A Arquidiocese de Aparecida celebrou, na tarde do dia 2, a posse canônica de Dom Mário Antonio da Silva como seu 6º Arcebispo, tendo sido nomeado em março pelo Papa Leão XIV.

A celebração eucarística reuniu bispos, autoridades civis e fiéis no Altar Central do Santuário Nacional de Aparecida.
A chegada do novo arcebispo ocorreu na Fachada Norte do Santuário. Ele foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Giambattista Diquattro, e pelo Administrador Apostólico, Dom Orlando Brandes.
Houve reverência ao crucifixo, conduzido pelo reitor do Santuário Nacional, Padre Eduardo Catalfo, C.Ss.R., e pelo vigário geral, Padre Marcus Vinícius da Silva.
Em seguida, Dom Mário aspergiu água benta pelos corredores da Basílica e rezou na Capela do Santíssimo. Depois, em ação de graças, as imagens de Nossa Senhora Aparecida e de Frei Galvão foram acolhidas no altar.
A nomeação pontifícia foi lida pelo chanceler. Depois, Dom Mário recebeu o báculo das mãos do antecessor e saudou o Colégio de Consultores, que manifestou obediência e comunhão.
PRESENÇAS E REPRESENTAÇÕES
Participaram da celebração bispos da Província Eclesiástica, entre eles Dom José Valmor Cesar Teixeira, Dom Wilson Luís Angotti Filho, Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias e Dom José Carlos Chacorowski.
Também estiveram presentes os Cardeais Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo; Raymundo Damasceno, Arcebispo Emérito de Aparecida; e Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro; e Dom João Justino de Medeiros Silva, 1º vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Entre as autoridades civis, participaram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues; e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

‘VIVER A PÁSCOA E DAR MUITOS FRUTOS’
A primeira homilia de Dom Mario à frente da Arquidiocese se inspirou nas leituras da liturgia. O arcebispo apresentou o que chamou de programa de vida e ministério: “Aqui está o verdadeiro programa de vida e até mesmo de ministério episcopal: viver a Páscoa e dar muitos frutos”.
Inspirado no Evangelho segundo João, reforçou: “A palavra de Jesus ‘eu sou o caminho, a verdade e a vida’ não é apenas uma bela frase, uma afirmação teológica, é uma luz, uma luz concreta para a missão do pastor com o seu rebanho.”
Ele aplicou essa passagem à missão episcopal. O bispo é chamado a discernir, orientar e manter a Igreja unida.Para os fiéis, trata-se de conversão constante. Para os romeiros, cada passo até o Santuário expressa o caminho interior rumo a Deus.
Ao comentar Atos dos Apóstolos, Dom Mário recordou a escolha dos sete diáconos diante da necessidade de atender as viúvas: “A Igreja mostra que dá frutos concretos quando organiza melhor o serviço aos necessitados.”
Ele fez um apelo ao fortalecimento das obras sociais e da Cáritas, no qual é presidente. Citou a urgência de enfrentar a violência, inclusive o feminicídio no Brasil. Também pediu compromisso com o dízimo e com a Campanha da Fraternidade.
Sobre a fome convocou os fiéis à partilha e afirmou: “A fome machuca, a fome dói, a fome mata.”
UNIDADE E PAZ
Na parte final da homilia, o arcebispo uniu-se ao pedido de paz feito pelo Papa. “Proclamemos ao mundo que Cristo é a nossa paz.”
Dom Mário também dirigiu palavras à Arquidiocese. Agradeceu ao antecessor, aos cardeais presentes e ao núncio apostólico. Pediu oração das famílias, das paróquias, dos santuários e dos movimentos.
“A partir de hoje vivo minha vocação aqui com vocês.” Ele concluiu sob o olhar de Nossa Senhora Aparecida, pedindo a graça da conversão e da fecundidade pastoral.

AGRADECIMENTOS
Dom Giambattista concedeu profunda gratidão a Dom Orlando e acolheu Dom Mário, relembrando seu papel enquanto bispo da Diocese de Roraima junto aos refugiados.
“Assim como em Roraima, vossa excelência acolheu milhares de refugiados, acompanhando com coração pastoral as dores, as esperanças e o caminho de tantos irmãos e irmãos e agora em Aparecida acolhe os inúmeros fiéis que vem refugiar-se no coração materno de Maria, buscando consolo, luz e confiança renovada.”
Dom João Justino de Medeiros Silva, em nome da presidência da CNBB, transmitiu a alegria e amizade fraterna e votos de um fecundo pastoreio junto a essa igreja particular: “O senhor já passou por igrejas diferentes nesse nosso Brasil, ao Sul, Norte, Centro-Oeste e Sudeste,sua experiencia é uma inspiração para nós além de sua disposição para ir aonde o Senhor enviar”.
Dom Maurício da Silva Jardim, 1º vice-presidente do Regional Oeste 2 da CNBB, agradeceu a Dom Mario Antonio os quatro anos em que esteve a frente da Arquidiocese de Cuiabá: “Foi uma passagem meteórica, mas carregada de comunhão, participação e vida missionária. As marcas de seu serviço missionário entre nós como sucessor dos apóstolos continuarão como sementes em terras do Mato Grosso, conservaremos uma memória agradecida e sentiremos saudades”.
Dom Carlos Silva, OFMCap., Bispo Auxiliar de São Paulo e Secretário geral do Regional Sul 1 da CNBB, dirigiu palavras com alegria e espírito de comunhão ao novo arcebispo de Aparecida em nome de todos os bispos deste regional: “A Igreja que está em São Paulo o acolhe com o coração aberto, aqui onde pulsa o maior regional do país marcado pela diversidade de suas realidades encontramos também uma unidade profunda, somos reunidos na Casa da Mãe, Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde o Brasil se reconhece como povo de Deus em peregrinação, é nesse solo sagrado que o Senhor, Nosso Deus, o chama a exercer o seu ministério pastoral”.
Padre Matusalém Gonçalves dos Santos, que faz parte da Arquidiocese de Aparecida, relembrou momentos da infância de Dom Mário Antonio junto a Padroeira do Brasil. “Em um de nossos encontros, contou que em seu bairro de Aparecida, durante sua infância e adolescência participava de encenações que representava a pesca da Imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba. Pela fé, vamos dizer, Dom Mário, um dia o senhor encenou o encontro da Imagem, hoje, Nossa Senhora Aparecida te encontra”.
Padre Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R., Superior Provincial da Província de Nossa Senhora Aparecida, agradeceu os últimos 10 anos de caminhada com Dom Orlando Brandes e entregou uma placa de agradecimento em nome da Família dos Devotos e da Família Redentorista pelos serviços prestados a frente da Arquidiocese de Aparecida.
E depois, foi ofertada como boas-vindas a Dom Mário Antonio uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, com o espírito de ‘caminhar juntos’ sob sua orientação no pastoreio e que em Aparecida será muito feliz e muito fará pelo Reino de Deus.
Padre Lauro, por fim, leu a ata e, por fim, a Consagração a Nossa Senhora, para conduzir o início do pastoreio de Dom Mário. Antes, relembrou com carinho que, uma semana antes da nomeação, Dom Giambattista Diquattro ligou para ele, pedindo para “rezar para Nossa Senhora Aparecida”.
Fonte: A12




