Cristo, ao sofrer, consola-nos

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR 10 DE ABRIL DE 2022

Com o Domingo de Ramos, inicia-se a Semana mais importante do ano. O ramo que receberemos na procissão deve ser colocado em um lugar visível de nossas casas. Além de abençoar o lar, ele nos recordará de que continuamos, ao longo de todo o ano, unidos ao mistério da Paixão e Morte de Cristo.

Entraremos com Jesus em Jerusalém para passar a Semana Santa ao seu lado, como num retiro espiritual. Faremos o propósito de consolá-lo espiritualmente em meio às polêmicas com os judeus, diante da traição de Judas, no Getsêmani, em sua prisão, flagelação, coroação de espinhos, humilhação pública e crucifixão. Faremos isso com a certeza de que, quando buscamos consolá-lo, é Ele na verdade quem nos consola, assim como fez às filhas de Jerusalém (cf. Lc 23,28).

São Lucas mostra que, mesmo durante a Paixão, Jesus não pensou em Si mesmo. Em meio à angústia mortal, pensou primeiramente em seu Pai. Orou para Ele de joelhos e, em troca, foi consolado por um Anjo (cf. 22,43). Assim, confirmaram-se as palavras do Apóstolo: “O Deus de toda consolação nos consola em nossas aflições para que possamos consolar os que se encontram em qualquer aflição por meio da consolação que nós mesmos recebemos” (cf. 2Cor 1,3s).

A partir daí, Cristo passou a Paixão fazendo o bem! Tentou pela última vez advertir a consciência do traidor, para que se arrependesse e fosse salvo: “Judas, com um beijo tu entregas o Filho do homem?” (Lc 22,48). Curou a orelha de um dos que O prendiam (cf. 22,51). Olhou para Pedro profundamente, levando-o a se arrepender da negação (cf. 22,61). Ironicamente, levou até mesmo Herodes e Pilatos, os responsáveis por sua condenação, que eram outrora inimigos, a se reconciliarem (cf. 23,12). A simpatia que causou no último serviu até mesmo para salvar a vida a Barrabás (cf. 23,25), um criminoso.

Enquanto caminhava para o Calvário, encorajou e advertiu aqueles que, compungidos, se lamentavam (cf. 23,27). Sob intensa dor, ao ser crucificado, orou pelos algozes e por todos: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (23,34). Em meio à agonia atroz, já suspenso na Cruz, moveu um criminoso à fé e à conversão, prometendo-lhe ali mesmo a salvação eterna: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (23,43).

Até o modo sereno e confiante como aceitou a morte por meio da oração – “Pai, em Tuas mãos entrego o meu espírito” (23,46) – levou muitos dos presentes à conversão e à fé. O soldado, que era até então implacável na condenação, reconheceu: “De fato, este homem era justo!” (23,47). E muitos dos que assistiam a tudo como a um espetáculo voltaram para casa batendo no peito, arrependidos (cf. 23,48).

Mais eficaz do que qualquer pregação, a Paixão de Cristo deixou um perfume de bondade no ar e espalhou consolação, conversão e arrependimento. Meditar a Paixão do Senhor com amor e com devoção nos levará a receber tal consolação. Assim, já não olharemos tanto para nossa própria dor e, com Ele, consolaremos também os outros.

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