No dia 25 de outubro, celebramos a memória litúrgica de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, ou simplesmente Frei Galvão, primeiro Santo nascido em terras brasileiras, em Guaratinguetá (SP). Estudou em Salvador (BA) e viveu em diversos conventos franciscanos do Brasil, até permanecer estável no Convento São Francisco, em São Paulo. Faleceu quando o Brasil deixava de ser colônia de Portugal. Foi canonizado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, com a presença dos bispos de todo o Brasil e de uma grande multidão de povo.
Frei Galvão destacou-se como santo pela sua caridade, pela capacidade de ouvir e acolher as pessoas e de estar com o povo humilde e sofrido. Teve grande amor aos pobres e doentes e dedicava muito tempo a ouvir Confissões. Em São Paulo, ele fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição; inicialmente, ainda não uma casa religiosa, pois no período colonial a fundação de conventos ou mosteiros era muito dificultada pelo governo. A religião ainda era controlada pelo Estado. A separação entre Igreja e Estado aconteceu somente com a proclamação da República, em 1889. Frei Galvão, no entanto, queria que o Recolhimento fosse confiado aos cuidados da Ordem das Monjas de Nossa Senhora da Conceição (Concepcionistas), o que aconteceu somente mais tarde, e permanece até hoje.
Ele era construtor e consta que também ‘pegava no pesado’ para ajudar na edificação do complexo do Mosteiro da Luz, que é hoje um dos poucos conjuntos arquitetônicos de final do século XVIII que restaram em São Paulo. Além de ser, de fato, um Mosteiro vivo de religiosas contemplativas, uma parte do complexo abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo, que é do estado. Frei Galvão, como bom filho de São Francisco, tinha especial devoção à Imaculada Conceição, bem antes que, em 1854, o Papa Pio IX proclamasse o dogma de fé da conceição imaculada de Maria. São Francisco também já tinha essa devoção no século XIII.
Há, porém, um aspecto pouco lembrado da vida de Frei Galvão e que também serviu de motivo para que Frei Galvão quisesse religiosas de vida contemplativa no Mosteiro da Luz: seu grande amor à Eucaristia. Ele queria monjas para a adoração ao Santíssimo Sacramento. Isso foi lembrado pelo Papa Bento XVI na homilia da canonização no dia 11 de maio de 2007: “Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado ao alto pelo sacerdote, depois da consagração do pão e do vinho, ou O adorarmos com devoção exposto no ostensório, renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em ‘laus perennis’, em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante, porque dá Vida aos homens”.
A Eucaristia é o Sacramento do inefável amor de Deus pela humanidade e, por isso, ela ocupa um lugar privilegiado na vida e ação da Igreja e no coração dos fiéis, quer dos ministros ordenados, quer dos religiosos e religiosas e de todo o povo de Deus. Essa é uma das lições importantes deixadas por Frei Galvão e que foi confirmada pelo grande destaque dado pela Igreja à Eucaristia na renovação da vida litúrgica conciliar e pós-conciliar. De fato, toda a vida e missão da Igreja está orientada para a Eucaristia. E, da celebração da Liturgia, especialmente da Eucaristia, a Igreja tira toda a sua vitalidade e o fruto de sua missão.
Bento XVI referiu-se ainda à grande disponibilidade de Frei Galvão para servir o povo, sempre que solicitado. “Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, ele era dispensador da caridade, especialmente pelos pobres e enfermos. Era muito procurado para as Confissões, pois era zeloso, sábio e prudente”. A conversão dos pecadores era sua grande paixão. Irmã Helena Maria, que deu início ao “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição”, testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: “Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram”. E o Papa concluía: “Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências”.




