A Igreja inicia maio com muita alegria, o mês dedicado à Virgem Maria. A devoção, cujas origens remontam até o século XIII, começou a ganhar mais adesão e popularidade a partir do final do século XVIII e atualmente é praticada por toda a catolicidade do planeta. As razões para a escolha deste mês são especialmente simbólicas: no Hemisfério Norte, de onde surgiu a piedade, maio é o auge da primavera, com o desabrochar das flores, a renovação da vida e a beleza da natureza. Faz sentido, dessa forma, ornar os altares com as mais belas flores em honra a Maria, plena em pureza, fecundidade espiritual e graça.
Muitas pessoas de fora, no entanto, têm dificuldade em entender por que os católicos amam Nossa Senhora e se dedicam tanto a ela. Por mais que boa parte das vertentes protestantes e até outras religiões reconheçam que Maria é admirável, ainda assim há questionamentos sobre se há algum “exagero” ou erro na medida em que se prestam homenagens a ela. Em parte, isso se deve por nem sempre ser esclarecido os motivos que embasam a veneração. Dessa forma, vale recordar aqui o principal deles e de onde todos os outros são consequência: a maternidade divina.
Para entender a maternidade divina, faz-se necessário, antes de tudo, compreender o conceito de maternidade humana. Diferentemente do que se pode sugerir em um primeiro momento, seria um erro grosseiro reduzir as características maternas a um ato estritamente fisiológico. Pelo contrário, a maternidade humana é primeiramente um ato moral, o qual deve ser exercido com valores elevadíssimos. Dos amores humanos, aquele que é da mãe para o filho é, sem dúvida, o mais ardente, o mais desinteressado e o mais sacrificado de todos.
Esse amor, belo por natureza, é o que sustenta a mãe nas atividades mais variadas, demandantes e nobres que se pode exigir a alguém. Em linhas gerais, pode-se tipificá-las como atividades de geração – envolvendo a concepção, gestação e parto – e as de formação. Esta última divide-se em duas: a formação corporal, como a criação e sustento dos filhos, e a espiritual, que diz respeito à educação. Todas elas, contudo, possuem um mesmo fim: fazer do filho um homem completo e perfeito, habilitando-o para a vida e membro útil da sociedade humana.
No caso da Virgem Maria, nada disso foi poupado quando ela livremente aceitou conceber em seu ventre Nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade, o exato oposto ocorreu: tendo a responsabilidade de cuidar do Salvador do mundo e de educá-lo, seu nível de entrega e sacrifício foi o mais elevado já pedido a uma mãe, muito maior do que qualquer rainha medieval teve. Entre vários motivos, com certeza esse também teve um papel preponderante para Deus preservá-la do pecado original, inculcar-lhe a plenitude das graças e, em sua providência, enviá-la um santo homem como esposo e companheiro de missão.
Nas Sagradas Escrituras foi deixado pouco sobre como foi a infância e criação de Jesus. Contudo, no que se pode ler nos Evangelhos, encontra-se dois exemplos de pais: obedientes a Deus, dispostos a percorrer as mais duras viagens e abandonar todos seus confortos para protegerem seu filho, sempre preocupados com o bem-estar de Cristo. Após a passagem de Nosso Senhor perdido no Templo aos 12 anos, o evangelista narra que “Jesus crescia em sabedoria, idade e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Isso, não apenas pela submissão Dele a seus pais, mas também pela dedicação deles a seu filho.
A veneração católica, no entanto, não é somente devido à forma com que Maria exerceu sua maternidade com Nosso Senhor. Na verdade, é porque sabemos que essa mesma mãe modelo também nos foi deixada pelo próprio Cristo: “Aí está tua mãe” (Jo 19,27). Graças a isso, temos a segurança e o conforto de que Nossa Senhora cuida e olha por nós da mesma forma que fez com Jesus. Ao sermos filhos obedientes e ouvirmos os conselhos de nossa Mãe, somos cada vez mais configurados a Cristo.
Portanto, que neste mês não meçamos esforços para agradecer à nossa querida Mãe e exaltá-la! Como boa mãe, ela sempre estará disposta a escutar nossas preces, guiar nossos passos e oferecer os melhores conselhos. Que este mês seja ocasião especial para cultivarmos intimidade com ela por meio de orações, devoções e práticas de piedade.



