Entre o presépio e a cruz

Contar histórias é parte da nossa tradição e da nossa cultura. Ainda é comum que as pessoas sintam grande alegria em partilhar suas memórias, contando fatos divertidos de sua infância ou juventude. Essas histórias geralmente são narradas numa reunião de família, num almoço ou jantar. As pessoas se alegram e, aos poucos, vai se formando uma tradição oral, de memórias da família. Nascimentos, namoros, casamentos, festas e mesmo momentos tristes, de dor e sofrimento, vão compondo um álbum de fotos e imagens, que vai se formando na mente de quem escuta as histórias. Contá-las é a maneira de manter viva a memória de fatos importantes em nossa vida e na daqueles que amamos. 

A Sagrada Escritura também foi escrita a partir de memórias e experiências reais, vividas por homens e mulheres do povo de Deus. Essas pessoas conheceram o amor e a misericórdia de Deus nas mais diversas circunstâncias da vida e contaram suas experiências para outros homens e mulheres. Com o tempo, a tradição oral ganhou a forma escrita, mantendo a originalidade da verdade que foi vivida e experimentada, isso graças à ação do Espírito Santo. Dessa forma, a experiência daqueles homens e mulheres ganhou a forma de história sagrada. História do encontro com Deus, que caminha com o seu povo. 

Na plenitude dos tempos, a história do povo de Deus alcançou seu ponto mais alto, quando o Verbo de Deus assumiu a natureza humana. A promessa feita aos nossos antigos pais foi realizada em sua plenitude, e o princípio dessa realização teve início com a palavra de uma jovem. O sim de Maria sintetiza a história do povo de Deus. Ela abriu espaço na sua história pessoal para acolher o mistério de Deus. Mesmo apresentando sua falta de condições para realizar a obra de Deus, ela compreende que tudo é graça e confirma: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

A graça de Deus fez em Maria uma grande e magnífica obra. Ela foi a única pessoa que testemunhou os dois momentos mais luminosos na vida do Cristo de Deus. Maria gerou e deu à luz o Filho de Deus, depois contemplou sua dor, sua Paixão e Morte de cruz, mas permaneceu firme na fé, até a Ressurreição. Entre o presépio e a cruz, Maria se apresentou com a mesma fé e a mesma esperança. Ela recebeu o Menino em seus braços e o depositou na manjedoura, mais tarde acolheu o corpo de Seu filho descido da cruz, já sem vida. O Natal e a Paixão são dois momentos da vida de Jesus que apenas Maria testemunhou. Que sua intercessão materna nos ajude a ter a mesma firmeza na fé, para acolher nosso Salvador e Senhor, Jesus Cristo. 

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