
Instituto Som Dá Vida
Viajar, trabalhar e conquistar a própria independência eram sonhos que, por muito tempo, pareciam distantes para Danilo Fernandes, 41. Pessoa surda, ele não conseguia ter em mente os caminhos que poderiam levá-lo a esses e outros objetivos.
Aos poucos, porém, as dificuldades impostas pela surdez foram deixando de ocupar o centro de sua história, enquanto crescia a vontade de estudar e construir novos caminhos. Hoje, formado em Pedagogia, Danilo mora sozinho em São Paulo e, por causa da profissão, já teve a oportunidade de conhecer mais de dez cidades brasileiras. Sua trajetória começou a mudar quando conheceu o Instituto Som Dá Vida, instituição que, desde 2022, promove o acolhimento de pessoas com deficiência auditiva, oferecendo suporte emocional, educacional e profissional. O jornal O SÃO PAULO a destaca nesta reportagem no contexto do Setembro Azul, que ressalta os direitos da comunidade surda no Brasil.
“A oportunidade que o Instituto me ofereceu foi uma forma de abrir a minha cabeça, de conhecer novas possibilidades e de entender que eu também tinha liberdade para aprender, interagir e construir o meu próprio caminho. Aos poucos, fui sendo preparado para trabalhar e me relacionar, ao mesmo tempo em que conhecia pessoas e encontrava oportunidades que antes eu não imaginava que poderiam existir para mim”, recordou o pedagogo, que atualmente é um dos voluntários da instituição.
A PARTIR DA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA

O Instituto Som Dá Vida é uma organização da sociedade civil de impacto social, fundada por Robson Soares Costa, doutor em Ciências e empresário, a partir de sua experiência como uma pessoa surda oralizada e usuária da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Com quase 7 mil pessoas beneficiadas diretamente, a instituição desenvolve projetos nas áreas de acessibilidade, cultura, capacitação, empregabilidade e geração de renda, ampliando oportunidades e fortalecendo a autonomia da comunidade surda. Também atua junto a famílias, crianças de até 12 anos, além de pessoas com deficiência auditiva e surdez, familiares, cuidadores, estudantes, profissionais, empresas, educadores e outros interessados em contribuir para a construção de uma sociedade mais acessível, inclusiva e humana.
Robson, hoje com 53 anos, nasceu surdo e passou 12 anos em tratamento para desenvolver a oralização. Segundo ele, o acompanhamento e o apoio familiar foram fundamentais para sua formação. A experiência adquirida ao longo desse processo fez com que começasse a orientar outras pessoas, inicialmente com conversas e apoio a famílias. Depois, passou a refletir sobre como poderia devolver à sociedade parte das oportunidades que recebeu.
“Nós entendemos que trabalhamos com uma parte complementar àquilo que o Estado não consegue fazer. Nosso foco é trabalhar diretamente com as pessoas e promover o desenvolvimento humano”, explicou Robson, cuja trajetória também serviu de referência para a elaboração do plano de trabalho do Instituto.
PILARES PARA AMPLIAR OPORTUNIDADES


Com uma equipe de 11 voluntários, o Instituto Som Dá Vida atua ancorado nos pilares da frente bio-psicossocial, da educação social, das habilidades humanas e da economia solidária; e desenvolve ações voltadas à inclusão, à autonomia e à ampliação de oportunidades para pessoas surdas e com deficiência auditiva.
Na frente biopsicossocial, o trabalho busca atender necessidades que ultrapassam a questão da acessibilidade. Em parceria com outras instituições, o Instituto promove exames laboratoriais, oferece atendimento na área da saúde e realiza a doação de cestas básicas, ações que já beneficiaram cerca de 120 pessoas.
Na área da educação social, a organização investe em formação, capacitação e educação inclusiva como instrumentos para ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a cidadania. Entre as iniciativas estão capacitações em cinema e teatro. As ações já alcançaram 40 jovens com deficiência auditiva e impactaram cerca de 70 pessoas.
Por meio de parcerias com intérpretes de Libras, produtoras de teatro, projetos e espaços culturais, a organização amplia a participação de pessoas surdas e com deficiência auditiva em atividades culturais. Desde 2022, foram realizados 150 espetáculos e distribuídos 3 mil ingressos gratuitos para esse público. A organização também desenvolve e inscreve projetos em editais de incentivo à cultura, buscando ampliar a presença da comunidade surda em diferentes linguagens artísticas.
No campo das habilidades humanas e da economia solidária, o foco está na empregabilidade, no empreendedorismo, nos negócios de impacto social e na geração de renda. A proposta é criar condições para que pessoas surdas e com deficiência auditiva ampliem sua independência financeira e assumam maior protagonismo na vida profissional. Desde 2022, as ações desenvolvidas nessa frente já impactaram cerca de 500 pessoas.
Para conhecer mais sobre o Instituto Som Dá Vida, os canais de contato são o telefone (11) 99007-5924 e o e-mail do fundador robsoncosta@institutosomdavida.org.br.



