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Os católicos e as eleições de 2026

Ao chegarmos ao mês em que se inicia oficialmente a propaganda eleitoral, é oportuno recordar as orientações da Igreja Católica no Brasil para as eleições de 2026. 

Como é amplamente sabido, a Igreja Católica não apoia candidatos nem partidos, mas “movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum. Ela parte da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade”, escreveu, em junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em mensagem ao povo brasileiro por ocasião das eleições deste ano.

Que não se espere, portanto, que ministros ordenados, religiosos e leigos com atribuições de liderança nas comunidades eclesiais indiquem publicamente votos em partidos ou candidatos nem que nas igrejas se faça campanha explícita ou a promoção indireta de algum deles, até porque tal postura pode configurar crime eleitoral.

Isso não significa, porém, que os católicos não disponham de orientação para discernir o voto. As bases para tal estão na Doutrina Social da Igreja, alicerçadas nos princípios da dignidade da pessoa humana (desde que é concebida, ao longo de toda a vida e até a morte natural), da busca do bem comum, da destinação universal dos bens, da solidariedade e da subsidiariedade. 

Como aponta o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, cada pessoa ao discernir sobre a escolha por um candidato ou partido deve fazê-lo de modo “coerente com os valores, tendo em conta as circunstâncias efetivas. Em todo o caso, qualquer escolha deve ser radicada na caridade e voltada para a busca do bem comum. As instâncias da fé cristã dificilmente são assimiláveis a uma única posição política: pretender que um partido ou uma corrente política correspondam completamente às exigências da fé e da vida cristã gera equívocos perigosos. O cristão não pode encontrar um partido que corresponda plenamente às exigências éticas que nascem da fé e da pertença à Igreja: a sua adesão a uma corrente política não será jamais ideológica, mas sempre crítica, a fim de que o partido e o seu projeto político sejam estimulados a realizar formas sempre mais atentas a obter o verdadeiro bem comum, inclusive os fins espirituais do homem” (CDSI 573).

Nas eleições deste ano, portanto, como bem recordaram os bispos na mensagem de junho, “mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade”. 

Perante as desafiadoras realidades do Brasil, é natural que ocorram divergências sobre as origens dos problemas e de como solucioná-los. Todo debate a respeito é desejável, mas sem se esquecer de que “não existe democracia sólida quando a divergência legítima é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo”, escreveram os bispos em junho. “O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”. 

Neste período eleitoral, que a abertura ao diálogo possa ser um diferencial dos católicos, fazendo-o tanto com aqueles que professam a fé no Cristo, a fim de “esclarecer-se mutuamente em um diálogo sincero, guardando a caridade mútua e tendo, antes de mais, o cuidado do bem comum” (CDSI 574), quanto participando de outras ocasiões para um “diálogo paciente, espírito público e compromisso com o que é mais importante para a vida do povo. Em outubro deste ano, encorajamos o povo brasileiro a participar efetivamente da festa da democracia e exercitar conscientemente a cidadania como o melhor mecanismo para a solução dos desafios nacionais”, escreveram os bispos na referida mensagem em abril. 

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