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Os nomes de Odisseu e de Jesus

Polifemo, na mitologia grega, era um ciclope; um gigante de um olho só, filho de Poseidon (deus do mar). Na Odisseia, é descrito como um pastor, incivilizado e devorador de homens, que vivia isolado dos outros ciclopes em uma caverna. Odisseu e doze de seus companheiros teriam buscado abrigo na caverna, onde encontraram queijo e cordeiros. 

Em seguida, depararam-se com Polifemo, que retornava com seus rebanhos. O gigante bloqueou a entrada da caverna com uma enorme rocha, aprisionando Odisseu e seus homens lá dentro. Quando Polifemo lhe perguntou o seu nome, Odisseu disse que seu nome era “Ninguém”. Polifemo devorou seis dos gregos ao longo de dois dias. Odisseu sabia que, se o matasse, não teria como fugir, porque só o gigante conseguiria retirar a rocha da entrada da caverna. Então, arquitetou um plano de fuga: ofereceu a Polifemo vinho forte e puro para embriagá-lo. 

Naquela noite, Odisseu e quatro companheiros aqueceram no fogo uma estaca afiada de madeira e a cravaram no olho de Polifemo enquanto dormia. Quando os outros ciclopes vizinhos perguntaram por que Polifemo gritava à noite, ele respondeu que “Ninguém” o estava matando. Levando suas palavras ao pé da letra, os ciclopes presumiram que ele sofria de uma aflição divina e não vieram em seu auxílio. Na manhã seguinte, Polifemo removeu a pedra para soltar seus carneiros no pasto, apalpando as costas de cada animal para impedir a fuga dos gregos. 

Odisseu e seus seis homens sobreviventes se agarraram à parte inferior dos carneiros e escaparam. Ao perceber que eles tinham fugido, Polifemo foi atrás deles. Após chegar ao seu navio, Odisseu cometeu um erro fatal, fruto do orgulho: gabou-se de ter conseguido fugir e gritou ao gigante dizendo que quem fizera tudo aquilo não se chamava “Ninguém”, mas “Odisseu”. Polifemo, então, orou a seu pai, Poseidon, para que amaldiçoasse a jornada de Odisseu de volta para casa. Poseidon atendeu à oração, condenando Odisseu a perder todos os seus companheiros e a vagar por anos antes de retornar sozinho para Ítaca, tornando seu retorno da Guerra de Troia longo e árduo. Quando Odisseu se dizia “Ninguém”, isso lhe salvou a vida. Mas, quando vangloriou-se querendo que seu nome fosse conhecido, isso causou sua própria ruína. 

De fato, prepotência e autoafirmação combinam muito bem com a necessidade de ostentação que as pessoas de nosso tempo revelam, sobretudo nas redes sociais, nas quais as pessoas parecem sempre dizer que são aquilo que sabem que não são, aquilo que gostariam de ser. 

O caminho da humildade parece não ser uma proposta capaz de nos realizar como pessoas. Entretanto, é isso que o Cristianismo nos apresenta como ideal de vida e semente para uma nova vida e para participar de uma glória diferente. Assim dizia São Paulo aos Filipenses: Tende em vós o mesmo pensamento de Cristo Jesus! Ele, embora sendo imagem de Deus, não considerou extorsão o ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a imagem de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos, e, em aspecto, sendo encontrado como ser humano, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, morte de cruz. Por isso, Deus o sobre-exaltou e o agraciou com um nome acima de todo nome, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre, dos que estão nos céus, na terra e nos subterrâneos, e toda língua reconheça, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,5-11). 

Foi por isso que Pedro rejeitou a glória que lhe queriam dar depois da cura de um paralítico e proclamou o nome de Jesus: “Homens israelitas, por que vos admirais disto? Por que olhais fixamente para nós, como se por nosso próprio poder ou piedade tivéssemos feito este homem andar? (…) seja manifesto, a todos vós e a todo povo de Israel, que foi em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dos mortos. Por Ele, este homem está em pé, curado, diante de vós” (cf. At 3,12; 4,10).

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