Clareza na ação com os filhos

Hoje em dia, um dos maiores desafios dos pais é ter segurança e clareza na ação cotidiana com os filhos.

Desde que nascem os pequenos, parece que as dúvidas ganham espaço crescente na mente dos pais – sentem-se inseguros com manejos simples do dia a dia e, em contato com tantas orientações e técnicas que existem disponíveis no mundo virtual, acabam se sentindo “engessados” e, de algum modo, escravizados pelos desejos e sentimentos dos filhos.

Entender o porquê de tanta insegurança na formação dos filhos é o primeiro passo para poder superá-la e ganhar a clareza e a assertividade necessárias para uma boa condução desse processo. 

Vocês podem se perguntar: “É ruim termos acesso a estudos e informações, além de técnicas educativas que são desenvolvidas diariamente?”. Eu respondo: “Não seria. Se cada um de vocês soubesse com clareza os objetivos que têm na formação dos filhos, certamente teriam condições de escolha. O problema é que a maioria dos pais não tem essa visão clara dos objetivos e de como fazer para alcançá-los e acabam se confundindo com o que encontram nas redes”.

Vamos olhar para essa insegurança: o que está por trás dela?  

Vivemos uma cultura extremamente hedonista, niilista – não há verdade e o que rege as ações é o nível de conforto –, seja da criança, seja dos pais. Mesmo sem percebermos, buscamos o menor nível de desconforto possível para todos. Muitos de vocês que são pais hoje já cresceram nessa perspectiva de serem atendidos e de buscarem o conforto, o que acaba por deixá-los inaptos a enfrentar e dar suporte ao descontentamento dos filhos. Outro fator importante o conteúdo do imaginário dos pais! Reina nesse imaginário o medo: medo de traumatizar, medo de perder o amor dos filhos, de exigir coisas desnecessárias.

Para caminhar na contramão das incertezas e conseguir uma postura mais convicta e clara, é necessário que consigam formular o que querem para seus filhos. Perguntando assim diretamente, a resposta, quase unânime, será: “Quero que seja uma pessoa feliz!”. Evidentemente, essa é uma sede de todos nós, seres humanos: sermos felizes e formarmos filhos que sejam felizes. O próximo passo, então, é se perguntar: “O que é a felicidade? Que tipo de pessoa meu filho precisa ser para ser feliz?”.

Não podemos nos esquecer de que na sociedade em que vivemos o conceito de felicidade, assim como o de liberdade, encontra-se completamente deturpado. Podemos nos surpreender imaginando que somos mais felizes quanto mais conseguirmos realizar nossos desejos materiais, quanto mais sucesso profissional tivermos, quanto mais prazeres consigamos obter no dia, quando não temos nenhum compromisso ou responsabilidade séria que exija muito empenho…. ou seja, com facilidade, confundimos vida feliz com vida fácil e confortável. 

É para isso que queremos criar nossos filhos, para uma vida fácil? Temos controle sobre a vida que terão? Estarão preparados para a vida e as circunstâncias que ela apresentar ou sucumbirão ao primeiro obstáculo maior que surgir? É extremamente urgente uma reflexão séria sobre isso, especialmente tomando consciência de que as ações educativas tomadas agora, na infância e adolescência, forjarão o caráter e a postura deles. Não adianta querermos formar filhos capazes de enfrentar as dificuldades e os obstáculos da vida com força e atitude, mas acreditarmos que isso é para quando forem adultos, poupando-os agora, enquanto são “pequenos”, dos exercícios necessários para adquirir as virtudes que os capacitarão para isso.

Se querem formar pessoas felizes, fortes, resilientes, empáticas, proativas, que não desmoronem diante das adversidades, é preciso treiná-las desde cedo.

Portanto, queridos pais, busquem estabelecer os objetivos e, aí sim, terão mais clareza e coragem para agir na educação deles. Quando o objetivo é claro e vale a pena, suportamos o trabalho que ele oferece para ser alcançado, os choros e dificuldades que aparecem pelo caminho. 

A boa notícia é: vale a pena empreender esse caminho árduo, desafiador e de muita responsabilidade que é formar os filhos e, quanto antes ganharem clareza e assertividade nas ações, antes alcançarão os resultados. Além disso, a mensagem mais importante que transmitirão aos filhos é: “Amo-o tanto que abdico das facilidades, do conforto, do prazer para formá-lo bem”. Os filhos que crescem vendo a luta dos pais por lhes oferecer o melhor valorizam o que recebem, identificam a autoridade deles e levam na memória os valores plantados no peito. Mesmo que errem, que se desviem do caminho, têm claro para onde voltar. 

Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o site: www.simonefuzaro.com.br. Instagram: @sifuzaro.

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