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Catequese como iniciação à vida cristã

O 5º domingo de agosto, mês das vocações, é dedicado à vocação dos catequistas, que desempenham uma missão fundamental no processo de evangelização. Manifesto, por isso, meu sincero apreço e reconhecimento da Igreja pelo valioso serviço que prestam às nossas comunidades. Que Deus os abençoe e lhes dê alegria e perseverança.

A catequese é a ação de formação cristã constante do cristão; ela se dá em um processo, por etapas, desde a primeiríssima e importante catequese que acontece ainda no colo dos pais e no seio da família, passando pelas etapas da iniciação cristã sistemática, iniciação à vida da Igreja, aos mistérios da fé e da vida litúrgica e da formação da consciência cristã, das virtudes e atitudes morais coerentes como o Evangelho. Ninguém nasce cristão pronto, nem sabendo como deve viver o cristão. Aprende-se, passo a passo, passando por várias etapas.

A esse processo, dá-se o nome de iniciação à vida cristã e os catequistas são os “pedagogos da fé” para seus irmãos, quer pequenos, quer jovens ou adultos. Nosso sínodo arquidiocesano (2017-2023) evidenciou a necessidade de uma atenção muito especial à catequese e à formação cristã em todas as paróquias e demais expressões da vida comunitária: “A catequese é essencial no processo de evangelização, na transmissão da fé cristã e na gradual iniciação e inserção na prática da fé e da vida eclesial. Sem uma boa catequese, o futuro da transmissão da fé e da vida eclesial fica seriamente comprometido” (Carta Pastoral Comunhão, Conversão e Renovação Missionária [2023], nº 8).

Para promover a renovação do processo catequético, nossa Arquidiocese reorganizou a catequese, elaborando e publicando o Diretório Arquidiocesano da Catequese, levando em conta as propostas e indicações elaboradas pelo nosso sínodo e os documentos essenciais do Magistério da Igreja relativos à catequese. O Diretório Arquidiocesano da Catequese serve para nortear a ação catequética em toda a Arquidiocese de São Paulo, já está em vigor e foi estudado pelo clero no curso de aprofundamento teológico deste ano. Não se deixou de tratar nele dos objetivos da catequese, dos itinerários, dos tempos e idades, dos principais responsáveis pela catequese, da vocação dos catequistas e de sua formação, e da catequese em tempos de cultura digital. A principal finalidade do Diretório é a promoção da boa catequese, coerente com a comunhão eclesial, da conversão e da renovação missionária através do processo catequético.

Alguns conceitos são básicos no Diretório. Antes de tudo, a catequese é uma ação eclesial e a própria comunidade da Igreja é o principal sujeito da catequese. Os catequistas, portanto, não realizam ações isoladas ou privadas, nem agem em nome próprio, mas exercem uma missão eclesial e, portanto, devem fazer uma catequese sintonizada com a Igreja, sua fé, seus ensinamentos e sua vida. Outro conceito importante refere-se ao método: toda catequese tem algo de “escola” e requer uma pedagogia própria. Mas ela está longe de se reduzir a um cursinho para um mero aprendizado intelectual de algumas noções. Na catequese, transmitem-se conhecimentos e se espera que sejam compreendidos e aprendidos, mas também acolhidos na vida. Por isso, o método da catequese leva sempre em conta a formação do cristão e a prática da vida cristã. A boa catequese não só fala da oração, mas ensina a rezar; não apenas trata da missa, mas leva a participar da missa; não só fala da caridade, mas leva à experiência da ação caritativa.

Um terceiro conceito fundamental é este: a catequese é um processo de iniciação à vida cristã e de formação contínua na fé. Ninguém sai “diplomado” depois de meio ano, um ou dois anos de catequese. Na vida cristã, somos aprendizes a vida inteira, até que Nosso Senhor nos conceda “o prêmio da vida eterna”… A catequese inicial, seja de crianças, seja de jovens ou adultos, “introduz” nos mistérios da fé e da vida cristã e supõe que o cristão, assim “iniciado”, continue a crescer na fé e na prática da vida cristã, avance, amadureça e produza frutos de virtude pela perseverança na fé.

Enfim, hoje se recorda sempre mais que a catequese desempenha o papel de um catecumenato pós-batismal. Quem é batizado jovem ou adulto deve fazer antes o catecumenato pré-batismal de iniciação à vida cristã, conforme as prescrições do Rito de Iniciação Cristã de Adultos (RICA). Quem já foi batizado como criança, não fez esse catecumenato antes do Batismo. Assim, a catequese de iniciação à vida cristã deve suprir o papel do catecumenato, sobretudo para quem não recebeu ainda os elementos básicos da fé e da vida cristã. E a catequese com jeito catecumenal prevê passos progressivos de iniciação à fé e à prática da vida cristã.

Os frutos de uma boa catequese, certamente, serão muitos e os principais beneficiários os catequizandos: crianças, adolescentes, jovens e adultos. A comunidade eclesial inteira sairá ganhando. E estaremos cumprindo o mandato recebido de Jesus Cristo: anunciar o Evangelho a toda criatura, ensinar a observar o que Ele ensinou (cf. Mt 28,19-20).

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