Vítimas brasileiras pedem à Bayer AG 30 milhões de euros após danos causados pelo contraceptivo Essure

Dispositivo Intrauterino causou dor pélvica, sangramento uterino anormal, perfuração de tecidos internos e complicações alérgicas ou autoimunes

Fonte: Pixabay

Um grupo de mais de 330 mulheres brasileiras enviou uma carta à Bayer AG para exigir uma indenização de 30 milhões de euros – aproximadamente R$ 184 milhões, na cotação atual – pelos horríveis efeitos colaterais causados pelo dispositivo contraceptivo Essure, da gigante farmacêutica, antes de seguirem aos tribunais alemães.

Em uma carta (originalmente chamada de “Out of Court Demand Letter”, em inglês), endereçada à sede da Bayer, em Leverkusen, o escritório internacional de advocacia PGMBM, representante legal dessas mulheres, busca um acordo extrajudicial para fazer justiça às vítimas que sofreram e ainda sofrem com fortes efeitos colaterais causados pelo dispositivo, que afetou dezenas de milhares de mulheres em todo o mundo.

O documento afirma que as alegações da Bayer sobre a segurança do Essure, aliadas ao slogan ‘Se é Bayer, é bom’, deu uma falsa segurança às vítimas de que era altamente improvável que elas sofressem efeitos colaterais negativos e inesperados, quando, na realidade, a Bayer já sabia de defeitos graves no dispositivo.

Como resultado, essas mulheres sofreram ruptura, deslocamento e expulsão do dispositivo Essure, perfuração uterina, gravidez ectópica, forte dor abdominal e sangramento, reações alérgicas, náuseas e desmaios e problemas relacionados à saúde mental, como depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.

Destacando o acordo da Bayer em ações judiciais semelhantes nos Estados Unidos, as brasileiras também buscam indenização pelos danos – muitas vezes permanentes – causados pela gigante farmacêutica, representadas pelo PGMBM e o escritório de advocacia alemão Manner Spangenberg.

“Eu sempre fui muito vaidosa. Depois de tudo isso eu não conseguia mais me olhar no espelho. Eu me achava horrível e não sabia por que eu estava sentindo tudo aquilo. Foi aí que eu entrei em depressão, mas eu não podia me dar o luxo de ficar deprimida porque tenho quatro filhos para criar. Decidi ir à luta e descobri que o Essure tinha sido proibido pela Anvisa”, relembrou Mônica Cavalcanti, vítima que implantou o dispositivo em São Paulo e está entre as 330 mulheres representadas pelo escritório. Ela ainda convive diariamente com boa parte dos sintomas.

Rosa Germano passou por uma situação parecida no Rio de Janeiro: “Me disseram que o procedimento era indolor, mas não foi. Senti muita dor e os médicos só me deram um antiinflamatório, como Advil. Em seis meses ganhei 10 quilos, desenvolvi fibromialgia nos dentes, perdi meus cílios e minhas sobrancelhas, tive dores nas articulações e fiquei impossibilitada de trabalhar”.

 “Fiz o implante em 2015. Eu e mais 16 meninas. Porque aqui no Mariska [Ribeiro] (hospital público de Bangu), eles faziam mutirão para implantar o dispositivo de uma só vez. Todas as semanas tinha de 10 a 20 meninas implantando o dispositivo Essure”, contou Rosa, que também está entre as 330 vítimas brasileiras.

A associada e advogada da PGMBM, Bruna Ficklscherer, comenta: “O Essure provou ser um dos dispositivos médicos mais perigosos a que as mulheres foram submetidas na memória recente, e os acordos da Bayer nos EUA indicam que eles reconhecem isso”.

“As evidências mostram que a Bayer estava ciente dos riscos de complicações graves, mas não informou a contento o público ou os profissionais de saúde que administravam o dispositivo. Quando a verdade veio à tona, a Bayer retirou o Essure do mercado, mas era tarde demais para as centenas de mulheres que representamos, que são apenas a ponta do iceberg das pessoas afetadas.”

 “A Bayer compensou as mulheres nos Estados Unidos por meio de um acordo. Incentivamos a Bayer a fazer a coisa certa pelas mulheres brasileiras que também sangram, choram e sentem dor”.

Em 2020, documentos exclusivos revelaram informações de uma auditoria interna da Bayer realizada em 2008, conduzida por uma empresa de consultoria independente e que alertou sobre um grande número de reclamações não resolvidas nos Estados Unidos. O Essure continuou a ser comercializado internacionalmente como uma alternativa segura às técnicas cirúrgicas por uma década, apesar desses problemas.

As mais de 330 brasileiras que são representadas nessa carta pré-ação com a Bayer tiveram o dispositivo Essure implantado entre 2010 e 2018, sem conhecimento dos reais riscos, dos quais a Bayer tinha conhecimento.

Deixadas com uma dor paralisante e enfrentando opções de tratamento limitadas, muitas mulheres tiveram que passar por várias cirurgias para remover o Essure, muitas vezes exigindo uma histerectomia total para remover os minúsculos fragmentos de metal que se soltam do dispositivo.

Fonte: Assessoria de imprensa do PGMBM

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