Em debate no Mutirão de Comunicação: a ‘era do onlife’, ecologia das mídias e ecossistemas à luz da Fratelli tutti

Encontro aconteceu no fim de semana, de modo on-line

Divulgação

Durante a 12ª Edição do Mutirão de Comunicação, realizado entre os dias 23 e 25, uma das temáticas tratadas foi a “Era do onlife: real e virtual se (com)fundem. Também na Igreja?”, com a conferência do jornalista e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Moisés Sbardelotto.

Sbardelotto falou do impacto ecológico do digital, das relações sociais e do conhecimento. Ele afirmou que o digital é uma realidade humana encarnada no planeta, na vida, nas existências porque é uma realidade sociocultural.

“A conectividade se tornou uma dimensão existencial, vivemos conectados, praticamente nunca deixamos de estar conectados, mesmo quando a gente está longe das telas. Mesmo com o celular tá desligado a nossa vida on-line continua lá ativa. As pessoas continuam dialogando conosco, embora, a gente não esteja na frente da tela”.

Para Sbardelotto, os aspectos socioculturais também vão dando novos significados pra essa realidade humana encarnada.

“Sendo uma realidade humana encarnada, o digital também pode ser pensado como logos teológico, um lugar teológico, um ambiente de experiência do sagrado, do religioso e, do ponto de vista cristão, também da presença de Deus, um ambiente de encontro com o Senhor. Sabemos que o nosso trabalho como comunicador e comunicadora cristãos, como Pascom, esse também representa a nossa comunicação como um caminho, uma forma de encontro das pessoas com a pessoa de Jesus. Isso também pode ocorrer, portanto, no ambiente digital, desde que nós pensemos esse ambiente digital por parte da realidade humana, então ambiente paralelo, uma realidade a parte”.

Ambiente digital e virtual

O conferencista conceituou também que a realidade manifesta virtualidade e que toda virtualidade é real. “Quando a gente fala do digital, isso não significa que é sinônimo de virtual. Nem tudo que está no ambiente digital é virtual e mesmo estar no ambiente digital sendo virtual, continua sendo real. Então, aquela dicotomia entre real e virtual, não faz sentido nenhum sob nenhum ponto de vista e, de preferência, evitem falar de virtual como específico do ambiente digital”, apontou.

De acordo com Sbardelotto, a humanidade está cada vez mais conectada na era digital e, portanto, essa é a condição do “onlife” – de perceber a relação da vida biológica, social com o virtual.

“É levar em conta quem está do outro lado da tela, dialogar com essas pessoas, entender quem elas são, quais suas necessidades, quais são seus sofrimentos, quais sãos as suas alegrias. E com isso, promovendo uma comunicação interpessoal, pessoa a pessoa na presença da Pessoa com maiúsculo, que é Jesus, a gente pode viver então essa comunicação integral, complementar que fortalece as nossas próprias comunidades presenciais, portanto. Então, como síntese, é isso: a gente tem que abandonar essa lógica do ‘ou’ . ‘Ou é digital ou é real’, ‘ou é online ou é offline’, esses dualismos, isso não nos ajuda no ponto de vista pastoral. Como a própria tradição católica sempre fez, ao longo da história, é preciso trabalhar com a lógica do ‘e’. É como promover uma boa comunicação, no ambiente digital e também no ambiente presencial, pensar justamente essa integralidade nos processos”.

Retomar as rédeas do mundo

A segunda conferência do sábado, 24, foi conduzida pelo doutor em Ciências da Comunicação e professor da PUC de São Paulo, Norval Baitello Júnior. O tema foi “Retomar as rédeas do mundo: o humano-cristão nos novos ecossistemas à luz da Fratelli tutti”.

O professor fez uma análise de questões elementares da comunicação. Desde a comunicação primária, que é a comunicação dos corpos presentes no mesmo espaço, no mesmo tempo, até a comunicação terciária que é aquela que veio por meios técnicos, eletrônicos. “Todos esses recursos que vieram enriquecer repentinamente as nossas possibilidades de comunicação”, destacou.

Baitello Júnior falou sobre amor, no seu mais amplo sentido, vínculo, interação, contato físico, fraternidade, amizade, cuidado para explicar a relação com o outro, da inclusão de todos e de retomar as rédeas.

Segundo o professor, não se pode perder a esperança de construir um mundo melhor para a inclusão e não da exclusão absoluta das maiorias.

“Tomar consciência é retomar as rédeas do mundo, significa tomar consciência. Amor é vínculo, irmão é o outro, cuidar é a prevenção, é obrigação, todos e ó oikos, é nosso urgente. Um mundo são pedras fundamentais, alicerces para um mundo inclusivo igual. Somos todos irmãos. Este mundo não está dado, ele está aí para ser construído, está em nossas mãos do mercado, não está nas mãos das conexões. Está nas mãos dos humanos de todos os credos. Retomar as rédeas, construir a nossa casa, o nosso oikos. Um verdadeiro ecossistema que abrigue todos com amor. O planeta pertence a todos e não 1% que o explora e nos explora. Retomar as rédeas é criar, de fato, um mundo de amor, de vínculos, de alteridade com o outro, que inclui outro, de prevenção, que implica em obrigação e compromisso para todos, a casa de todos. Isto significa retomar as rédeas”, disse.

Ecologia das mídias

As atividades do sábado, 24, no Mutirão de Comunicação foram encerradas com a mesa-redonda “Ecologia das mídias e nas mídias católicas”, comandada pelos professores doutores Adriana Braga, da PUC-Rio, e Jorge Miklos, da UNIP.

Adriana Braga explicitou um pouco do conceito de Ecologia das mídias e apresentou o pensador Marshall McLuhan, que primeiro uniu as palavras mídia e ecologias e falou também da ecologia das mídias e os fundamentos religiosos. Já o professor Jorge Miklos tratou sobre a ecologia da comunicação na agenda midiática do Papa Francisco.

Miklos apresentou o conceito de Ecologia da Comunicação a partir dos estudos do comunicólogo Vicente Romano. “Ele falava que comunicação e cultura são conceitos que caminham indissoluvelmente unidos. Para conhecer uma cultura é preciso entender o que se desenvolve no processo de comunicação”.

O Mutirão de Comunicação 2021 foi promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com trabalhos da Pascom Brasil, Signis Brasil e Rede Católica de Rádios e patrocínio da Agência Parábola, CiaTicket, Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Magnificat e apoio da Lumina Viagens e Turismo, PUC Minas e Arquidiocese de Belo Horizonte.

(Com informações de CNBB)

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