Escritora mineira reúne crônicas sobre a vida de Dom Luciano Mendes de Almeida

Escritora Margarida Drumond de Assis (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

“Dom Luciano, pastor e irmão” é o título da trilogia de crônicas sobre Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, Arcebispo de Mariana (MG), falecido em 2006, e que, entre 1976 e 1988, foi Bispo Auxiliar de São Paulo.

Nas obras, a escritora mineira Margarida Drumond de Assis reúne crônicas sobre o Arcebispo que foram veiculadas entre os anos de 2001 e 2016 na rádio 9 de Julho, da Arquidiocese de São Paulo, e na Rádio Educadora de Coronel Fabriciano (MG). Em 2010, Margarida já havia escrito a biografia “Dom Luciano, Especial Dom de Deus”.

“Com as 230 crônicas que reuni nos volumes dessa trilogia, trago para mais perto as muitas pegadas deixadas pelo saudoso arcebispo que muito fez no cumprimento da máxima dos jesuítas, lembrando o fundador Santo Inácio de Loyola, ‘tudo para a maior glória de Deus’”, destacou a autora, sublinhando que o processo de beatificação de Dom Luciano está em andamento desde 2014, e, por isso, ele é considerado um Servo de Deus.

Ainda segundo a escritora, no “tudo” que Dom Luciano dedicava para glorificar a Deus, “cabia-lhe permanecer acordado horas a fio durante a noite, porque saía a visitar doentes nos hospitais; andar pelas praças a acudir alguém no frio da noite; chegar à sua casa e, antes de ir descansar, esquentar uma sopa para servir aos pobres que lá o esperavam, certos de que seriam carinhosamente alimentados: e então lhes chegavam o alimento para o físico e também o alimento afetivo”.

MEMÓRIA VIVA

“As crônicas de Margarida, a respeito da bela vida de Dom Luciano, atuam como um instrumento eficaz, indo ao encontro do povo que nosso Bispo tanto amou, em nome de Jesus, para tornar viva, em seu meio, a memória de alguém que foi fazendo de sua vida uma verdadeira obra de arte”, destacou o Padre Edélcio Serafim Ottaviani, da Arquidiocese de São Paulo, no prefácio do 1º volume da obra.

Já o Padre Vanderlei Santos de Sousa, missionário redentorista, escreveu no 2o volume que, nas crônicas, é possível encontrar “o testemunho de um pastor que, junto às multidões em oração, adentrando os casebres das periferias na Arquidiocese de São Paulo ou nos rincões das Minas Gerais, transmitia o anúncio do Evangelho do Bom Samaritano: acolhida e inclusão dos caídos e a escuta dos sons diversos da voz de Deus”.

“Com estas preciosas crônicas, Margarida Drumond nos dá a graça de recordar, para deleite da alma e para a vivência da fé, a vida deste

Servo de Deus que soube, em tudo, com humildade, bondade e espírito de serviço, fazer a vontade de Deus, sendo imbatível ‘doutor em caridade e apóstolo dos pobres’”, enfatizou o Padre Marcelo Moreira Santiago, Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Mariana.

TESTEMUNHO DE SANTIDADE

O lançamento da trilogia aconteceu no dia 27 de agosto de 2021, durante a missa pelos 15 anos de falecimento de

Dom Luciano, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, na Paróquia São José do Belém, na zona Leste, onde o Servo de Deus iniciou seu ministério episcopal.

“No feliz resultado da pesquisa e nas reflexões que a escritora sugere a partir do múnus deste pastor que marcou profundamente a vida da Igreja, com ênfase à CNBB, o leitor perceberá o quanto Dom Luciano, de fato, viveu a santidade em todas as situações”, ressaltou Dom Odilo, na ocasião.

LEIA, A SEGUIR, TRECHOS DE ALGUMAS DAS CRÔNICAS PUBLICADAS NA TRILOGIA:
De um expoente nome da Igreja Hoje quero lhe falar,
Luciano Pedro Mendes de Almeida, Que no Rio de Janeiro nasceu

No ano 30 do século XX, 5 de outubro. Candido e Emília, dedicados pais, Deram-lhe sólida formação,
E a vivência de Igreja da querida mãe Impregnou de bons exemplos os filhos, Em especial Luciano.

Já em sua Primeira Comunhão Demonstrou o que almejava na vida: “Quero ser padre, mas padre aviador”,
E padre ele foi, também Bispo, Arcebispo;
Já aviador, não, mas muito voou Para atender aos que estavam em locais distantes;

O aconselhamento, a serenidade e a sabedoria,
Que lhe eram tão peculiares, Mostravam-se necessários em decisivos momentos.

[…]
Em questões polêmicas,
Nas quais a Igreja precisava se posicionar:
Aborto; pena de morte; ataques aos indígenas;
Acusações a padres, leigos, missionários;
Documentos da Igreja, Privatização de empresas, temas políticos, até,
Tudo sabiamente explicava o Arcebispo Luciano.

Tocada como fui com a história de vida de Dom Luciano e também sensibilizada pela forma como tudo aconteceu de eu vir a escrever sobre ele e a Igreja de seu tempo, um convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na pessoa do Revmo. Dom Odilo Scherer, em 2005, em sua época de Bispo Auxiliar de São Paulo e Secretário Geral da CNBB, a mensagem que ele deixou ficou impregnada em mim. Sua vida corajosa de tanto amor e despojamento demonstrados, na ajuda ao outro e à Igreja, constantemente me desperta para novos escritos.

“No mais profundo da consciência, nunca senti o vazio nem a escuridão. Deus sempre estava presente, confidente de todas as horas, sustentando a esperança e dando a paz.” É com este pensamento de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida que hoje, transcorridos quinze anos de seu falecimento e em seu nonagésimo primeiro aniversário, o reverencio in memoriam. De fato, pela sua presença, se percebia que ele passava ao outro não a escuridão e sim a luz: o seu olhar e humildade no jeito sereno de ser emanavam a plenitude do amor. Por sua extrema identidade com o Pai, que lhe sustentava a esperança e a paz, Dom Luciano “foi a prova de que o amor tem nome, tem rosto, o amor tem coração”.

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