Diante de tantas falas e falácias sobre a educação das crianças, faz-se urgente uma reflexão séria sobre a tarefa de formar as pessoas; sobre a necessidade imprescindível de formar bem o caráter das nossas crianças, das novas gerações.
Estamos vivendo tempos em que a falência da juventude no campo do trabalho e da vida pessoal tem preocupado a sociedade de modo geral. Mais do que isso, não está incomum crianças serem tratadas com quadros de ansiedade, depressão ou mesmo adicção às telas.
Cresce o número de suicídios entre crianças e adolescentes – 6% ao ano (no Brasil) entre 2011 e 2022, segundo a Fiocruz.
Professores se declaram incapazes de realizar a tarefa educativa se previamente os pais não realizaram a sua, em casa, no seio da família. Os pais claramente se percebem incapacitados de formar bem seus filhos e declaram os desafios sociais como causadores das loucuras e dificuldades que impedem um processo educativo no seio da família… enfim, o fato é que há uma percepção geral de impotência “para realizar a tarefa que é absolutamente necessária para que a criança alcance a maturidade e que seja capaz de uma conduta verdadeiramente humana, ou seja, de comportar-se livre e responsavelmente conforme a dignidade de sua condição pessoal” (Alcina Roca, José Maria in “A educação das virtudes na família”, 2024).
Estou convencida de que somente conseguiremos salvar nossas crianças, adolescentes e a sociedade em geral se resgatarmos com determinação o significado de sermos pessoas. Se compreendermos o grande potencial que marca a natureza humana e o quanto temos ficado aquém daquilo que realmente podemos ser. Como sociedade, estamos vivendo um culto ao nosso ego – aos sentimentos, desejos, ao que nos faz felizes, ao que nos realiza imediatamente. Já não alcançamos mais uma vida madura, marcada pelo altruísmo, pela capacidade de ser para o outro, para o bem comum, para o bem maior. Estamos literalmente “cada um no seu quadrado”.
O mimo vem fazendo parte integrante do processo educativo – as crianças estão sendo atendidas em tudo, estão sendo literalmente mimadas em vez de amadas. O grande problema disso é que o mimo nada mais é do que um grande ato de egoísmo, um exercício de amor a si mesmo – afinal, transformamos a criança em um objeto da nossa realização, do nosso conforto e não nos “gastamos” para formá-la como precisa ser formada. E, como triste consequência, deixamos nossas crianças “aleijadas” – incapazes de viver com a liberdade inerente ao ser pessoa.
Pais, não devemos esperar essa revolução educativa de nenhuma instituição ou do governo. Formar os filhos é dever e missão de vocês; ensiná-los a ser quem foram criados para ser, a alcançar aquilo que têm potencial de alcançar – a felicidade verdadeira, o céu, uma vida plena, virtuosa.
Para isso, não há receita pronta, afinal cada filho é único e irrepetível, uma alma a ser lapidada. Mas, sim, existem caminhos seguros, caminhos apropriados. Em primeiro lugar, tratem de conhecer as potências que temos como pessoas, não reduzam seus filhos a sentimentos e emoções – a alma humana tem inteligência e vontade capazes de ordenar e direcionar nosso sentir e nosso agir. No entanto, para que as crianças cheguem a essa meta, precisam de quem as ensine a SER; de quem transborde o seu próprio ser para que elas possam aprender com quem luta por SER.
Que linda missão a dos pais – para formar se formam, para educar se educam, para aperfeiçoar se aperfeiçoam. Não percam essa oportunidade, não permitam que seus filhos sejam menos do que podem ser por negligência ou ignorância. Busquem a excelência. Vale a pena!




