A blasfêmia ou pecado contra o Espírito Santo

10º Domingo do Tempo Comum – 06/06/2021

Os escribas e fariseus tinham inveja de Jesus, pois o povo o seguia. Não podendo superá-lo com argumentos, procuravam desmoralizá-lo com calúnias: “Eis um comilão, bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!”; “Ele não vem de Deus, pois não observa o sábado” (Jo 9,16) etc. Jesus os tolerou com paciência, até que foram longe demais.

Ao afirmarem que os exorcismos realizados pelo Senhor seriam obra do próprio demônio, extrapolaram o simples ressentimento e denegriram o que era manifestamente bom e divino! Chamaram de Beelzebu ao Espírito do Senhor. O Redentor lhes corrigiu: “Quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno” (Mc 3,29).  

Na Trindade, o Pai é o Ser; o Filho é a Sabedoria; e o Espírito Santo é o Amor ou Bondade. Pois bem: há pecados cometidos por “falta de ser”, por inconsistência. Somos fracos, temos a alma ferida, limitações e rachaduras como as da argila. Há pecados cometidos por “falta de sabedoria”: por ignorância; por não se atinar com a gravidade de uma ação; por não se prever as suas consequências; ou por se pensar, em boa fé, fazer um bem.

Há outros pecados, porém, que são cometidos contra a bondade mesma de Deus, com malícia e obstinação. Isso acontece quando alguém se move pela inveja, pela vingança ou pelo orgulho. Quantos persistem no mal apenas para não “dar o braço a torcer”, para não confessar humildemente: “Eu errei, e feio”! Todo pecado é passível de perdão. O pecado contra o Espírito Santo, contudo, consiste na resistência deliberada à bondade divina. Quem o pratica é como um enfermo que está diante do remédio para sua doença, mas o recusa. A única “vacina” que nos previne contra isso é a humildade. 

O primeiro pecado contra o Espírito Santo é se desesperar da própria salvação. É uma falta contra a misericórdia de Deus, que está sempre disposto a perdoar quem se arrepende. O segundo consiste na atitude oposta: presumir ser salvo sem precisar se arrepender e receber o perdão. É uma ofensa à justiça de Deus. Ambos têm raiz na atitude de se apoiar somente nas forças humanas e não no Senhor.   

O terceiro é a negação de uma verdade reconhecida como tal. Quem rejeita a verdade – como faziam os escribas diante de Jesus – já optou pelas trevas. O quarto é ter inveja das graças que Deus faz para o próximo, entristecendo-se com o crescimento do Reino de Deus no mundo. O quinto é a obstinação no pecado, isto é, a decisão voluntária de não se abandonar uma conduta sabidamente pecaminosa. Por fim, o sexto pecado contra o Espírito Santo é a impenitência final: o propósito, até ao momento da morte, de não se arrepender dos próprios pecados. 

Como se vê, não é tanto uma “espécie” de pecado que é irremediável, mas sim a atitude que se pode ter diante das próprias culpas. Com fé, arrependimento, esperança em Deus e humildade, existe remédio para qualquer pecado! Sempre é tempo! Mas com orgulho, dureza e obstinação, dizemos “não” à bondade divina.   

Colunas Relacionadas

spot_img

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe!

Últimas Colunas

Assine nossa Newsletter