Quem dizem os homens que eu sou?

Neste tempo de pandemia e isolamento, as redes sociais vêm ganhando maior espaço na vida e no cotidiano das pessoas. Algumas pessoas procuram por novas receitas e formas de preparar os alimentos. Em certos casos, a criatividade é quase cômica. Outras pessoas procuram por produtos e fazem compras de coisas que são apresentadas como grandes novidades. Também aqui há uma grande capacidade criativa, bastando ver a enorme quantidade de modelos e formatos de máscaras de proteção, por exemplo.

A grande maioria, porém, certamente usa as redes sociais para entretenimento e relacionamento. Exatamente por isso, esse é o ambiente em que a criatividade aparece com maior vigor. A cada dia, surgem brincadeiras, que vão sendo passadas adiante, e, em pouco tempo, são trocadas por outras. Nestes dias está circulando uma dessas brincadeiras, que tem o objetivo de saber o que os outros pensam e dizem a seu respeito, e é bastante simples. Nela, o interessado compartilha a pergunta e espera as respostas. Será, no entanto, que todas as respostas são verdadeiras?

Não é exagero pensar que as redes sociais oferecem ocasião para ocultar a verdade ou dissimular a realidade. Frequentemente, também são ambientes de exposição e conflitos, causados por divergência de opinião. Considerando que a brincadeira se passa entre uma pessoa e seu grupo de relacionamento ou amizade, podemos pensar que existe sinceridade e verdade nas respostas. Quem participa do jogo deve estar preparado para todas as respostas, quer agradem, quer não. O que realmente conhecemos uns dos outros?

No Evangelho, Jesus faz uma pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Essa pergunta não é um jogo de curiosidade ou mera especulação de conhecimento. Jesus não está preocupado com as estatísticas da sua aceitação, nem buscando reorientar a pregação para que encontre maior adesão. A sua pergunta se desdobra em dois momentos: primeiro, Ele pergunta sobre o que pensam os de fora, e, depois, sobre o que pensam os mais próximos Dele. Entre as respostas dos grupos há uma grande distância. Onde está a verdade?

Jesus não se define ou não se deixa definir pelas aparências nem pelas interpretações: Ele se define por seu relacionamento com Deus. No deserto, quando foi tentado pelo demônio, Jesus se afirmou como Filho de Deus por suas opções e atitudes. Ele não mudou pedras em pães, nem buscou reconhecimento humano e muito menos adorou os ídolos passageiros para ganhar poder e glória. É no relacionamento com Deus que aprendemos a nos conhecer e reconhecer a verdade. Essa verdade nos deixa livres diante das incertezas e aparências do mundo. Os filhos de Deus são assim definidos pelo amor a Deus e pelo relacionamento com os irmãos.

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