípio de respeito a um espaço digno para a intimidade de cada família.

Os migrantes e refugiados acolhidos são oriundos dos estados do Amazonas e Roraima, diretamente para o Centro de Acolhida. O Centro não é um abrigo aberto à população, mas um projeto específico, com programação e metodologia apropriadas, para integrar famílias que se encontram nos referidos estados e que buscam uma oportunidade de inserção em localidades diversas no país, e que isto se insira no projeto “Acolhidos por meio de Trabalho”, de modo a viabilizar sua inserção laboral e autonomia cidadã.

Fonte: CNBB

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