Hoje, quero convidar cada leitor que passar por aqui a uma breve reflexão: como você está lidando com o enorme fluxo de informações que inunda o seu dia, do momento em que se levanta até a hora de adormecer? Não é verdade que, em diferentes momentos do dia, nos vemos com um número tão grande de opiniões e informações que chegamos a questionar até mesmo aquilo que parecia termos convicção?
Tenho me surpreendido com o impacto que tantas informações atingem o imaginário das famílias que atendo. Muitas deixam de fazer aquilo em que acreditam, arrastadas pelas informações e, o pior, muitas vezes pelas simples opiniões que são diferentes das suas.
Muitas vezes, me perguntei: o que pode levar a este movimento de “manada”? O que faz com que as pessoas se deixem conduzir por opiniões de outras que nem sequer conhecem a fundo e não sabem em que estão se baseando para pensar como pensam? Mais do que isso: quem disse que existe receita para tudo e o que é bom para uma determinada família com sua realidade, será igualmente adequado para outra completamente diferente? Estudando, lendo e observando, chego à conclusão de que estamos vivendo como cegos, tateando e buscando caminhos sem, no entanto, termos certeza de onde queremos chegar – esse é o grande problema. Quando não temos destino certo, qualquer caminho serve e, infelizmente, as pessoas têm perdido a capacidade de pensar sobre a realidade, de identificar com clareza os objetivos e considerar em primeira pessoa os caminhos.
Se alguém diz que bater traumatiza, que deixar a criança brincar com maquiagem infantil vai torná-la fútil, que dar limite a um choro de birra vai fazer seu filho perceber-se abandonado quando chorar, que dizer “não foi nada” a um tombo infantil vai fazer a criança sentir que suas dores não importam para os pais, pronto: o dito se torna lei, ninguém mais consegue avaliar os efeitos que tais atitudes tiveram em sua própria história e decidir, com maturidade, como agir.
As pessoas se tornam escravas de opiniões e estudos na ilusão de não errarem, o que é absolutamente impossível – somos humanos e vamos errar. O mais importante é que façamos com convicção e coerência o que consideramos o melhor a cada situação de nossa vida. Para isso, precisamos ter objetivos claros e uma base sólida que nos oriente. Se somos cristãos católicos, uma antropologia cristã bem estabelecida, as orientações da Doutrina sobre família, sobre formar a pessoa. Caso contrário, andaremos por esse mar de informações como barcos à deriva, correndo sérios riscos de irmos a pique e não chegarmos ao porto.
Acreditem em mim: pais têm no coração uma sabedoria sobre sua missão, têm um vínculo natural com o filho, que os conduz com certa segurança. Claro que precisam aprender e se aperfeiçoar, mas sem perder a essência, sem se anular no processo. As correntes ideológicas atuais, altamente divulgadas na voz de muitíssimos educadores parentais, fazem os pais perderem completamente a autoridade sobre os filhos e, mais do que isso, faz com que acreditem que ter autoridade é ruim. Aqui mora a semente da desestruturação familiar – torna-se mais importante ser agradável e amável, atender aos sentimentos infantis, do que ser alguém que forma bom caráter no filho, independentemente de ser querido ou não.
Por isso, cuidado: pensem e escolham a dedo quem deixarão penetrar na sua mente e no seu coração. Sejam prudentes, reflitam com inteligência e não tenham medo de não acompanhar todas as tendências modernas de educação. Nem tudo o que reluz é ouro e nem tudo que é moderno supera em qualidade a tradição. Avaliem pelos resultados: quantos grandes homens formou a tradição e quantos temos formado nós?




