Completou-se, no último domingo, a Oitava da Páscoa, os oito dias durante os quais a Igreja celebra continuamente o domingo da Ressurreição como um único dia. A razão para que se comemore ininterruptamente durante este período a Ressurreição de Cristo é simples: a alegria desse mistério é tão grande que a Igreja a prolonga por oito dias. Neste ano, porém, somou-se a isso um dado significativo pelo qual os fiéis puderam jubilar-se: no mundo inteiro, registraram-se recordes no número de conversões, Batismos e Confirmações. Nos mais diversos países dos quatro cantos do mundo, observou-se uma realidade semelhante: paróquias lotadas e fiéis sedentos por Jesus.
Na França, “filha primogênita” da Igreja, pelo segundo ano consecutivo, houve recorde de batizados: mais de 21 mil pessoas receberam este sacramento durante a Vigília Pascal, um aumento de 17% em comparação ao ano passado, que já era o maior número registrado. Nos Estados Unidos, o crescimento médio foi de 38%, tendo algumas dioceses inclusive registrado acréscimo de 145%. A Inglaterra, berço do anglicanismo, tampouco comportou-se diferentemente: arquidioceses importantíssimas como a de Westminster e Southwark batizaram 60% mais adultos de que em 2025, tendo alcançado o maior número desde 2011.
Embora em locais diferentes, nota-se um fator comum: em todas as dioceses, a grande maioria dos conversos são jovens adultos sem uma tradição religiosa prévia. A faixa etária mais representativa é a de 18 a 25 anos, seguida pelos adultos entre 26 e 40 anos. Trata-se, em grande parte, de percursos de fé assumidos pessoalmente na vida adulta, e não apenas de sacramentos recebidos por costume familiar. Isso indica uma busca sincera e crescente por Deus no coração de um número cada vez maior de pessoas.
Muitas são as tentativas humanas para explicar esse fenômeno global. Em uma sociedade que, dia após dia, se mostra moralmente desnorteada e sem propósito, é compreensível a procura pelo Caminho. Em um mundo cada vez mais relativizado, em que até mesmo as verdades mais básicas podem ser adulteradas, não é de se estranhar a busca pela solidez da Verdade. Com o aumento das guerras e da violência, em que a vida humana é muitas vezes considerada descartável, desde os nascituros até os adultos, fica clara a busca pela Vida. Por fim, pode-se intuir que a falta de valores fixos e a normalização do passageiro faça com que muitos se voltem Àquele que diz: “Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão” (Mt 24,35).
O fato é, no entanto, que o Espírito Santo é quem move interiormente cada pessoa à conversão e a razão que O leva a fazer isso está além da nossa compreensão. Por mais que se possa buscar razões naturais ou explicações lógicas, as respostas ainda assim serão incompletas. No fundo, os motivos para tanta procura por Deus só serão esclarecidos plenamente no Juízo Final, uma vez que “meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos” (Is 55,8).
Resta-nos, então, alegrarmo-nos diante de mais corações sendo levados à Igreja. A cada um de nós cabe o papel de cooperarmos com a graça que o Senhor infunde em nosso íntimo, aspirando às coisas do alto e esforçando-nos para entrar pela porta estreita. Assim, transformados interiormente por Cristo, façamos de nossa vida um testemunho permanente, tornando-nos instrumentos de Deus e inspirando cada vez mais pessoas a terem também um encontro pessoal com o Senhor, na sua Igreja.





