Eis que chegaram as férias

Aos poucos, a rotina vai voltando ao normal e estamos novamente em um período de férias escolares. Passamos dois anos em atividades escolares on-line, com desafios enormes de como conciliar a vida familiar com acompanhamento escolar e trabalho, mas, superado esse período, tivemos o primeiro semestre completo de aulas presenciais e, agora, chegamos às férias. 

Eis que chegaram as férias
Kampus Production/Pexels

É muito importante olharmos para esse período como uma nova oportunidade. Um momento de promover experiências diferentes aos filhos e de readaptar a rotina da casa com esse objetivo. 

Vamos então a dicas importantes para que as férias sejam muito positivas: 

Planeje uma rotina de férias – Descansar não é ficar sem rotina e sem atividades, mas sim ter rotina e atividades diferentes das habituais. Não deixe a critério das crianças os horários de acordar e dormir, as atividades que farão durante o dia, o horário de comer etc. Planeje uma rotina adequada às férias. 

Não se renda às telas (TV, celular, videogames etc.). É tentador deixar que as crianças se distraiam com esses recursos, afinal, nem sempre os pais têm férias junto com as crianças, e esses recursos exercem um papel encantador sobre os pequenos, distraindo-os por longos períodos. Não se esqueça de que, se utilizados de modo desmedido, esses recursos trarão muito mais dificuldades do que benefícios em longo prazo. As crianças ficam extremamente dependentes, pouco criativas e mal-estimuladas quando são submetidas a períodos longos de uso de telas. Portanto, já estabeleça a princípio o tempo de telas que será permitido, combine com os filhos e faça cumprir o combinado. Resista aos argumentos: mas não tenho nada para fazer. Aliás, vamos falar sobre isso. 

Tempo de ócio – É muito importante que as crianças e adolescentes aprendam a lidar com o ócio. Tempo de ócio é necessário para que se ganhe habilidade de contemplação, de reflexão, de criatividade, de capacidade de estar em contato consigo mesmo – suas ideias, percepções e imaginações. Não se sintam obrigados a preencher o tempo todo dos filhos durante o período de férias. É muito comum encontrarmos pais angustiados, pois, se não colocarem muitas atividades no dia dos filhos, eles ficarão entediados e vão querer os eletrônicos para se distrair. O tédio também faz parte da vida e pode mover os filhos a encontrar, por si mesmos, possibilidades de se ocupar. Deixem materiais interessantes disponíveis, mas deixem que eles inventem o que fazer. 

Atividades diferentes – Escolher uma leitura adequada à idade para fazer em família nas férias. Pintar um quadro, confeccionar esculturas de argila ou biscuit. Fazer receitas na cozinha, fazer algum pequeno projeto social, levar um bolo a um asilo ou a uma família necessitada (crianças menores), fazer campanhas de arrecadação de roupa para as pessoas em situação de rua (adolescentes), organizar os armários, fazer alguns passeios mais difíceis de acontecerem na época de aulas... É importante ajudar os filhos a compreender que descanso não é sinônimo de não fazer nada, mas sim de mudar as atividades que se faz, modificar o nível de exigência que se coloca nelas, e continuar crescendo e melhorando como pessoa. 

Viagens, acampamentos, atividades mais elaboradas nem sempre fazem parte do rol de possibilidades de todos, e não há problema nenhum nisso. O mais importante são as memórias que construímos com eles dentro das circunstâncias de vida que cabe a cada família. 

Não valorizem demasiadamente as férias, como se o período escolar fosse um tempo “escuro”, difícil, chato e, infelizmente, necessário para que tenhamos o prazer de gozar das férias. Ao contrário, férias demais também cansam, elas somente são boas porque temos uma rotina de atividades para a qual voltar. É bom que se sintam motivados a retomar as atividades com alegria depois do tempo de descanso. 

Pais, aproveitem com os filhos este período de férias, de acordo com suas circunstâncias e de modo natural. Lembrem-se: “A coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns” (G. K. Chesterton). 

Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o site www.simonefuzaro.com.br. Instagram: @sifuzaro 

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