Faltam chuvas e sobram preocupações sobre o abastecimento de água e de energia elétrica

Reservatórios de hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste estão com o mais baixo nível de armazenamento desde 2001. Maior interligação dos sistemas de distribuição diminui os riscos de racionamento de água para o consumo humano; consumidores são chamados ao uso consciente destes recursos

Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico

O volume de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País entre novembro de 2020 e abril foi o menor registrado nos últimos 91 anos e a situação não deve ser diferente nos próximos meses.

O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) alerta para a emergência hídrica na região da Bacia Hidrográfica do Paraná, onde estão os estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, e aponta que “as perspectivas climáticas para 2021/2022 indicam que a maior parte da região central do país, a partir de maio até final de setembro, entra em seu período com menor volume de chuvas (estação seca)”.

Alerta para o desabastecimento de energia

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios das hidroelétricas das regiões Centro-Oeste e Sudeste estavam ao fim de maio com armazenamento médio de 32,10%, o mais baixo desde 2001, ano que houve o apagão da energia elétrica no Brasil.

Na sexta-feira, 4, o ONS, em uma nota técnica, informou que a falta de chuvas pode levar à perda do controle hidráulico dos reservatórios da bacia Paraná no segundo semestre, o que implicaria em restrições no atendimento energético nestas duas regiões e também no Sul, e que os reservatórios devem chegar “ao final do período seco com níveis críticos de armazenamento”. No documento, o ONS indica medidas para que se assegure o atendimento eletroenergético em 2021 mesmo neste contexto.

Também o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) já indicou que “há risco de comprometimento da geração elétrica para atendimento ao Sistema Interligado Nacional (SIN)”.

Atendendo a um pedido da CMSE, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou em 1o de junho situação crítica de escassez de recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Paraná. Com isso, a agência poderá definir condições provisórias para a operação de sistemas hídricos ou reservatórios, a fim de “assegurar os usos múltiplos da água e buscar a segurança hídrica”.

Na ocasião, a ANA também indicou que redução dos níveis dos reservatórios deve impactar na geração hidrelétrica, turismo, lazer e navegação.

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Mais caro para o consumidor

O governo federal tem refutado qualquer risco de desabastecimento no País. Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que além do uso das térmicas, não se descarta importar energia da Argentina e do Uruguai.

Para poupar a água dos reservatórios, o governo autorizou a maior produção de energia a partir de termoelétricas, cujo custo é mais caro que o das hidrelétricas. Também a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que se aplique neste mês a bandeira vermelha 2 na tarifa de energia, adicionando assim à conta do consumidor R$ 6,24 a cada 100 kwh consumidos.

Alternativas

Fonte: Absolar

Em recente entrevista ao portal G1, o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que nos próximos anos haverá expansão da geração de energia em parques eólicos e solares, bem como de termelétricas movidas a gás natural, o que poderá deixar a conta mais barata ao consumidor final.

Na Câmara dos Deputados, tramita o PL 5829/19 para a criação do Marco Legal da Geração Distribuída Solar. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, com aumento da produção energética por essa fonte se economizará R$ 150 bilhões até o ano de 2050 com as termelétricas e outros R$ 23 bilhões com a redução de perdas na transmissão, distribuição e geração da energia em usinas de grande porte, que, de modo geral, estão distantes dos locais de consumo.

Fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, uma consultoria especializada em assuntos estratégicos para o setor de energia, Adriano Pires comenta em artigo no jornal O Estado de S.Paulo – que pode se lido neste link https://cutt.ly/cncjBij  – que o atual modelo majoritário de geração de eletricidade no Brasil conduz a volatilidades nos preços e riscos de novos apagões.

Pires defende que a médio e longo prazo se fortaleça o uso das fontes renováveis, como a eólica e solar, bem como das termoelétricas a gás, o que levará à redução das despesas com o acionamento das térmicas a óleo e diesel; manterá os níveis dos reservatórios de água, reduzirá o impacto das bandeiras tarifárias e levará ao aumento da segurança elétrica, deixando o uso das térmicas a óleo apenas para regiões remotas ou para equacionar a oferta conforme a demanda de consumo.

Pode faltar água para consumo?

Fonte: Sabesp

No mesmo informe de 1o de junho, a ANA assegura que apesar da escassez de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, “não se espera, num primeiro momento, que ocorram problemas de falta de água para os usos consuntivos, como o abastecimento humano e a irrigação”, mas não descarta que “poderão ser necessárias adaptações nas estruturas de captação de água para se adaptarem ao nível, que poderá ficar mais baixo”.

Desde dezembro, o Sistema Cantareira opera em situação de atenção, ou seja, entre 40% e 59% de seu volume, e entre 1o de abril a 1o de junho houve uma queda de 5,2% no nível desse que é o principal sistema na Região Metropolitana de São Paulo.

Em nota à imprensa, em maio, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) descartou qualquer risco de desabastecimento na Região Metropolitana, uma vez que o sistema está integrado e permite transferências, em especialmente após obras que foram feitas durante a crise hídrica de 2014.

“Quando se compara 2021 com aquele momento da crise hídrica, de fato, hoje a Sabesp tem maior flexibilidade em trazer água de uma região para outra, como por exemplo, do novo Sistema São Lourenço e acrescentar ao sistema metropolitano”, comenta, ao O SÃO PAULO, José Everaldo Vanzo, engenheiro sanitarista pela USP e que já foi diretor presidente da Águas do Amazonas e ocupou funções de diretoria na Sabesp.

Vanzo defende que se construam barragens com maior capacidade de vazão de água para a região metropolitana, se invista em tecnologias já existentes para transformar a água de esgoto em água potável, e se façam mais reservatórios. “Com reservatório, se acumula água na época de chuvas, evitando assim inundações, e haverá água armazenada para usos múltiplos na época da estiagem”, detalha.

O especialista lembra que a gestão hídrica sempre deve levar em conta a demanda por água, a oferta do recurso hídrico e o ciclo hidrológico. “Hoje o ciclo hidrológico está abalado, seja pela quantidade de chuva, seja pela regularidade. Por outro lado, a demanda é crescente. Entretanto, se não há chuva nem reservatório extra para fornecimento, se expõe a macro metrópole de São Paulo, da Baixada Santista e da Região Metropolitana de Campinas a um stress no fornecimento que só tende a crescer”, conclui.

FAÇA A SUA PARTE

Gaste menos energia elétrica
Em tempos de bandeira tarifária vermelha, simples atitudes podem gerar uma economia mensal significativa na conta de energia elétrica:
– Prefira um ventilador de mesa ou de teto ao ar-condicionado, que gasta dez vezes mais energia;
– Certifique-se de que as portas da geladeira estão fechando bem e não as abra sem necessidade;
– Evite colocar panelas quentes na geladeira (o equipamento precisará trabalhar mais pare resfriá-la);
– Não forre as prateleiras da geladeira. Elas são feitas em formato de grade para que o ar frio possa circular. Quando isso não acontece, se gasta mais energia;
– Mantenha a tevê ligada apenas quando alguém esteja a assistindo;
– Caso for se ausentar de casa por mais de um dia, desligue a chave-geral, pois isso evita o consumo por aparelhos que ficam em stand-by, como a tevê e o micro-ondas
– Tome banho rápidos e não tão quentes, pois quanto maior a temperatura da água, maior é o consumo de energia;
– Acumule roupas para passar de uma só vez e faça o uso do ferro elétrico na temperatura indicada para cada tipo de tecido.
Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica
Não desperdice água
Um estudo do Instituto Trata Brasil, a partir de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, mostrou que em todo o Brasil, apenas nas redes de distribuição, o desperdício de água é equivalente ao volume de 7,5 mil piscinas olímpicas por dia, o que seria suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano.
Além da necessidade de políticas de gestão que combatam este desperdício, cada cidadão pode colaborar, com simples atitudes:
– Não mantenha a torneira por todo o tempo aberta enquanto lava as mãos, escova os dentes ou faz a barba;
– Tome banhos curtos e enquanto você se ensaboa, feche o registro;
– Organize a louça antes de lavá-la. Use uma bacia para deixar os utensílios de molho, a fim de amolecer a sujeira, e lave toda a louça e a enxágue de uma vez;
– Só lave roupas quando a quantidade acumulada for a suficiente para encher toda a máquina de lavar. Isso também ajuda a economizar energia elétrica;
– Utilize dispositivos que ajudam na redução do consumo de água, como o arejador de torneiras, o restritor de vazão e válvulas automáticas para mictórios;
– Prefira regar plantas em horários com o sol mais ameno;
– Antes da ligar a mangueira para limpar ambientes como o quintal ou a calçada, varra primeiro. Com isso, se utilizará menos água na higienização. Sempre que possível, o faça com água de reuso, como a do enxaugue da máquina de lavar-roupa.
– Prefira limpar o carro colocando água em um balde a fazê-lo com mangueira.
– Conserte o quanto antes vazamentos de água que identifique em casa. Um buraco de 2 mm em um cano leva a um desperdício diário de 3.200 litros de água.
Fonte: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão

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